8 Oct 2011 01:15 PM PDT
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, estudo preparado para a Igreja Batista Central de Macapá
INTRODUÇÃO
O que nos acontece quando morremos? O materialista dirá que não acontece nada. Tudo se acabou. Para alguns, voltamos em uma segunda oportunidade, uma terceira, quantas forem necessárias. Este mundo é uma espécie de penitenciária, um IAPEN espiritual, onde pagamos os erros de vidas passadas, embora não nos lembremos deles. Para outros mais, ficamos em uma espera, dormindo, até que um dia acordaremos, no juízo final. E outros, ainda, pensam que ficamos num lugar de onde orações e cerimônias religiosas do lado de cá, feitas por outras pessoas, nos tirarão. Mais recentemente, começou a se veicular a idéia de que continuamos vagando por aí, até cumprimos nossa missão. Isto foi mostrado em dois filmes, Ghost e Sexto sentido. Neste, um psicanalista é morto, mas não sabe que morreu. Contracena com ele um garoto que lhe diz: “I see dead people all the time” (“Eu vejo gente morta, sempre”). Só depois que ajuda o menino a se firmar, desempenhando um papel numa peça de Shakespeare, é que o psicanalista entende que morreu, e pode ir embora, de vez. Esta é uma tendência de romantizar a morte e enaltecer a vida humana mostrando seu sentido como sendo o cumprimento de uma missão. Quem cumpre sua missão aqui na terra pode morrer em paz. É uma afirmação do existencialismo, que afirma que o sentido da vida é aquele que lhe damos. No entanto, Eclesiastes 12.13 define bem o sentido da vida: “De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados.”. Há um sentido na vida: viver com Deus. Não nascemos para vencer nem para sermos felizes. Nascemos para viver com Deus. Quando vivemos com ele, vencemos e somos felizes. Vitória e felicidade são subprodutos da vida partilhada com Deus. As circunstâncias se tornam pouco relevantes. O problema é que a humanidade quer viver sem Deus. E também quer explicar a morte sem ele.
Há quem diga que a morte não existe e tudo é ilusão. Tudo é maya. Mas todas as pessoas, em todas as épocas, foram iludidas? A morte é real. Há um grande esforço da cultura secular em banir o sofrimento e a morte de nossas preocupações, negando-a ou romantizando-a. No fundo, é o medo da morte que nos faz revesti-la de aspecto romântico. Mas a morte é feia e triste.
Querer saber o que nos acontece após a morte é algo natural para quem crê na sobrevivência da alma. O materialista nada tem a especular aqui. Sua vida é pobre e se limita à sobrevivência física. Morrendo ele, tudo se acabou. Mas os que pensam em vida após a vida têm esta curiosidade. O que nos sucede, quando morremos?
A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é clara neste tópico (ela é em todos eles). Diz o item 16, intitulado “A Morte”, na sua quarta afirmação: “Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam ‘dormir no Senhor’”. Os adventistas do sétimo dia interpretam literalmente a expressão “dormir no Senhor”, com sua doutrina do sono da alma. Mas deixemo-los de lado e sigamos com a DD, que alista aqui as seguintes passagens bíblicas: Romanos 5.6-11 e 14.7-9, 1Coríntios 15.18-20, 2Coríntios 5.14-15, Filipenses 1.21-23, 1Tessalonicenses 4.13-17 e 5.10, 2Timóteo 2.11, 1Pedro 3.18, Apocalipse 14.13. Este é nosso ponto de partida.
1. A MORTE COMO EVENTO UNIVERSAL
A primeira referência a morrer, na Bíblia, vem do próprio Deus. O autor da Vida falou da Morte: “… menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore; pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá” (Gn 2.17). O “certamente” é enfático, como podemos ver numa tradução literal do texto hebraico: “Mas da árvore da entrada do bem e do mal, não comerás, sim, no dia em que dela comeres, morrerás, morrerás”. Mas o homem comeu, e permaneceu vivo. Depois veremos o que Deus queria dizer com “morrerás”, neste texto.
A primeira morte, na Bíblia, parece ter sido de animais: “E o Deus Eterno fez roupas de peles de animais para Adão e a sua mulher se vestirem” (Gn 3.21). Ou Deus tirou as peles dos animais escapelando-os e deixando-os vivos, ou havia um zíper para tirar as peles deles, ou, ainda, eles morreram (ou foram mortos). Simbolicamente, é a primeira declaração bíblica de que o homem não consegue resolver o problema das conseqüências do pecado. Apenas Deus pode. A separação de Deus é vista como nudez. Só Deus pode cobri-la.
A morte é universal. “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez” (Hb 9.27). Todas as pessoas que existem morrerão. Esta é a única certeza da vida, a morte. Como disse o filósofo dinamarquês Kierkegaard: “O homem nasce para morrer, e começa a morrer quando nasce”. Com ele concorda Heidegger: “A morte é a maneira de ser que a realidade humana assume desde que passa a existir. Tão logo um homem começa a viver, já é suficientemente velho para morrer” [1]. A sabedoria popular cunhou isto da seguinte maneira: para morrer, basta estar vivo.
A morte aguarda cada pessoa no fim da jornada. Disse Benjamin Franklin: “Há duas coisas inevitáveis na vida: a morte e os impostos”. Índios não pagam impostos, mas morrem. Na realidade, a morte é a única certeza que se tem na vida. Não sabemos que futuro os bebês que nasceram hoje, mundo afora, terão. Mas sabemos que todos eles morrerão. A morte é o mais temido adversário da humanidade. Aguarda cada um de nós no fim de nossa experiência para uma batalha que nunca perde. Enfrentá-la tem sido motivo de muitas cogitações. Epicuro, filósofo grego materialista, disse: “A morte não nos concerne, pois enquanto vivemos, a morte não está aqui. E quando ela chega, nós não estamos mais vivos” [2]. Esta questão foi posta em outras palavras: “Enquanto somos, a morte não é. Quando ela é, nós não somos”. O grande problema para nós é que só sabemos o que ser e não o que é não ser. Em outras palavras, sabemos o que estar vivos, mas não o que é estar mortos. E o desconhecido nos atemoriza.
Summers, de forma poética, descreve a figura da Morte: “Com rosto lúgubre e garras de hárpia, a Morte anda no encalço de sua presa desde o início do registro da história do homem. Este aspecto da experiência humana entrou no mundo com uma nota trágica, em que um homem enraivecido contra seu irmão levantou-se para matá-lo. Desde aquela introdução, a Morte tem mantido os homens no temor do seu poder” [3].
Até agora o cenário parece sombrio. Comecei o raciocínio mostrando o que temos que enfrentar. Agora cito o Novo Testamento: “Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus, antes da criação do mundo. Mas agora ela foi revelada a nós por meio do glorioso aparecimento de Cristo Jesus, o nosso Salvador. Ele acabou com o poder da morte e, por meio do evangelho, revelou a vida que dura para sempre” (2Tm 1.9-10). Por causa de Jesus temos a imortalidade, a vida eterna. Não somos filósofos ou pensadores sem esperança. Somos cristãos, e temos a bendita esperança trazida por Jesus. Esta esperança se baseia na obra de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).
Por este motivo, o cristão não teme a morte e reflete tranqüilo sobre ela. Não a varre para baixo do tapete. O verdadeiro cristão pode usar as palavras de uma composição de Bach: “Vem, ó doce morte!”. Porque que a morte não é o ponto final, mas como disse Diétrich Bonhoffer: “A morte é o supremo festival no caminho da libertação”. E como o pastor batista Martin Luther King Jr. pediu que fosse colocado em sua sepultura: “Livre, verdadeiramente livre; graças ao Deus Todo-Poderoso, verdadeiramente livre, afinal!”.
2. OS TRÊS TIPOS DE MORTE
Quando a Bíblia fala de “morte”, usa a palavra com três sentidos: a morte física, a espiritual e a eterna.
(1) Física – Refere-se à separação entre o espírito humano e o corpo, quando cessam as atividades físicas e cerebrais: Eclesiastes 12.7. Todos passam por ela: Hebreus 9.27. Todos nós passaremos por ela. Dentro de cem anos, nenhum de nós estará aqui. Teremos morrido.
(2) Espiritual - É a situação da pessoa sem Cristo: Efésios 2.1. Por isso a pessoa precisa nascer de novo: João 3.3. Sem Cristo o homem está espiritualmente morto. Desde o Éden que o homem ele perdeu a comunhão com a Vida. É por isso que mundo não melhora. Morto não pode dar-se vida a si mesmo. E morto se decompõe.
(3) Eterna - É a situação da pessoa sem Cristo após a morte física: Apocalipse 20.15. Podemos dizer que quem só nasce uma vez (no físico), passa por três tipos de morte e morre eternamente. Quem nasce duas vezes (no sentido de João 3.3) só morre uma vez (Jo 11.25-26) e ressuscita duas (espiritual e corporalmente).
3. E AO MORRERMOS, O QUE SUCEDE CONOSCO?
Voltemos a Hebreus 9.27. Ele nos permite compreender o esquema de nossas vidas: nascimentoè vida na terraè julgamento e vida no além. Todos nascemos, vivemos e todos morreremos. Isto é óbvio. Mas surge a questão: para onde vamos após a morte?
Segundo Eclesiastes 3.20, todos os mortos vão para um mesmo lugar, o pó: “Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão”. “Pó”, aqui, é tomado como destino final, porque afinal, alguns morrem afogados e outros, em incêndios. Todos vão para outro lugar, após a morte. O termo hebraico para o lugar pós-morte é sheol. O termo grego que lhe é correspondente é hades, que significa “o invisível”, de des, “ver”, e o prefixo privativo a. É o termo que designa o mundo dos mortos. Sheol ou hades é o estado dos mortos entre a cessação de sua vida e o juízo final, quando da segunda vinda de Cristo. Chamamos de estado intermediário. Esta expressão nada tem a ver com o purgatório. É “estado” e não “lugar” intermediário. A idéia de purgatório surgiu no século V de nossa era, com Agostinho, foi defendida por Gregório e definitivamente incorporada à teologia católica na 25ª sessão do Concílio de Trento, que aconteceu de 1545 a 1563, em reação à Reforma. O estado intermediário não intermedeia purgatório e céu, mas sim o estado desincorporado (em que existiremos fora do corpo) e o estado glorificado (quando seremos transformados, como diz 1Coríntios 15). Repito: é estado e não lugar intermediário. Todos os mortos estão em estado desincorporado, existindo fora do corpo. No sheol/hades/além há um lugar para os salvos e outro para os perdidos. Céu e inferno estão no além. Não estão aqui. Outra ressalva que deve ser feita é que o lugar onde os mortos estão, sheol/hades/além, é definitivo, não sendo possível passar de um lugar para outro, conforme lemos em Lucas 16.26. Sei que temos aqui uma parábola e que firmar um ponto doutrinário nela não é prudente. Mas dificilmente Jesus contaria uma história que contivesse um ponto equivocado, principalmente quando seu tema central é a suficiência da Palavra de Deus em matéria de orientação para a vida eterna. Neste caso, teria havido imprudência da parte dele, o que não se pode presumir. Mas uma observação de Summers sobre o estado intermediário nos ajudará mais a compreender a questão:
O Novo Testamento ensina que na morte o corpo volta à terra e o espírito entra num estado de existência consciente, na bem-aventurança ou no sofrimento. O Novo Testamento também ensina que o corpo será levantado e transformado, na ocasião da ressurreição, quando Cristo voltar à terra. Se essas duas proposições são ensinadas no Novo Testamento, segue-se que há um estado desincorporado de existência cônscia do espírito entre os dois eventos – a morte e a ressurreição. À luz da teologia é certo haver algum tipo de vida ou de existência nesse interregno [4].
Para entender bem o conceito de morte no Antigo Testamento, precisamos entender o conceito de homem. Ele se compõe de dois elementos: o basar (carne ou corpo, a parte material) e nephesh (alma). Embora alguns queiram ver o ruah (espírito) como um terceiro elemento, estudiosos como Knudson, Davidson, Delitzsch, entre outros, entendem que ruah é usado como sinônimo de nephesh, tendo ambos os termos o significado de princípio vital que resulta na vida psíquica do ser humano. O que sobrevive à morte passa para o sheol. Este é visto como um lugar de esquecimento (Sl 88.12) e de silêncio (Sl 94.17, 115.17), onde há certo grau de autoconsciência e possibilidade de movimento e comunicação (Is 14.19-20). Os seus moradores podiam ter certo conhecimento do futuro (1Sm 28.13-20), embora sejam denominados de “sombras” ou de rephains, termo hebraico que designa sombras da vida terrestre. A idéia é de sobrevivência e não de aniquilamento. Os hebreus não tinham uma concepção bem definida de vida no além, por isso que o Antigo Testamento pouco fala sobre o assunto. Mas embora não houvesse uma teologia elaborada sobre a morte e a vida no além, os hebreus criam que havia algo do lado de lá. Assim diz Thurman Bryant, em artigo sobre “O Corpo Celestial”:
Há várias expressões da idéia de sobrevivência no Velho Testamento. Gênesis 35.18 relata que Raquel morreu no nascimento de Benjamin e saiu dela a alma ou nephesh. Eclesiastes 12.7 diz que ao morrer o corpo volta para a terra, como o era, e o espírito ou ruach volta para Deus. Também, a ocasião da visita da pitonisa de En-Dor a Saul reflete o conceito de sobrevivência após a morte. Outras passagens que afirmam a existência deste conceito são Jó 13.14-15, 19.25-27, Salmos 16, 17, 49 e 73. Há uma tradição hebraica antiga que quando o homem morre, sua alma parte do corpo, mas permanece perto dele durante três dias para partir de uma vez quando começa a decomposição. Dr. Summers acha esta tradição interessante em vista da declaração de Marta a Jesus que Lázaro jazia no túmulo já quatro dias (João 11.39). [5]
Segundo a tradição judaica, três dias era o tempo de viagem do ruah ao sair do corpo até o sheol [6]. No caso de Lázaro, pode significar também que Maria estava dizendo que o seu ruah já estava no sheol, de onde não se regressa. Mas, independente da interpretação que se dê a esta passagem, o certo é que parece haver um desenvolvimento da idéia da vida após a vida terrena no Antigo Testamento, quando ele (o AT) está se encerrando. Quando o hebreu tomou ciência de seu valor como indivíduo e não apenas como participante da nação, começou a refletir também sobre seu destino eterno como indivíduo. Numa segunda etapa, começou a refletir sobre a idéia de retribuição não apenas nesta vida, mas na vida além túmulo. Por fim, a noção de comunhão com Deus aqui na terra se espiritualizou também para o âmbito da vida após a morte. Mas o certo é que a teologia judaica, antes do fim do Antigo Testamento já cria numa vida além e até mesmo numa ressurreição dos mortos para receberem seu castigo ou sua recompensa, como lemos em Daniel 12.2-3. É com o cristianismo, no entanto, graças à obra de Cristo, que a vida no além assumirá um aspecto grandioso. A morte deixou de ser assustadora e foi até zombada por Paulo: “Assim, quando este corpo mortal se vestir com o que é imortal, quando este corpo que morre se vestir com o que não pode morrer, então acontecerá o que as Escrituras Sagradas dizem: ‘A morte está destruída! A vitória é completa! Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir?’”. A morte morrerá: “Então a morte e o mundo dos mortos foram jogados no lago de fogo. Esse lago de fogo é a segunda morte”. (Ap 20.14). Desde a ressurreição de Cristo a morte é paciente terminal.
4. O LUGAR DO SALVO NO SHEOL/HADES/ALÉM
Ao morrer, o crente em Jesus vai para o sheol/hades/além, num lugar que lhe é próprio. É chamado de “seio de Abraão” (Lc 16.22-23), de “paraíso” (Lc 23.43) e “campos Elíseos” (literatura grega). São as moradas das quais Jesus disse que há muitas no céu, como lemos em João 14.2. É um lugar de glória, como lemos em Romanos 8.18. Vive-se com o Senhor para sempre, como lemos em Apocalipse 22.3-5. A palavra de Paulo em Filipenses 1.21-23 revela que a compreensão da vida após a morte é uma vida de qualidade bem superior à presentemente vivida. Deve ficar bem claro que o lugar do salvo, no sheol/hades/além é já de salvação. Na palavra de Paulo em 2Coríntios 5.7-8, morrer é estar ausente do corpo, mas presente com o Senhor. Paulo deixa transparecer que a morte do salvo é o abandono do corpo material e uma entrada imediata na presença do Senhor. Este estado não é de inconsciência ou de sono. Pensemos nas palavras de Summers:
Em Lucas 23.43 Jesus assegurou ao salteador arrependido: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. E em Lucas 16.22, a expressão “foi levado… para o seio de Abraão” é claramente um termo descritivo que se refere ao estado de bem-aventurança na presença de Deus. Nenhum gozo maior poderia ser contemplado por um bom hebreu do que ser recebido com um abraço no seio de Abraão, o pai da raça.[7]
A promessa de Jesus ao ladrão, de estar no paraíso, merece mais observação de nossa parte. “Paraíso” é a transliteração do grego paradeisos. No grego clássico designava um jardim ou parque, lugar de beleza e de recreação. Um lugar de delícias. Os tradutores da LXX o usaram para designar o jardim do Éden, em Gênesis 2.8. Flávio Josefo usou o termo para os jardins de Salomão, em Etã, bem como para os jardins suspensos da Babilônia. Associou-se ä figura de um lugar aprazível. O termo aparece no Novo Testamento na história do ladrão na cruz, na experiência de Paulo em ter sido arrebatado (2Co 12.4) e no Apocalipse 2.7, ao se falar da árvore da vida que está no paraíso. Tem a idéia de uma restauração à posição original de antes da queda. Esta impressão é corroborada pela figura de Apocalipse 22.1-2, onde o termo não aparece, mas a árvore da vida, sim. Mais do que lugar geográfico, o termo parece indicar o lugar onde Deus habita.
A este lugar chamamos, costumeiramente, de céu. No judaísmo posterior se desenvolveu a idéia de dividir o céu em sete regiões diferentes, mas havia muita fantasia e nenhum registro bíblico nos ficou ·. O maior escritor judeu contemporâneo, Prêmio Nobel de Literatura, é Isaac Bashevis Singer. Suas obras, mesmo sendo ficção, revelam muito do mundo religioso dos hebreus. Em Shosha, seu romance favorito, há esta observação feita por um de seus personagens: “Posso facilmente visualizar o Todo-Poderoso sentado no Trono da Glória no sétimo céu, Metraton à Sua direita, Sandafon à Sua esquerda…” [8]. Não estou conferindo a uma obra de ficção o caráter de obra teológica, mas reconhecendo que Singer, em seus escritos, expressa a crença popular dos hebreus, na sua religiosidade popular.
Temos um possível resquício desta idéia de sete céus na palavra de Paulo, em Efésios 4.10, ao dizer que Jesus subiu acima de todos os céus, e de uma palavra sua ao dizer que foi arrebatado ao terceiro céu (2Co 12.1-4). Mas pouco aproveita para nosso raciocínio neste contexto.
O estado do salvo no hades/sheol/além é um estado de consciência e fixo (no sentido de que o destino final da pessoa é definido aqui, como lemos em Hebreus 12.7), definitivo (no sentido de que não se alterará) e um estado incompleto. Incompleto porque seremos revestidos do corpo celestial (2Co 5.2-4). Paulo desejava a ressurreição (Fp 3.10-11). O estado desincorporado é incompleto no sentido de que o homem, em sua inteireza, não foi devolvido ao estado original. Falta-lhe o corpo. Que ele receberá de volta, mas agora, glorificado.
Por isso, o cristão não teme nem lastima a morte. Para quem crê em Jesus, ela “simplesmente fornece a entrada para a nova ordem de vida incorruptível que Cristo agora tem, assegurando-a por nós na sua morte e ressurreição literais (1Co 15.49-50)”[9] . É bom lembrar as palavras de Jesus, em João 20.25-26. Elas foram dirigidas a uma enlutada, que perdera um parente. Jesus a consolou dizendo que Lázaro, seu irmão que falecera, viveria para sempre. Nós cremos nisto, que um crente quando parte vai viver com Jesus para sempre?
5. O LUGAR DO PERDIDO NO SHEOL/HADES/ALÉM
Há, também, um lugar de perdição, como lemos em Lucas 16.23-25. Algumas vezes é chamado de “inferno” (tradução de hades, como em Lucas 10.15). Outros nomes que este lugar recebe:
(1) “Abadom” (“destruição”), em Jó 26.6, onde é diferenciado do sheol e em Apocalipse 9.11 é o nome do anjo Apoliom, em grego;
(2) “Abismo” (a morada de demônios, em Lucas 8.31 e Apocalipse 9.11);
(3) “Geena” (inferno de fogo, em Mateus 18.9). Este último vem de Gê-Hinnom, vale de Hinom, onde se ofereciam crianças a Moloque, como lemos em 2Crônicas 28.3 e 33.6. Depois, este lugar se tornou um crematório. Animais mortos e lixo eram ali queimados. Tornou-se um símbolo de julgamento, como lemos em Jeremias 7.31-32. Em 2Pedro 2.4, o “inferno” em que os anjos foram lançados é o “Tártaro”, que no pensamento grego era o lugar mais baixo para os perdidos. Outro nome dado é “castigo eterno” (Mt 25.46). A situação do perdido é esta: ele vive agora sob o domínio do Maligno (2Co 4.4 e 1Jo 5.19). E viverá com ele na eternidade: Mateus 25.41.
O perdido está separado eternamente de Deus. Vemos isto em Lucas 16.23. Há um “grande abismo” separando o perdido do lugar onde Deus se encontra e há uma impossibilidade de se passar de um lado para outro. Este estado do perdido é de consciência, também. Não é um estado de sono ou de aniquilação. O episódio do rico perdido nos ensina isto. O texto de 2Pedro 2.9 permite entender que os injustos, reservados para o dia do juízo, já estão sendo castigados.
6. A RESSURREIÇÃO DO CORPO
A idéia de ressurreição corporal não é uma novidade neotestamentária. No texto citado de Daniel 12.2-3 se vê que o conceito já estava presente, mesmo que não muito elaborado, no judaísmo posterior. O autor de Hebreus declara que Abraão, quando decidiu que deveria oferecer Isaque em sacrifício, esperava por sua ressurreição (Hb 11.19). Pode-se alegar que esta é a exegese do autor de Hebreus e não, necessariamente, o pensamento de Abraão. Em resposta pode-se dizer que o autor é profundo conhecedor do Antigo Testamento e, que se não está autorizado a falar por Abraão, por certo sabia o que dizia.
É o Novo Testamento que ensina claramente a ressurreição do corpo. Pensemos nestas palavras de Erb, comentando o pensamento de Kantonen em The christian hope:
A questão da vida depois da morte tem sido argumentada como uma questão de demonstrar a imortalidade, a capacidade da alma para resistir à morte. O corpo tem recebido pouca importância [...] Mas o credo cristão não diz “creio na imortalidade da alma”. Diz “creio na ressurreição do corpo”. O corpo não é a antítese da alma [...] É difícil conceber um contraste mais completo que o entre Platão e Paulo a respeito deste ponto. O Novo Testamento reconhece o corpo e a alma como dois aspectos diferentes, mas não antitéticos da existência humana [...] A alma não é uma parte separada do homem com substância própria. [10]
Isto é o fundamental: a razão da esperança cristã não é a sobrevivência da alma, mas sim a questão da ressurreição do corpo. O homem não é uma alma aprisionada num corpo, como pensava Platão. O homem é uma unidade, como ensina a Bíblia e como o ensino paulino sobre a ressurreição deixa claro. Na seqüência de seu argumento, Erb começa citando Niles em Preaching the gospel of the ressurrection, e segue depois com suas observações:
O homem não é uma alma imortal em um corpo mortal. O homem é corpo e alma – uma pessoa completa – em uma imortal relação com Deus. A morte quebra, então, uma unidade e uma integridade que devem ser restauradas com a ressurreição do corpo. O cristão não quer desfazer-se do seu corpo como se fosse algo mal. Quer tê-lo redimido e glorificado pelo mesmo poder que produziu o corpo de Cristo após a ressurreição. Como Paulo, quer que o poder da ressurreição, que agora atua por ele por meio do Espírito de Cristo, continue e complete o processo de última e final salvação: corpo e alma, o homem completo à imagem de Cristo [11]
A ressurreição é a devolução do homem ao seu estado antes do pecado. É a vida ideal, antes da entrada do pecado no mundo e, assim, antes da entrada da morte no mundo.
CONCLUSÃO
Voltemos à Declaração Doutrinária da CBB. Eis todo o item XVI, sobre “A morte”.
Todos os homens são marcados pela finitude, de vez, que em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos (1). A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoais após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus enquanto estão neste mundo (2). Com a morte está definido o destino eterno de cada homem (3). Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor” (4). Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus (5). Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como e negação da eficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.
(1) Romanos 5.12, 6.1; 1Coríntios 15.21, 26, Hebreus 9.27; Tiago 4.14
(2) Lucas 16.19-31 e Hebreus 9.27
(3) Lucas 16.19-31; 23.39-46, Hebreus 9.27
(4) Romanos 5.6-11 e 14.7-9; 1Coríntios 15.18-20; 2Coríntios 5.14-15; Filipenses 1.21-23; 1Tessalonicenses 4.13-17, 5.10; 2Timóteo 2.11; 1Pedro 3.18; Apocalipse 14.13
(5) Lucas 16.19-31; João 5.28-29
(6) Êxodo 22.18; Levítico 19.31, 20.6, 27; Deuteronômio 18.10; 1Crônicas 10.13; Isaías 8.19 e 38.18; João 3.18 e 3.36 e Hebreus 3.13.
Estudando-se as passagens mencionadas e refletindo com o coração aberto, podemos render graças a Deus por Jesus Cristo. Por causa de Jesus temos esperança. Como disse um teólogo escocês: “Se vivo agora, Cristo está comigo; se morro, estarei com ele. Que bênção inaudita!”. Isto é o mais importante. Não nos esqueçamos disto.
--------------------------------------------------------------------------------
[1] AUBERT, Jean-Marie. E depois…vida ou nada? S. Paulo: Paulus, 1995, p. 11.
[2] GAARDER, Jostein. Vita Brevis. S. Paulo: Cia. das Letras, 1998, p. 143
[3] SUMMERS, Ray. A Vida no Além. Juerp: Rio de Janeiro, 1971, p. 19.
[4] Ib. ibidem, p. 31.
[5] BRYANT, Thurmon. “O Corpo Celestial”. Revista TEOLÓGICA, da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, ano 1, número 1, janeiro de 1966, p. 4.
[6] KELLEY, Page. Mensagens do Antigo Testamento Para Nossos Dias. Rio de Janeiro: JUERP, 1980, p. 90.
[7] SUMMERS, op. cit. p, 32
[8] SINGER, Isaac Bashevis. Shosha. S. Paulo: Francis, 2005, p.158.
[9] SHEDD, Russel: “Diversos sentidos de ‘morte’ nas epístolas de Paulo”. Revista TEOLÓGICA, da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, ano 1, número 1, janeiro de 1966, p. 20.
[10] ERB, Paul. El Alfa y la Omega. Buenos Aires: Editorial La Aurora, 1968, p. 135.
[11] Ib. ibidem, p. 136.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 31 DE MARÇO DE 1964
(Ordem do dia proferida pelo comandante interino da 3a. Bda de Cavalaria Mecanizada (RS)
Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada !
Há 46 anos atrás, o presidente da República, João Goulart, era deposto.
Uns chamam esse acontecimento de golpe militar, outros, de tomada do poder. Para nós, brasileiros, ocorreu a Revolução Democrática de 1964, que afastou nosso querido país de uma ditadura comunista, cruel e sanguinária, que só os irresponsáveis, por opção ou por descuido, não querem enxergar.
A grande maioria de vocês, principalmente os mais jovens, foram cansativamente expostos à idéia transmitida pela propaganda política, inserida nas salas de aula, nos ditos livros didáticos, nos jornais, programas de rádio e de TV, que os militares tomaram o poder dos civis para impedir que reformas moralizantes fossem feitas; que para combater os "generais que usurparam o poder" os jovens da época uniram-se e lutaram contra a ditadura militar e que muitos deles morreram, foram mutilados, presos e torturados na luta pela redemocratização do país; que jovens estudantes, idealistas, embrenharam-se nas matas do Araguaia para lutar contra a ditadura.
Mas qual é a verdade sobre o Movimento de 31 de março ?
Para responder a esta pergunta, basta tão simplesmente voltarmos nossas vistas para aquela conturbada época da vida nacional. O país vivia no caos. Greves políticas paralisavam os transportes, as escolas, os bancos etc. Filas eram feitas para comprar alimentos. A indisciplina nas Forças Armadas era incentivada pelo governo. João Goulart queria implantar suas reformas de base à revelia do Congresso Nacional. Os principais jornais da época exigiam a saída do presidente, em nome da manutenção da democracia. Pediam para que os militares entrassem em ação, a fim de evitar que o Brasil se tornasse mais uma país dominado pelos comunistas. O povo foi às ruas pedindo o fim daquele desgoverno, antes que fosse tarde demais.
E, assim, aconteceu o 31 de março! Naqueles dias seguintes, editoriais e mais editoriais exaltando a atitude patriótica dos militares eram publicados, nos mesmos jornais que, hoje, caluniam a Revolução...Os comunistas que pleiteavam a tomada do poder não desanimaram e passaram a insuflar os jovens, para que entrassem numa luta contra seus irmãos, pensando que estariam lutando contra a ditadura. E mentiram tão bem que muitos acreditam nisso até hoje.
E foi com essa propaganda mentirosa que eles iludiram muitos jovens e os cooptaram para as suas organizações terroristas. A luta armada havia começado. Foram vários atos terroristas: atentados a bomba no aeroporto de Recife, em quartéis do Exército, em instalações diplomáticas de outros países; seqüestros e assassinatos de civis, militares e autoridades estrangeiras em solo brasileiro. A violência revolucionária havia se instalado. Naquela época, os terroristas introduziram no Brasil a maneira de roubar dinheiro com assaltos a bancos, a carros fortes e a estabelecimentos comerciais.
Foram eles os mestres que ensinaram tais táticas aos bandidos de hoje. Tudo treinado nos cursos de guerrilha em Cuba e na China. As polícias civil e militar sofriam pesadas baixas e não conseguiam, sozinhas, impor a lei e a ordem. Para não perder o controle da situação, o governo decretou medidas de exceção, pelas quais várias liberdades individuais foram suspensas. Foi um ato arbitrário, mas necessário.
A frágil democracia que vivíamos não se podia deixar destruir. Graças ao Bom Deus e Senhor dos Exércitos, vencemos a besta-fera! Os senhores sabiam disso? Com quantas inverdades fizeram "a cabeça de vocês"! Foi a maneira que os comunistas encontraram para tentar justificar a sua luta para implantar um regime do modelo soviético, cubano ou chinês no Brasil. Por intermédio da mentira, eles deturparam a História e conseguiram o seu intento. Alguns de vocês que não nasceram naquela época, chegam mesmo a acreditar no que eles dizem... E por que essas mentiras são repetidas até hoje? Por que passado quase meio século, ainda continuam a nos caluniar? Qual será o motivo desse medo e dessa inveja?
Esta resposta também é simples: é porque eles sabem que nós, militares, não nos deixamos abater pelas acusações contra as Forças Armadas, porque, na verdade, apenas cumprimos o dever, atendendo ao apelo popular para impedir a transformação do Brasil em uma ditadura comunista, perigo esse que já anda ao derredor do nosso Brasil, só que com outra maquiagem. É porque eles sabem que nós, militares, levamos uma vida austera e cultivamos valores completamente apartados dos prazeres contidos nas grandes grifes, nas mansões de luxo ou nas contas bancárias no exterior, pois temos consciência de que é mais importante viver dignamente com o próprio salário do que realizar orgias com o dinheiro público.
É porque eles sabem que nós, militares, temos como norma a grandeza do patriotismo e o respeito sincero aos símbolos nacionais, principalmente a nossa bandeira, invicta nos campos de batalha, e o nosso hino, jamais imaginando acrescentar-lhes cores ideológico-partidárias ou adulterar-lhes a forma e o conteúdo. É porque eles sabem que nós, militares, temos orgulho dos heróis nacionais que, com a própria vida, mantiveram íntegra e respeitada a terra brasileira e que esses heróis não foram fabricados a partir de interesses ideológicos. É porque eles sabem que se alguma corrupção existiu nos governos militares, ela foi pontual e episódica, mas jamais uma estratégia política para a manutenção do poder ou o reflexo de um desvio de caráter a contaminar por inteiro um ideal. É porque eles sabem que nós, militares, somos disciplinados e respeitamos a hierarquia, ainda que tenhamos divergências com nossos chefes, pois entendemos que eles são responsáveis e dignos de nossa confiança e que não se movem por motivos torpes ou por razões mesquinhas. É porque eles sabem que nós, militares, não nos dobramos à mesquinha ação da distorção de fatos que há mais de 40 anos os maus brasileiros vem impondo à sociedade, com a clara intenção de impor-lhe a idéia de que os guerrilheiros de ontem (hoje corruptos e ladrões do dinheiro público) lutaram pela democracia, quando agora já está mais do que evidente que o desejo por eles perseguido há anos, 'sempre foi - e continua sendo` o de implantar no país um regime totalitário, uma ditadura mil vezes pior do que aquela que eles afirmam ter combatido. É porque eles sabem, enfim, que todo o mal que se atribui a nós, militares, e às Forças Armadas - por maiores que sejam os nossos defeitos e limitações - não tem respaldo na Verdade histórica que um dia há de aflorar.
Soldados da Brigada Patrício Corrêa da Câmara! Pertencemos ao Exército Brasileiro, brasileiro igual a todos nós e com muito orgulho no coração. Exército invicto nos campos de batalha, onde derrotamos comunistas, nazi-fascistas, baderneiros, guerrilheiros, sabotadores, traidores da Pátria, conspiradores, predadores do patrimônio público, bandidos e terroristas. Mas retornemos agora nossas vistas para o presente... O momento é decisivo para o Brasil, e por conseguinte, para todos nós, brasileiros.
Mas será que estamos realmente conscientes disso? Parece que não! O País vive em um clima de oba-oba, tipo "deixa a vida me levar, vida leva eu"... O dinheiro público é distribuído em alguns tipos de bolsas, umas de indisfarçável cunho ideológico revanchista e, outras, voltadas ao assistencialismo, nunca na história desse País visto em tão larga escala... A mídia satura a grande massa, "coincidentemente" o grande colégio eleitoral, com programas televisivos de baixíssima qualidade cultural, de cunho nitidamente apelativo, fabricando falsos heróis, que corroem os valores cristãos do nosso povo... como que distraindo-o, a fim de impedi-lo de enxergar o que anda acontecendo por aqui e ao nosso redor: situações idênticas ocorridas no Brasil e em outros países são tratadas de formas diferenciadas, conforme a simpatia ideológica; a palavra empenhada, as posições firmadas e documentos estratégicos são trocados ou modificados conforme a intensidade da reação da opinião pública, tornando transparente a falta de seriedade no trato dos destinos do Brasil, ou pior, revelando as verdadeiras intenções, ocultas e hediondas. Se não bastasse, serviçais de plantão vem à mídia tentar explicar o inexplicável, isso quando não jogam a culpa na opinião pública, dizendo que foi ela quem entendeu de forma errada ou procuram fazer-se de vítimas face à suposta campanha difamatória, quando na verdade os fatos estão aí, as claras? No entanto, parece que as pessoas encontram-se anestesiadas, apenas "vivendo a vida", discutindo qual a melhor cerveja, ou quem deve ser eliminado da casa, se tal jogador deve ser convocado...
O que vemos hoje já era utilizado nos tempos do antigo Império Romano, a estratégia do "pão e circo: dê ao povo comida e diversão de graça e ele esquecerá seus problemas...". Porém, ao longo da História da civilização, diversas personalidades já apontavam para os perigos desses momentos de desesperança, destacamos:
Martin Luther King - "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons..." ;
Burke - "Para o mal triunfar, basta os homens de bem não fazerem nada..." ;
Mario Quintana - "O que mata um jardim não é o abandono! O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem passa indiferente por ele" ; e
Rui Barbosa - "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto" .
Não! Não deixaremos que os inimigos da Pátria venham manchar sua honra ou deturpar seus valores cristãos. Não envergonharemos nossos antecessores, os quais nos legaram esse Brasil-Continente, livre e soberano! Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, estaremos sempre atentos e, se o Bom Deus e Senhor dos Exércitos assim o desejar, cumpriremos nossa sagrada missão de defender a Pátria. Que seja isso, ou que o sol, sem eflúvio, sem luz e sem calor, nos encontre no chão a morrer do que vivo sem te defender...
Mário Luiz de Oliveira - Cel de Infantaria, Cmt Interino da 3ª Bda CMEC
Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada !
Há 46 anos atrás, o presidente da República, João Goulart, era deposto.
Uns chamam esse acontecimento de golpe militar, outros, de tomada do poder. Para nós, brasileiros, ocorreu a Revolução Democrática de 1964, que afastou nosso querido país de uma ditadura comunista, cruel e sanguinária, que só os irresponsáveis, por opção ou por descuido, não querem enxergar.
A grande maioria de vocês, principalmente os mais jovens, foram cansativamente expostos à idéia transmitida pela propaganda política, inserida nas salas de aula, nos ditos livros didáticos, nos jornais, programas de rádio e de TV, que os militares tomaram o poder dos civis para impedir que reformas moralizantes fossem feitas; que para combater os "generais que usurparam o poder" os jovens da época uniram-se e lutaram contra a ditadura militar e que muitos deles morreram, foram mutilados, presos e torturados na luta pela redemocratização do país; que jovens estudantes, idealistas, embrenharam-se nas matas do Araguaia para lutar contra a ditadura.
Mas qual é a verdade sobre o Movimento de 31 de março ?
Para responder a esta pergunta, basta tão simplesmente voltarmos nossas vistas para aquela conturbada época da vida nacional. O país vivia no caos. Greves políticas paralisavam os transportes, as escolas, os bancos etc. Filas eram feitas para comprar alimentos. A indisciplina nas Forças Armadas era incentivada pelo governo. João Goulart queria implantar suas reformas de base à revelia do Congresso Nacional. Os principais jornais da época exigiam a saída do presidente, em nome da manutenção da democracia. Pediam para que os militares entrassem em ação, a fim de evitar que o Brasil se tornasse mais uma país dominado pelos comunistas. O povo foi às ruas pedindo o fim daquele desgoverno, antes que fosse tarde demais.
E, assim, aconteceu o 31 de março! Naqueles dias seguintes, editoriais e mais editoriais exaltando a atitude patriótica dos militares eram publicados, nos mesmos jornais que, hoje, caluniam a Revolução...Os comunistas que pleiteavam a tomada do poder não desanimaram e passaram a insuflar os jovens, para que entrassem numa luta contra seus irmãos, pensando que estariam lutando contra a ditadura. E mentiram tão bem que muitos acreditam nisso até hoje.
E foi com essa propaganda mentirosa que eles iludiram muitos jovens e os cooptaram para as suas organizações terroristas. A luta armada havia começado. Foram vários atos terroristas: atentados a bomba no aeroporto de Recife, em quartéis do Exército, em instalações diplomáticas de outros países; seqüestros e assassinatos de civis, militares e autoridades estrangeiras em solo brasileiro. A violência revolucionária havia se instalado. Naquela época, os terroristas introduziram no Brasil a maneira de roubar dinheiro com assaltos a bancos, a carros fortes e a estabelecimentos comerciais.
Foram eles os mestres que ensinaram tais táticas aos bandidos de hoje. Tudo treinado nos cursos de guerrilha em Cuba e na China. As polícias civil e militar sofriam pesadas baixas e não conseguiam, sozinhas, impor a lei e a ordem. Para não perder o controle da situação, o governo decretou medidas de exceção, pelas quais várias liberdades individuais foram suspensas. Foi um ato arbitrário, mas necessário.
A frágil democracia que vivíamos não se podia deixar destruir. Graças ao Bom Deus e Senhor dos Exércitos, vencemos a besta-fera! Os senhores sabiam disso? Com quantas inverdades fizeram "a cabeça de vocês"! Foi a maneira que os comunistas encontraram para tentar justificar a sua luta para implantar um regime do modelo soviético, cubano ou chinês no Brasil. Por intermédio da mentira, eles deturparam a História e conseguiram o seu intento. Alguns de vocês que não nasceram naquela época, chegam mesmo a acreditar no que eles dizem... E por que essas mentiras são repetidas até hoje? Por que passado quase meio século, ainda continuam a nos caluniar? Qual será o motivo desse medo e dessa inveja?
Esta resposta também é simples: é porque eles sabem que nós, militares, não nos deixamos abater pelas acusações contra as Forças Armadas, porque, na verdade, apenas cumprimos o dever, atendendo ao apelo popular para impedir a transformação do Brasil em uma ditadura comunista, perigo esse que já anda ao derredor do nosso Brasil, só que com outra maquiagem. É porque eles sabem que nós, militares, levamos uma vida austera e cultivamos valores completamente apartados dos prazeres contidos nas grandes grifes, nas mansões de luxo ou nas contas bancárias no exterior, pois temos consciência de que é mais importante viver dignamente com o próprio salário do que realizar orgias com o dinheiro público.
É porque eles sabem que nós, militares, temos como norma a grandeza do patriotismo e o respeito sincero aos símbolos nacionais, principalmente a nossa bandeira, invicta nos campos de batalha, e o nosso hino, jamais imaginando acrescentar-lhes cores ideológico-partidárias ou adulterar-lhes a forma e o conteúdo. É porque eles sabem que nós, militares, temos orgulho dos heróis nacionais que, com a própria vida, mantiveram íntegra e respeitada a terra brasileira e que esses heróis não foram fabricados a partir de interesses ideológicos. É porque eles sabem que se alguma corrupção existiu nos governos militares, ela foi pontual e episódica, mas jamais uma estratégia política para a manutenção do poder ou o reflexo de um desvio de caráter a contaminar por inteiro um ideal. É porque eles sabem que nós, militares, somos disciplinados e respeitamos a hierarquia, ainda que tenhamos divergências com nossos chefes, pois entendemos que eles são responsáveis e dignos de nossa confiança e que não se movem por motivos torpes ou por razões mesquinhas. É porque eles sabem que nós, militares, não nos dobramos à mesquinha ação da distorção de fatos que há mais de 40 anos os maus brasileiros vem impondo à sociedade, com a clara intenção de impor-lhe a idéia de que os guerrilheiros de ontem (hoje corruptos e ladrões do dinheiro público) lutaram pela democracia, quando agora já está mais do que evidente que o desejo por eles perseguido há anos, 'sempre foi - e continua sendo` o de implantar no país um regime totalitário, uma ditadura mil vezes pior do que aquela que eles afirmam ter combatido. É porque eles sabem, enfim, que todo o mal que se atribui a nós, militares, e às Forças Armadas - por maiores que sejam os nossos defeitos e limitações - não tem respaldo na Verdade histórica que um dia há de aflorar.
Soldados da Brigada Patrício Corrêa da Câmara! Pertencemos ao Exército Brasileiro, brasileiro igual a todos nós e com muito orgulho no coração. Exército invicto nos campos de batalha, onde derrotamos comunistas, nazi-fascistas, baderneiros, guerrilheiros, sabotadores, traidores da Pátria, conspiradores, predadores do patrimônio público, bandidos e terroristas. Mas retornemos agora nossas vistas para o presente... O momento é decisivo para o Brasil, e por conseguinte, para todos nós, brasileiros.
Mas será que estamos realmente conscientes disso? Parece que não! O País vive em um clima de oba-oba, tipo "deixa a vida me levar, vida leva eu"... O dinheiro público é distribuído em alguns tipos de bolsas, umas de indisfarçável cunho ideológico revanchista e, outras, voltadas ao assistencialismo, nunca na história desse País visto em tão larga escala... A mídia satura a grande massa, "coincidentemente" o grande colégio eleitoral, com programas televisivos de baixíssima qualidade cultural, de cunho nitidamente apelativo, fabricando falsos heróis, que corroem os valores cristãos do nosso povo... como que distraindo-o, a fim de impedi-lo de enxergar o que anda acontecendo por aqui e ao nosso redor: situações idênticas ocorridas no Brasil e em outros países são tratadas de formas diferenciadas, conforme a simpatia ideológica; a palavra empenhada, as posições firmadas e documentos estratégicos são trocados ou modificados conforme a intensidade da reação da opinião pública, tornando transparente a falta de seriedade no trato dos destinos do Brasil, ou pior, revelando as verdadeiras intenções, ocultas e hediondas. Se não bastasse, serviçais de plantão vem à mídia tentar explicar o inexplicável, isso quando não jogam a culpa na opinião pública, dizendo que foi ela quem entendeu de forma errada ou procuram fazer-se de vítimas face à suposta campanha difamatória, quando na verdade os fatos estão aí, as claras? No entanto, parece que as pessoas encontram-se anestesiadas, apenas "vivendo a vida", discutindo qual a melhor cerveja, ou quem deve ser eliminado da casa, se tal jogador deve ser convocado...
O que vemos hoje já era utilizado nos tempos do antigo Império Romano, a estratégia do "pão e circo: dê ao povo comida e diversão de graça e ele esquecerá seus problemas...". Porém, ao longo da História da civilização, diversas personalidades já apontavam para os perigos desses momentos de desesperança, destacamos:
Martin Luther King - "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons..." ;
Burke - "Para o mal triunfar, basta os homens de bem não fazerem nada..." ;
Mario Quintana - "O que mata um jardim não é o abandono! O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem passa indiferente por ele" ; e
Rui Barbosa - "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto" .
Não! Não deixaremos que os inimigos da Pátria venham manchar sua honra ou deturpar seus valores cristãos. Não envergonharemos nossos antecessores, os quais nos legaram esse Brasil-Continente, livre e soberano! Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, estaremos sempre atentos e, se o Bom Deus e Senhor dos Exércitos assim o desejar, cumpriremos nossa sagrada missão de defender a Pátria. Que seja isso, ou que o sol, sem eflúvio, sem luz e sem calor, nos encontre no chão a morrer do que vivo sem te defender...
Mário Luiz de Oliveira - Cel de Infantaria, Cmt Interino da 3ª Bda CMEC
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Sou batista, tenho uma identidade
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Vamos tratar da identidade batista. Mas surge uma questão: “que batista?”. O que este nome nos sugere? Conheci no Amazonas os “Batistas da Fé”. Gente séria, muito trabalhadora, até mesmo bem preparada teologicamente, mas que não admitia liderança feminina nem mesmo estimulava que mulheres orassem em público. Os batistas canadenses tem práticas diferentes das nossas. A recomendação ao Seminário é feita pela Convenção e não pela igreja local. E é a Convenção que consagra ao ministério, também. Em Cuba, as mulheres pastoras são uma realidade há mais de 20 anos. Alguns batistas chineses, até mesmo por sua cultura centrada nos anciãos, são de tendência presbiteriana, sendo a congregação local chamada apenas para decidir casos especiais. Temos vários grupos batistas, cada um com particularidades que não pertencem a outros, e alguns deles, muitas vezes, não considerando os outros como batistas por causas destas particularidades. Por causa do varejo, rejeitam o atacado.
Leia Mais
Vamos tratar da identidade batista. Mas surge uma questão: “que batista?”. O que este nome nos sugere? Conheci no Amazonas os “Batistas da Fé”. Gente séria, muito trabalhadora, até mesmo bem preparada teologicamente, mas que não admitia liderança feminina nem mesmo estimulava que mulheres orassem em público. Os batistas canadenses tem práticas diferentes das nossas. A recomendação ao Seminário é feita pela Convenção e não pela igreja local. E é a Convenção que consagra ao ministério, também. Em Cuba, as mulheres pastoras são uma realidade há mais de 20 anos. Alguns batistas chineses, até mesmo por sua cultura centrada nos anciãos, são de tendência presbiteriana, sendo a congregação local chamada apenas para decidir casos especiais. Temos vários grupos batistas, cada um com particularidades que não pertencem a outros, e alguns deles, muitas vezes, não considerando os outros como batistas por causas destas particularidades. Por causa do varejo, rejeitam o atacado.
Leia Mais
Leão amansado pela Fifa
A Federação Internacional de Futebol (Fifa), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além das confederações asiática, africana, europeia, sul-americana e da América do Norte, Central e Caribe poderão se habilitar junto ao Fisco para ter direito a isenções de tributos como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Cofins-importação, Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Ficam isentos do IR os rendimentos pagos pela Fifa ou pelas empresas habilitadas a pessoas físicas não residentes no Brasil que estiverem envolvidas na realização dos eventos.
Válidos apenas para a realização de eventos como partidas de futebol, sessões de treino, atividades culturais, seminários, reuniões e cerimônias de abertura e encerramento das Copas das Confederações de 2013 e Copa do Mundo de 2014, os incentivos foram regulamentados pelo decreto 7.578, publicado no Diário Oficial da União de ontem.
(Transcrito do Blog Alerta Total desta sexta-feira (14).
Ficam isentos do IR os rendimentos pagos pela Fifa ou pelas empresas habilitadas a pessoas físicas não residentes no Brasil que estiverem envolvidas na realização dos eventos.
Válidos apenas para a realização de eventos como partidas de futebol, sessões de treino, atividades culturais, seminários, reuniões e cerimônias de abertura e encerramento das Copas das Confederações de 2013 e Copa do Mundo de 2014, os incentivos foram regulamentados pelo decreto 7.578, publicado no Diário Oficial da União de ontem.
(Transcrito do Blog Alerta Total desta sexta-feira (14).
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
Por: Ricardo Vélez Rodrígues
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
(*) Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora; e-mail: rive2011@gmail.com - O Estado de S.Paulo
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
(*) Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora; e-mail: rive2011@gmail.com - O Estado de S.Paulo
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Tomada de posição
Parece que o povo está acordando. O clima lembra o período que antecedeu a revolução francesa. O terceiro estado clama por justiça.

Um milhão de pessoas na Avenida Paulista (ainda sem data marcada).
Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra o mau político, e contra a degradação da nação está começando. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm acontecido, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar a comida dos próprios filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer tudo o que for preciso, para mudar o rumo deste abuso.
Todos os ''governantes'' do Brasil até aqui, falam em cortes de despesas - mas não dizem quais despesas - mas, querem o aumento de impostos como se não fôssemos o campeão mundial em impostos.
Nenhum governante fala em:
1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, 14º e 15º salários etc.) dos poderes da República;
2. Redução do número de deputados da Câmara Federal, e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios. Acabar com as mordomias na Câmara, Senado e Ministérios, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo;
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;
4. Acabar com as empresas Municipais, com administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
5. Acabar com o Senado e com as Câmara Estaduais, que só servem aos seus membros e aos seus familiares. O que é que faz mesmo uma Assembleia Legislativa (Câmara Estadual)?
6. E por falar em membros (assim se autodenominam Procuradores e Promotores, Desembargadores e Juizes). Sempre se comentam que a Justiça não anda, e como pode andar, se a grande maioria dos Promotores e Juizes das Comarcas do interior dos Estados residem nas capitais, alguns retornam para suas Comarcas na segunda-feira, então expediente só na terça, e retornam para a capital na quinta, poucos na sexta-feira. Seus auxiliares e acessores só trabalham com eles presentes, então segunda, quintas e sextas, nada de trabalho. De 5 em 5 anos eles tem direito a 90 dias de férias a título de Licença Especial (quinquênio), todo final de ano entram em recesso, são mais 18 ou 20 dias de folga, e as férias propriamente ditas são de 60 dias, acrescidas de 2/3 de abono constitucional, os demais servidores públicos só tem direito a 30 dias, acrescidas de 1/3 constitucional, mais os demais benefícios, todos pagos por nós contribuintes. Nós trabalhadores normais (mortais) só temos direito a 30 dias de férias acrescido de 1/3, pago pelos lucros das empresas em que trabalhamos. Os políticos não ficam atraz, possuem mais mordomias ainda. E os Srs. Membros, quando aprontam alguma e passam a ser investigados, pasmem, são afastados de suas atividades, ficam em casa recebendo seus gordos salários.
7. E as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? E como não são verificados como podem ser auditados?
8. Redução drástica das Câmaras Municipais e das Assembléias Legislativas Estaduais, se não for possível acabar com elas.
9. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; Aliás, 2 partidos apenas como os EUA e outros países adiantados, seria mais que suficiente.
10. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc.., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;
11. Acabar com os motoristas particulares em regime de 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, as ex-famílias...
12. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;
13. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviços particulares tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir a supermercados, a compras, etc.;
14. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em hotéis cinco estrelas, pagos pelos contribuintes;
15. Controlar o pessoal das Funções Públicas (todos os funcionários pagos por nós que nunca estão no local de trabalho). HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM A MAIOR PARTE DO TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE CONSULTORIAS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES...;
16. Acabar com o excessivo quadro de administradores de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo... pertencentes às oligarquias locais do partido no poder...
17. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios de advocacia que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;
18. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo LEGISLATIVO.
19. Pedir a devolução dos milhões dos empréstimos compulsórios confiscados dos contribuintes, e o pagamento IMEDIATO DOS PRECATÓRIOS judiciais daqueles que efetivamente trabalham;
20. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os ladrões que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiro segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa do dinheiro que deveria servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;
21. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida para proteger seus pares;
22. Impedir os que foram ministros de serem gestores de empresas que tenham sido beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
23. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.
24. Cobrar dos Bancos o imposto devido e determinar que todos atendam nos horários do comércio e da indústria, de modo a atender as necessidades do cidadão.
25. Proibir repasses de verbas para todas e quaisquer ONGs.
26. Fazer uma devassa nas contas do MST e similares, bem como no PT (Partido dos Trambiqueiros) e demais partidos políticos.
27. REVER imediatamente a situação dos Aposentados Federais, Estaduais e Municipais, que precisam muito mais que estes que vivem às custas dos brasileiros trabalhadores e, dos Próprios Aposentados.
28. REVER as indenizações milionárias pagas indevidamente aos "perseguidos políticos" (guerrilheiros).
29.Realizar AUDITORIA sobre o perdão de dívidas que o Brasil concedeu a outros países.
30. Acabar com as mordomias (que são abusivas) da aposentadoria do Presidente da República, após um mandato, nós temos que trabalhar 35 anos e não temos direito a carro, combustível, segurança ,etc.
31. Acabar com o direito do prisioneiro receber mais do que o salário mínimo por filho menor, e, se ele morrer, ainda fica esse beneficio para a família. O prisioneiro deve trabalhar para receber algum benefício, e deveria indenizar a família que ele prejudicou.
“O QUE ME INCOMODA NÃO É O GRITO DOS MAUS, E SIM, O SILÊNCIO DOS BONS” (Martin Luther King)
(Recebido por e-mail)
Um milhão de pessoas na Avenida Paulista (ainda sem data marcada).
Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra o mau político, e contra a degradação da nação está começando. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm acontecido, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar a comida dos próprios filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer tudo o que for preciso, para mudar o rumo deste abuso.
Todos os ''governantes'' do Brasil até aqui, falam em cortes de despesas - mas não dizem quais despesas - mas, querem o aumento de impostos como se não fôssemos o campeão mundial em impostos.
Nenhum governante fala em:
1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, 14º e 15º salários etc.) dos poderes da República;
2. Redução do número de deputados da Câmara Federal, e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios. Acabar com as mordomias na Câmara, Senado e Ministérios, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo;
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;
4. Acabar com as empresas Municipais, com administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
5. Acabar com o Senado e com as Câmara Estaduais, que só servem aos seus membros e aos seus familiares. O que é que faz mesmo uma Assembleia Legislativa (Câmara Estadual)?
6. E por falar em membros (assim se autodenominam Procuradores e Promotores, Desembargadores e Juizes). Sempre se comentam que a Justiça não anda, e como pode andar, se a grande maioria dos Promotores e Juizes das Comarcas do interior dos Estados residem nas capitais, alguns retornam para suas Comarcas na segunda-feira, então expediente só na terça, e retornam para a capital na quinta, poucos na sexta-feira. Seus auxiliares e acessores só trabalham com eles presentes, então segunda, quintas e sextas, nada de trabalho. De 5 em 5 anos eles tem direito a 90 dias de férias a título de Licença Especial (quinquênio), todo final de ano entram em recesso, são mais 18 ou 20 dias de folga, e as férias propriamente ditas são de 60 dias, acrescidas de 2/3 de abono constitucional, os demais servidores públicos só tem direito a 30 dias, acrescidas de 1/3 constitucional, mais os demais benefícios, todos pagos por nós contribuintes. Nós trabalhadores normais (mortais) só temos direito a 30 dias de férias acrescido de 1/3, pago pelos lucros das empresas em que trabalhamos. Os políticos não ficam atraz, possuem mais mordomias ainda. E os Srs. Membros, quando aprontam alguma e passam a ser investigados, pasmem, são afastados de suas atividades, ficam em casa recebendo seus gordos salários.
7. E as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? E como não são verificados como podem ser auditados?
8. Redução drástica das Câmaras Municipais e das Assembléias Legislativas Estaduais, se não for possível acabar com elas.
9. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; Aliás, 2 partidos apenas como os EUA e outros países adiantados, seria mais que suficiente.
10. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc.., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;
11. Acabar com os motoristas particulares em regime de 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, as ex-famílias...
12. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;
13. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviços particulares tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir a supermercados, a compras, etc.;
14. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em hotéis cinco estrelas, pagos pelos contribuintes;
15. Controlar o pessoal das Funções Públicas (todos os funcionários pagos por nós que nunca estão no local de trabalho). HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM A MAIOR PARTE DO TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE CONSULTORIAS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES...;
16. Acabar com o excessivo quadro de administradores de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo... pertencentes às oligarquias locais do partido no poder...
17. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios de advocacia que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;
18. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo LEGISLATIVO.
19. Pedir a devolução dos milhões dos empréstimos compulsórios confiscados dos contribuintes, e o pagamento IMEDIATO DOS PRECATÓRIOS judiciais daqueles que efetivamente trabalham;
20. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os ladrões que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiro segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa do dinheiro que deveria servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;
21. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida para proteger seus pares;
22. Impedir os que foram ministros de serem gestores de empresas que tenham sido beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
23. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.
24. Cobrar dos Bancos o imposto devido e determinar que todos atendam nos horários do comércio e da indústria, de modo a atender as necessidades do cidadão.
25. Proibir repasses de verbas para todas e quaisquer ONGs.
26. Fazer uma devassa nas contas do MST e similares, bem como no PT (Partido dos Trambiqueiros) e demais partidos políticos.
27. REVER imediatamente a situação dos Aposentados Federais, Estaduais e Municipais, que precisam muito mais que estes que vivem às custas dos brasileiros trabalhadores e, dos Próprios Aposentados.
28. REVER as indenizações milionárias pagas indevidamente aos "perseguidos políticos" (guerrilheiros).
29.Realizar AUDITORIA sobre o perdão de dívidas que o Brasil concedeu a outros países.
30. Acabar com as mordomias (que são abusivas) da aposentadoria do Presidente da República, após um mandato, nós temos que trabalhar 35 anos e não temos direito a carro, combustível, segurança ,etc.
31. Acabar com o direito do prisioneiro receber mais do que o salário mínimo por filho menor, e, se ele morrer, ainda fica esse beneficio para a família. O prisioneiro deve trabalhar para receber algum benefício, e deveria indenizar a família que ele prejudicou.
“O QUE ME INCOMODA NÃO É O GRITO DOS MAUS, E SIM, O SILÊNCIO DOS BONS” (Martin Luther King)
(Recebido por e-mail)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Carro nacional uma nova proteção
Chupado do blog do Fernando Gabeira
Ainda preciso estudar um pouco mais o tema para opinar sobre o aumento de IPI para carros importados. É o tema econômico do momento no Brasil.
Se entro nele ainda com muito cuidado é porque conheci uma experiência diferente da brasileira. No Chile não se fabricam carros. E os carros lá custam a metade dos preços dos carros vendidos no Brasil.
A curiosidade começou ao perceber o pequeno número de motocicletas nas ruas de Santiago. Perguntei ao motorista que me conduzia e ele respondeu: os carros são muito baratos, por que comprar motos?
De fato rodávamos num Corolla que ele comprou por US$15 mil, na loja. O motorista me informou que quase todas as marcas estão presentes no Chile.
Nosso modelo é diferente. Desde o meio da década dos 50, passamos a fabricar carros. Surgiu até uma nova classe operária, estimulada pelo crescimento dessa indústria. Mais especializada e com num mercado ainda com pouca qualificação, ela passou a desempenhar também um importante papel político.
As primeiras grandes greves ainda nos anos 60 foram em Osasco e Contagem, envolvendo os metalúrgicos.
A industria do carro produziu muita riqueza no Brasil. Daí a necessidade mantê-la e protegê-la. A proteção foi contestada por Fernando Collor, ao afirmar que o carro brasileiro parecia uma carroça.
De fato, havia uma distância tecnológica grande entre o carro brasileiro e o importado. Isso foi bom para impulsionar a modernização da indústria brasileira.
O caminho de estimular a competição é o melhor para o consumidor. No extremo, está a experiência do Chile, onde os carros são realmente mais baratos.
Mas também vi em Cuba e agora na Venezuela experiências diferentes. Na primeira, os carros são da década dos 50. Na segunda, há muitos carros velhos , com alto consumo de gasolina, porque o preço é subisidiado.
O caminho ideal é estimular a competição para que a indústria cresça e os consumidores paguem menos por melhores produtos.
Proteger a indústria nacional , forçando o consumo de seus produtos, costuma desenvolver uma apatia tecnológica, um ritmo de empresa estatal, que pode ser muito perigoso quando a competição plena for reaberta.
A venda de carros que não têm montadores no Brasil significa 7% por do total. E muitas, quando começam a vender em maior quantidade, acabam se instalando no Brasil.
O Chile é o paraíso do consumidor, o Brasil o das montadoras. Temos que encontrar o caminho do meio.
Ainda preciso estudar um pouco mais o tema para opinar sobre o aumento de IPI para carros importados. É o tema econômico do momento no Brasil.
Se entro nele ainda com muito cuidado é porque conheci uma experiência diferente da brasileira. No Chile não se fabricam carros. E os carros lá custam a metade dos preços dos carros vendidos no Brasil.
A curiosidade começou ao perceber o pequeno número de motocicletas nas ruas de Santiago. Perguntei ao motorista que me conduzia e ele respondeu: os carros são muito baratos, por que comprar motos?
De fato rodávamos num Corolla que ele comprou por US$15 mil, na loja. O motorista me informou que quase todas as marcas estão presentes no Chile.
Nosso modelo é diferente. Desde o meio da década dos 50, passamos a fabricar carros. Surgiu até uma nova classe operária, estimulada pelo crescimento dessa indústria. Mais especializada e com num mercado ainda com pouca qualificação, ela passou a desempenhar também um importante papel político.
As primeiras grandes greves ainda nos anos 60 foram em Osasco e Contagem, envolvendo os metalúrgicos.
A industria do carro produziu muita riqueza no Brasil. Daí a necessidade mantê-la e protegê-la. A proteção foi contestada por Fernando Collor, ao afirmar que o carro brasileiro parecia uma carroça.
De fato, havia uma distância tecnológica grande entre o carro brasileiro e o importado. Isso foi bom para impulsionar a modernização da indústria brasileira.
O caminho de estimular a competição é o melhor para o consumidor. No extremo, está a experiência do Chile, onde os carros são realmente mais baratos.
Mas também vi em Cuba e agora na Venezuela experiências diferentes. Na primeira, os carros são da década dos 50. Na segunda, há muitos carros velhos , com alto consumo de gasolina, porque o preço é subisidiado.
O caminho ideal é estimular a competição para que a indústria cresça e os consumidores paguem menos por melhores produtos.
Proteger a indústria nacional , forçando o consumo de seus produtos, costuma desenvolver uma apatia tecnológica, um ritmo de empresa estatal, que pode ser muito perigoso quando a competição plena for reaberta.
A venda de carros que não têm montadores no Brasil significa 7% por do total. E muitas, quando começam a vender em maior quantidade, acabam se instalando no Brasil.
O Chile é o paraíso do consumidor, o Brasil o das montadoras. Temos que encontrar o caminho do meio.
Justiça rapidíssima
Pelo menos o imortal José Sarney não pode reclamar de lentidão da Justiça no Brasil.
O Superior Tribunal de Justiça estudou em apenas seis dias e resolveu extinguir as provas da Operação Boi Barrica – que investigava o empresário Fernando Sarney, vice-presidente da CBF e bom filho do Presidente do Senado.
A 6ª Turma do STJ julgou o caso voando, em apenas uma sessão, com a ausência de dois ministros titulares.
Velocidade contestada
O relator do processo contra a Operação Boi Barrica, ministro Sebastião Reis Júnior, demorou apenas seis dias para estudar o processo e elaborar um voto de 54 páginas em que julgou serem ilegais as provas obtidas com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados.
Censurado judicialmente pelos Sarney, o Estadão de hoje mete a boca que “o percurso e o desfecho do julgamento provocam hoje desconforto e desconfiança entre ministros do STJ”:
“De maneira inusual, dizem ministros do STJ, o processo foi julgado em apenas uma sessão, sem que houvesse nenhuma dúvida ou discordância entre os três ministros que participaram da sessão”.
(Transcrito do blog Alertatotal)
O Superior Tribunal de Justiça estudou em apenas seis dias e resolveu extinguir as provas da Operação Boi Barrica – que investigava o empresário Fernando Sarney, vice-presidente da CBF e bom filho do Presidente do Senado.
A 6ª Turma do STJ julgou o caso voando, em apenas uma sessão, com a ausência de dois ministros titulares.
Velocidade contestada
O relator do processo contra a Operação Boi Barrica, ministro Sebastião Reis Júnior, demorou apenas seis dias para estudar o processo e elaborar um voto de 54 páginas em que julgou serem ilegais as provas obtidas com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados.
Censurado judicialmente pelos Sarney, o Estadão de hoje mete a boca que “o percurso e o desfecho do julgamento provocam hoje desconforto e desconfiança entre ministros do STJ”:
“De maneira inusual, dizem ministros do STJ, o processo foi julgado em apenas uma sessão, sem que houvesse nenhuma dúvida ou discordância entre os três ministros que participaram da sessão”.
(Transcrito do blog Alertatotal)
Executivo e Judiciário se dobram a Sarney
Blog de João Bosco Rebelo
Os juízes do Superior Tribunal de Justiça devem ter feito a relação custo/benefício antes de tomar a decisão que devolve à estaca zero as investigações da Polícia Federal no caso do empresário Fernando Sarney.
Mas, se a fizeram, foi em caráter individual e político. A instituição só perdeu – e muito- com o desmerecimento das instâncias judiciárias que autorizaram as escutas e da Polícia Federal, ambas postas sob suspeita, no mínimo, de incompetência.
Contribui o STJ para piorar ainda mais a imagem do Poder Judiciário, visto como ineficiente, porque lento; injusto porque discricionário; corporativo, porque recusa controles.
Essa é a imagem hoje do Poder Judiciário. Que pune pobres, mas livra os ricos, que cerceia a ação do seu órgão de controle, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que só vê a própria barriga quando exige aumento de 56% aos servidores dos tribunais superiores.
É nesse contexto que o STJ, ainda na vigência de uma censura vergonhosa e humilhante para o país, imposta pelo Judiciário ao Estadão para atender a Fernando Sarney, simplesmente invalida tudo sobre o que ele se investigou, ainda que sob respaldo do próprio judiciário maranhense.
Se já não havia dúvida de que o Poder Executivo está submetido ao poder político do senador José Sarney (PMDB-AP), agora não há mais dúvida de que o Judiciário também e, por extensão, o País.
A insensibilidade é tal que tira a percepção de que tudo o já revelado pela investigação está consolidado como verdade. Assim, a decisão só é vista como uma forma de atender ao clã familiar. Nada mais.
Os juízes do Superior Tribunal de Justiça devem ter feito a relação custo/benefício antes de tomar a decisão que devolve à estaca zero as investigações da Polícia Federal no caso do empresário Fernando Sarney.
Mas, se a fizeram, foi em caráter individual e político. A instituição só perdeu – e muito- com o desmerecimento das instâncias judiciárias que autorizaram as escutas e da Polícia Federal, ambas postas sob suspeita, no mínimo, de incompetência.
Contribui o STJ para piorar ainda mais a imagem do Poder Judiciário, visto como ineficiente, porque lento; injusto porque discricionário; corporativo, porque recusa controles.
Essa é a imagem hoje do Poder Judiciário. Que pune pobres, mas livra os ricos, que cerceia a ação do seu órgão de controle, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que só vê a própria barriga quando exige aumento de 56% aos servidores dos tribunais superiores.
É nesse contexto que o STJ, ainda na vigência de uma censura vergonhosa e humilhante para o país, imposta pelo Judiciário ao Estadão para atender a Fernando Sarney, simplesmente invalida tudo sobre o que ele se investigou, ainda que sob respaldo do próprio judiciário maranhense.
Se já não havia dúvida de que o Poder Executivo está submetido ao poder político do senador José Sarney (PMDB-AP), agora não há mais dúvida de que o Judiciário também e, por extensão, o País.
A insensibilidade é tal que tira a percepção de que tudo o já revelado pela investigação está consolidado como verdade. Assim, a decisão só é vista como uma forma de atender ao clã familiar. Nada mais.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Brasil: atividade econômica desacelera
O Brasil é o país que mais dá sinais de desaceleração econômica entre as principais economias do planeta, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
De acordo com o relatório mensal da organização, divulgado nesta segunda (12), o indicador que antecipa a atividade econômica nos próximos seis a nove meses ficou menor, em julho, no Brasil do que nos principais países emergentes ou industrializados.
O chamado indicador composto avançado (CLI, na sigla em inglês) tem como base o valor 100, que representa a intensidade da atividade econômica no longo prazo. Após passar pela crise de 2008, o Brasil vinha conseguindo manter um indicador levemente acima da tendência.
Neste ano, porém, o CLI caiu abaixo dos 100 pontos, até chegar a 95 em julho. Em relação ao mês anterior, houve uma queda de 1,7%. "É um indicativo forte de que o Brasil terá uma desaceleração nos próximos seis a nove meses", disse o porta-voz da OCDE, Nadim Ahmad.
"Mas a intensidade dessa desaceleração não é algo que possamos medir por meio do CLI. Não podemos dizer que a desaceleração no Brasil será mais intensa do que em outros países, apenas que temos mais certeza de que ela ocorrerá."
(Transcrito da coluna Cláudio Humberto, de hoje.)
De acordo com o relatório mensal da organização, divulgado nesta segunda (12), o indicador que antecipa a atividade econômica nos próximos seis a nove meses ficou menor, em julho, no Brasil do que nos principais países emergentes ou industrializados.
O chamado indicador composto avançado (CLI, na sigla em inglês) tem como base o valor 100, que representa a intensidade da atividade econômica no longo prazo. Após passar pela crise de 2008, o Brasil vinha conseguindo manter um indicador levemente acima da tendência.
Neste ano, porém, o CLI caiu abaixo dos 100 pontos, até chegar a 95 em julho. Em relação ao mês anterior, houve uma queda de 1,7%. "É um indicativo forte de que o Brasil terá uma desaceleração nos próximos seis a nove meses", disse o porta-voz da OCDE, Nadim Ahmad.
"Mas a intensidade dessa desaceleração não é algo que possamos medir por meio do CLI. Não podemos dizer que a desaceleração no Brasil será mais intensa do que em outros países, apenas que temos mais certeza de que ela ocorrerá."
(Transcrito da coluna Cláudio Humberto, de hoje.)
domingo, 11 de setembro de 2011
Texto mais claro impossível
O texto abaixo faz parte do "Manifesto à Nação", escrito pelo brigadeiro Ivan Frota, da reserva da Força Aérea Brasileira, como reflexão para o Dia da Independência (7). Trata-se de um documento bastante extenso, publicado no Blog do jornalista Jorge Serrão, Alerta Total.
Nesses dias que antecederam o lançamento do meu livro "Histórias de Garimpo", fui "intimado" (quase amarrado) a conceder algumas entrevistas (não é a minha praia, admito), onde me perguntaram a razão dos três livros por mim escritos.
Minhas respostas saíram um tanto ambíguas, pois quase sempre não consegui sintetizar o meu pensamento. O primeiro livro, "Até Quando?", foi o pior de todos. Versou sobre política, especialmente quanto à minha desilusão com o Governo Lula.
Lendo o "Manifesto à Nação", escolhi um pequeno trecho que reúne a essência do meu pensamento ao escrevê-lo. Leia abaixo:
"Pequenos deslizes de natureza política deram lugar a comprovados e, portanto, deploráveis casos de corrupção aos olhos perplexos da Nação que esperava, inversamente, uma mudança drástica de comportamento político, ou seja, a valorização da competência, da responsabilidade, da justiça e da honestidade no trato da coisa pública. A quantidade e a dimensão dos desvios administrativos foram-se agigantando de tal modo, que poucas palavras já não são suficientes para defini-los."
Nesses dias que antecederam o lançamento do meu livro "Histórias de Garimpo", fui "intimado" (quase amarrado) a conceder algumas entrevistas (não é a minha praia, admito), onde me perguntaram a razão dos três livros por mim escritos.
Minhas respostas saíram um tanto ambíguas, pois quase sempre não consegui sintetizar o meu pensamento. O primeiro livro, "Até Quando?", foi o pior de todos. Versou sobre política, especialmente quanto à minha desilusão com o Governo Lula.
Lendo o "Manifesto à Nação", escolhi um pequeno trecho que reúne a essência do meu pensamento ao escrevê-lo. Leia abaixo:
"Pequenos deslizes de natureza política deram lugar a comprovados e, portanto, deploráveis casos de corrupção aos olhos perplexos da Nação que esperava, inversamente, uma mudança drástica de comportamento político, ou seja, a valorização da competência, da responsabilidade, da justiça e da honestidade no trato da coisa pública. A quantidade e a dimensão dos desvios administrativos foram-se agigantando de tal modo, que poucas palavras já não são suficientes para defini-los."
sábado, 10 de setembro de 2011
Governador e ministra se unem para criar agenda positiva em Roraima
O governador de Roraima, José Anchieta, e a ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), se reuniram este mês a fim de preparar uma agenda positiva para o estado.
A parceria pretende trazer melhorias para a população de Roraima no que diz respeito ao desenvolvimento social e ao combate das situações de miséria.
A pauta da reunião versou sobre a ampliação da Bolsa família, da qualificação profissional e do apoio aos agricultores e familiares de baixa renda.
(Coluna Claudio Humberto, de hoje)
A parceria pretende trazer melhorias para a população de Roraima no que diz respeito ao desenvolvimento social e ao combate das situações de miséria.
A pauta da reunião versou sobre a ampliação da Bolsa família, da qualificação profissional e do apoio aos agricultores e familiares de baixa renda.
(Coluna Claudio Humberto, de hoje)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Fatos pitorescos e sofríveis são temas de livro Histórias de Redação
Fotos deste e do post abaixo: Abrahão Borges
Por Wilson Barbosa
Lançado em 2008, o livro Histórias de Redação, é na visão do autor da obra, o jornalista Francisco Espiridião, o segundo e o mais importante da sua carreira, pois trata de sua vida ao longo dos primeiros 20 anos de jornalismo em Roraima.
Espiridião afirma que caiu no métier jornalístico como quem cai de paraquedas, ou seja, sem nenhuma afinidade com a coisa. Terminou gostando da profissão. Virou uma paixão que já dura 26 anos.
“Este segundo livro trata de fatos interessantes que aconteciam nas redações dos jornais, alguns pitorescos, outros nem tanto. Mas eu fiz questão de colocar e deixar tudo isto registrado como história para outros jornalistas na posteridade", destaca o autor.
O primeiro livro do jornalista, Até Quando? Estripulias de um Governo Equivocado, publicado em 2004, é uma análise pouco aprofundada do governo Lula, pois alcançou apenas os 12 primeiros meses de gestão. É uma coletânea de artigos que retratam alguns fatos que aconteceram durante os primeiros meses do governo Lula .
O terceiro livro de Espiridião, Histórias de Garimpo, extração mineral em terras roraimenses, será lançado nesta sexta-feira (9), a partir das 20 horas, no Hall da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Esta semana Espiridião concedeu entrevista ao TV Assembleia e falou a respeito do lançamento do livro e das outras obras de sua autoria.
A obra faz uma alusão ao período de 1983 a 1992 quando o então presidente Fernando Collor de Melo mandou encerrar as atividades Nos garimpos existentes em Roraima.
Registro
Ao comentar Histórias de Redação, o jornalista Avery Veríssimo afirmou que as crônicas descritas na obra ganham um lugar merecido na História, porque são o registro fiel (e fidelidade é sempre um modo particular de interpretação) de uma época, de um lugar, de alguns jornais e algumas pessoas num ponto qualquer do planeta. O trabalho mais notável neste livro, portanto, é a preservação da memória.
Ao fazer o prefácio de Histórias de Redação, o Dr. Francisco de Assis Campos Saraiva, farmacêutico-bioquímico e empresário ele diz que é um admirador do jornalista e do trabalho que vem realizando, de forma ética e digna, no transcorrer de sua existência.
“É de origem humilde, porém, abnegado e probo e assim tem se conduzido, com dignidade e respeito, diante das pessoas que o assistem na labuta diuturna a que vem se propondo, com altivez, serenidade e força de propósito, tendo como sustentáculo precioso a valiosa família que constituiu, razão maior da força que recebe da esposa D. Eliana e das filhas Ethiane, Karen Cristina e Fábia Marcela” concluiu Francisco Saraiva a respeito do jornalista Francisco Espiridião.
Por Wilson Barbosa
Lançado em 2008, o livro Histórias de Redação, é na visão do autor da obra, o jornalista Francisco Espiridião, o segundo e o mais importante da sua carreira, pois trata de sua vida ao longo dos primeiros 20 anos de jornalismo em Roraima.
Espiridião afirma que caiu no métier jornalístico como quem cai de paraquedas, ou seja, sem nenhuma afinidade com a coisa. Terminou gostando da profissão. Virou uma paixão que já dura 26 anos.
“Este segundo livro trata de fatos interessantes que aconteciam nas redações dos jornais, alguns pitorescos, outros nem tanto. Mas eu fiz questão de colocar e deixar tudo isto registrado como história para outros jornalistas na posteridade", destaca o autor.
O primeiro livro do jornalista, Até Quando? Estripulias de um Governo Equivocado, publicado em 2004, é uma análise pouco aprofundada do governo Lula, pois alcançou apenas os 12 primeiros meses de gestão. É uma coletânea de artigos que retratam alguns fatos que aconteceram durante os primeiros meses do governo Lula .
O terceiro livro de Espiridião, Histórias de Garimpo, extração mineral em terras roraimenses, será lançado nesta sexta-feira (9), a partir das 20 horas, no Hall da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Esta semana Espiridião concedeu entrevista ao TV Assembleia e falou a respeito do lançamento do livro e das outras obras de sua autoria.
A obra faz uma alusão ao período de 1983 a 1992 quando o então presidente Fernando Collor de Melo mandou encerrar as atividades Nos garimpos existentes em Roraima.
Registro
Ao comentar Histórias de Redação, o jornalista Avery Veríssimo afirmou que as crônicas descritas na obra ganham um lugar merecido na História, porque são o registro fiel (e fidelidade é sempre um modo particular de interpretação) de uma época, de um lugar, de alguns jornais e algumas pessoas num ponto qualquer do planeta. O trabalho mais notável neste livro, portanto, é a preservação da memória.
Ao fazer o prefácio de Histórias de Redação, o Dr. Francisco de Assis Campos Saraiva, farmacêutico-bioquímico e empresário ele diz que é um admirador do jornalista e do trabalho que vem realizando, de forma ética e digna, no transcorrer de sua existência.
“É de origem humilde, porém, abnegado e probo e assim tem se conduzido, com dignidade e respeito, diante das pessoas que o assistem na labuta diuturna a que vem se propondo, com altivez, serenidade e força de propósito, tendo como sustentáculo precioso a valiosa família que constituiu, razão maior da força que recebe da esposa D. Eliana e das filhas Ethiane, Karen Cristina e Fábia Marcela” concluiu Francisco Saraiva a respeito do jornalista Francisco Espiridião.
Procurando o que não perdeu
Por Aroldo Pinheiro
Sem nenhum incentivo oficial, enfrentando adversidades, o jornalista Francisco Espiridião Chagas lança seu terceiro livro, às 20h de sexta-feira, 9, no hall da Assembleia Legislativa de Roraima. Histórias de Garimpo – Extração mineral em terras roraimenses (Editora TIPROGRESSO (CE), 163 páginas, R$30) relata experiências vividas pelo próprio durante a fofoca de ouro havida em Roraima entre os anos 1980 e 1990.
Espide (como o autor é conhecido no meio jornalístico) traz histórias interessantes e bem humoradas sobre garimpeiros e compradores de ouro no Estado de Roraima. Causos de bamburrados e de brefados, com rápidas e profundas críticas à política indigenista acobertada por nações do Primeiro Mundo.
Centenas de aviões ocupando todos os locais disponíveis na cidade de Boa Vista, homens em busca de riqueza chegando de todos os recantos, conversas sobre garimpeiros tirando quilos de ouro do solo roraimense levaram o sargento da Polícia Militar e um grupo de amigos a sonhar e, durante período de férias, sair em busca do que não perderam. A aventura é narrada do jeito simples e cativante que Espide usa em livros anteriores: “Até quando? Estripulias de um governo equivocado” (2004), e “Histórias de Redação - Vinte anos de jornalismo na terra de Makunaima” (2008).
Natural de Rondônia, policial militar da reserva remunerada, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), Espide vive em Boa Vista desde 1974. Dos grotões, o garimpeiro não trouxe nem febre, mas o desconsolo inspirou-o a produzir textos que prendem o leitor do começo ao fim.
(Transcrito do site Fontebrasil, de 8/9)
Sem nenhum incentivo oficial, enfrentando adversidades, o jornalista Francisco Espiridião Chagas lança seu terceiro livro, às 20h de sexta-feira, 9, no hall da Assembleia Legislativa de Roraima. Histórias de Garimpo – Extração mineral em terras roraimenses (Editora TIPROGRESSO (CE), 163 páginas, R$30) relata experiências vividas pelo próprio durante a fofoca de ouro havida em Roraima entre os anos 1980 e 1990.
Espide (como o autor é conhecido no meio jornalístico) traz histórias interessantes e bem humoradas sobre garimpeiros e compradores de ouro no Estado de Roraima. Causos de bamburrados e de brefados, com rápidas e profundas críticas à política indigenista acobertada por nações do Primeiro Mundo.
Centenas de aviões ocupando todos os locais disponíveis na cidade de Boa Vista, homens em busca de riqueza chegando de todos os recantos, conversas sobre garimpeiros tirando quilos de ouro do solo roraimense levaram o sargento da Polícia Militar e um grupo de amigos a sonhar e, durante período de férias, sair em busca do que não perderam. A aventura é narrada do jeito simples e cativante que Espide usa em livros anteriores: “Até quando? Estripulias de um governo equivocado” (2004), e “Histórias de Redação - Vinte anos de jornalismo na terra de Makunaima” (2008).
Natural de Rondônia, policial militar da reserva remunerada, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), Espide vive em Boa Vista desde 1974. Dos grotões, o garimpeiro não trouxe nem febre, mas o desconsolo inspirou-o a produzir textos que prendem o leitor do começo ao fim.
(Transcrito do site Fontebrasil, de 8/9)
terça-feira, 6 de setembro de 2011
DEPOIMENTO
Segurança Pública e Defesa Nacional
Por: Eliéser Girão Monteiro Filho (*)
Desde que o mundo foi criado, os homens e as nações são identificados por suas posses, sendo considerados ricos ou pobres. Essa classificação também é um determinante para o grau de avanço de uma sociedade, bem como para definir o poderio bélico que precisa ter para a defesa de seus bens.
Assim como as pessoas, os países também são classificados conforme seus posicionamentos, o que tem conduzido a reuniões em blocos conforme interesses comuns ou imposições. A liberdade de escolha fica em função da força de cada país, principalmente em função da situação financeira e, quando muito da situação política.
Essas classificações, na verdade, podem ser entendidas como discriminatórias. No século passado, a discriminação foi caracterizada ao ser efetuada uma catalogação de países por seu índice de desenvolvimento.
Desse raciocínio foram divididos por categorias: países de primeiro mundo, para aqueles que tinham tecnologia, matéria prima e desenvolvimento avançado; países subdesenvolvidos ou em desen¬volvimento, para os enquadrados na situação intermediária; e países de terceiro mundo, para aqueles que não dispunham de tecnologia, e possuíam índices de desenvolvimento mais atrasados e insignificante poder dentro do complexo mercado financeiro internacional.
Na atualidade, um país que se considera grande precisa ter seus direitos assegurados pela força de seu povo. Assim, precisa ter convicção de seus poderes na mesma proporção de suas riquezas, naturais ou não. Para a proteção desses bens precisa desenvolver seus meios de defesa, tanto no tocante à defesa externa, quanto à defesa interna.
Tratando da defesa externa ou segurança nacional, podemos advir que o fato de não nos envolvermos diretamente numa guerra de defesa ou de conquista, há quase 150 anos, deixa a população e os políticos pensarem em não priorizar a destinação de recursos para esse fim. Mesmo no período dos governos militares, entre 1964 e 1985, os investimentos na área de segurança nacional foram muito abaixo da média mundial e principalmente do continente sul-americano.
Essa atitude agravou um desequilíbrio ainda maior na atualidade, quando outras nações do continente, especialmente a República Bolivariana da Venezuela, provocaram uma corrida ao mercado mundial de armamento para adequarem suas Forças Armadas ao que de mais moderno existe em uso.
Assim, podemos inferir que os governos brasileiros que se sucedem no poder têm sempre apresentado justificativas para postergarem os custosos e difíceis investimentos para as Forças Armadas e indústria de material de defesa. Por outro lado, a atenção da população e dos meios de comunicação em todas as cidades do Brasil tem sido pautada pelo descontentamento em relação à situação da segurança pública. São momentos diários em que os gestores públicos são execrados, quer pela inércia ou pela inapetência de prevenirem ou reprimirem os atos contrários aos direitos constitucionais de propriedade, de liberdade e de ir e vir. A segurança pública deixou de ser uma questão secundária ou um problema individual. As constantes ameaças que grupos armados têm feito aos poderes constituídos, criando áreas onde a entrada do Estado não é bem vinda, ou até mesmo permitida, mostra a urgência da providência.
Sob a justificativa de proteção aos direitos, sob a justificativa de proteção aos direitos humanos, preservação das liberdades individuais e maior justiça social, houve uma profusão de tolerâncias e até mesmo leniéricias, ultrapassando todos os limites e gerando um descontrole em todos os Estados da federação, principalmente nas maiores cidades. Os dias passam e os fatos se repetem numa frequência de incidência dos mesmos erros de ontem, e nada da estrutura democrática consegue romper a situação nem estancar o sangramento da perda da moral e dos valores pela sociedade.
Temos constatações de falha da gestão, em função de indefinições políticas em todos os níveis de governos, e de posturas que não acompanharam a evolução dos direitos do homem, mantendo práticas do passado, totalmente inadequadas ao presente. São ações e inações policiais que, à luz do direito, ou até mesmo de uma simples avaliação de uma criança, estão literalmente na contramão do que se pretende ao ser humano. Quando das reuniões bilaterais de Segurança feitas entre os países vizinhos, mostra-se plenamente inadequada a organização existente no Brasil, por dividir competências de segurança pública e de defesa nacional em regiões de fronteira, entre instituições pertencentes a diferentes ministérios.
É plenamente inaceitável que a violência policial seja considerada como o procedimento padrão para o trato com o cidadão. Hoje, a tônica das ações tem que prever a segurança pública com cidadania, procurando oferecer um policiamento de proximidade ao cidadão, motivando a participação do mesmo nas ações destinadas a sua proteção. Exemplos positivos são pouco identificados, ou melhor, rendem menor atenção por parte da mídia ou da população. Logo, no dia a dia das redações, o percentual de matérias que mostram atitudes negativas ultrapassa em muito aquele de atitudes consideradas positivas. Mesmo assim, na tentativa de recuperar o tempo perdido, alguns gestores da segurança pública têm envidado esforços para reverter essa situação, com ações que priorizam prevenir e reprimir o crime.
Se considerarmos que há necessidades maiores de segurança em regiões de fronteira, quer seja de segurança pública ou de defesa nacional, seria obrigatório que os poderes assim agissem, priorizando reforço de doutrina e de recursos para os Estados localizados nessas áreas geográficas. Em Roraima, apesar dos esforços atuais, considerando-se a situação geográfica de estarmos numa tríplice fronteira e termos quase 2.000 quilômetros de perímetro de fronteira, temos observado que essas prioridades por parte do governo federal estão aquém da necessidade, considerando-se o que tem sido distribuído aos demais Estados da federação.
Os recursos oriundos da segurança pública, isto é, do Fundo Nacional de Segurança Pública, e do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, são os indutores da evolução tecnológica e das ações por parte das corporações policiais, principalmente nos Estados com menores possibilidades de receita, como Roraima. E, se não bastassem essas reclamações, relativas à segurança pública, podemos perguntar se o mesmo também acontece em relação à defesa nacional, pois as unidades militares das Forças Armadas sediadas em Roraima deveriam ter prioridade de meios e de pessoal, e sabemos que os orçamentos não têm sido generosos. Como novidade relacionada à defesa nacional, o governo federal, no contexto da Estratégia Nacional de Defesa, anunciou recentemente a criação de mais pelotões especiais de fronteira na Amazônia. Ora, essa estratégia da criação de pelotões na fronteira foi muito útil no século passado, mais precisamente em meados do século, quando se priorizou a vivificação da fronteira.
No presente momento, com as exclusões que têm sido criadas, principalmente pelo Poder Executivo Federal, na prática de demarcações de terras indígenas que teimam em chamar de política indigenista, ao retirarem de dentro de terras em área de fronteira populações que ali residiam há mais de 100 anos, com a justificativa de que são terras destinadas exclusivamente aos brasileiros de origens indígenas, esse tipo de estratégia é injustificável.
Precisam as Forças Armadas brasileiras reforçarem seus efetivos, atualizarem suas doutrinas e reforçarem a estratégia da dissuasão, com a aquisição de material bélico de primeira grandeza, mostrando aos demais países que uma aventura em relação aos direitos do Brasil poderá lhes ser muito cara.
Apresentemos ainda, tanto em relação à segurança pública, quanto á defesa nacional, algumas considerações da área fundiária adotadas pelo Ministério Público Federal, sob orientações difíceis de serem entendidas, quais sejam:
• Os povos indígenas tém o direito de constituir suas próprias estruturas de segurança das terras que lhe estão sendo destinadas. Reforçados que são pelos fatos de que somente pessoas autorizadas podem circular nessas regiões, gerando uma exclusão inaceitável de que os gestores da segurança pública estão ou estariam dentro desse universo de pessoas não autorizadas;
• Esses povos indígenas têm sido considerados como Nações Indígenas por grande parte da sociedade brasileira, até mesmo por instituições de ensino superior e grandes formadores de opinião. E, pior ainda, pela quase totalidade das demais nações, em função do que os representantes do Poder Executivo, membros do Ministério das Relações Exteriores, fizeram quando da assinatura da Declaração Internacional dos Direitos dos Povos Indígenas;
• E, finalmente, sob a bandeira dos programas sociais, meramente assistencialistas, indígenas de países vizinhos têm sido atraídos para virem se registrar no Brasil. Exemplos claros podem ser vistos no estudo da população da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os pouco mais de 150 moradores da maloca de Karamambatai, situada há menos de 10 quilômetros ao norte da Maloca da Serra do Sol, são indígenas da República Cooperativista da Guiana, que falam fluentemente o idioma inglês e desconhecem o que vem a ser o verde amarelo da bandeira brasileira.
Soluções para os problemas listados existem e provavelmente são do conhecimento das autoridades. Precisamos de uma decisão política para o combate eficaz, que esperamos não tardar, para que aqueles que atuam fora da lei não se sintam agradecidos e protegidos. Para combatermos a situação atual da segurança pública, precisamos reconhecer as falhas na doutrina vigente e corrigirmos as ações do Estado, principalmente aquelas voltadas para a raiz social dos problemas que levam o cidadão à prática do crime, e para o apoio à ressocialização dos recém saídos do sistema penal.
Precisamos, também, realizar uma efetiva integração dos dois sistemas de segurança, se possível adotando uma postura de unificação dos mesmos sob uma única subordinação. Essa integração na área das fronteiras terá que envolver os demais órgãos federais, estaduais e municipais, principais atores presentes na região de fronteiras, tais como: as Forças Armadas, as Policias Federai e Rodoviária Federal, a Secretaria da Receita Federal, os órgãos do Sistema de Segurança Pública dos Estados e Municípios localizados dentro da região da faixa de fronteira.
Dever sem considerados também outros atores que estejam envolvidos diretamente na atividade, como por exemplo, a Fundação Nacional do lndio e a Fundação Nacional de Saúde. Assim sendo, afirmamos que a realidade atual precisa ser revista, sob pena de num futuro breve virmos a admitir que uma perda territorial seja algo natural e aceitável.
E pior, que para algumas localidades do Pais, precisaremos pedir a autorização aos donos do crime para circularmos ou oferecermos à população os serviços do Estado. Se desejarmos mudanças, temos que alterar o comportamento atual, caso contrário tudo continuará como antes. A decisão pertence a cada um de nós, brasileiros e, a cada dois ou quatro anos, eleitores.
A sorte esta lançada!
(*) Eliéser Girão Monteiro Filho é general de brigada (R/1) do Exército Brasileiro, e atual secretário de Estado da Segurança Pública de Roraima.
Por: Eliéser Girão Monteiro Filho (*)
Desde que o mundo foi criado, os homens e as nações são identificados por suas posses, sendo considerados ricos ou pobres. Essa classificação também é um determinante para o grau de avanço de uma sociedade, bem como para definir o poderio bélico que precisa ter para a defesa de seus bens.
Assim como as pessoas, os países também são classificados conforme seus posicionamentos, o que tem conduzido a reuniões em blocos conforme interesses comuns ou imposições. A liberdade de escolha fica em função da força de cada país, principalmente em função da situação financeira e, quando muito da situação política.
Essas classificações, na verdade, podem ser entendidas como discriminatórias. No século passado, a discriminação foi caracterizada ao ser efetuada uma catalogação de países por seu índice de desenvolvimento.
Desse raciocínio foram divididos por categorias: países de primeiro mundo, para aqueles que tinham tecnologia, matéria prima e desenvolvimento avançado; países subdesenvolvidos ou em desen¬volvimento, para os enquadrados na situação intermediária; e países de terceiro mundo, para aqueles que não dispunham de tecnologia, e possuíam índices de desenvolvimento mais atrasados e insignificante poder dentro do complexo mercado financeiro internacional.
Na atualidade, um país que se considera grande precisa ter seus direitos assegurados pela força de seu povo. Assim, precisa ter convicção de seus poderes na mesma proporção de suas riquezas, naturais ou não. Para a proteção desses bens precisa desenvolver seus meios de defesa, tanto no tocante à defesa externa, quanto à defesa interna.
Tratando da defesa externa ou segurança nacional, podemos advir que o fato de não nos envolvermos diretamente numa guerra de defesa ou de conquista, há quase 150 anos, deixa a população e os políticos pensarem em não priorizar a destinação de recursos para esse fim. Mesmo no período dos governos militares, entre 1964 e 1985, os investimentos na área de segurança nacional foram muito abaixo da média mundial e principalmente do continente sul-americano.
Essa atitude agravou um desequilíbrio ainda maior na atualidade, quando outras nações do continente, especialmente a República Bolivariana da Venezuela, provocaram uma corrida ao mercado mundial de armamento para adequarem suas Forças Armadas ao que de mais moderno existe em uso.
Assim, podemos inferir que os governos brasileiros que se sucedem no poder têm sempre apresentado justificativas para postergarem os custosos e difíceis investimentos para as Forças Armadas e indústria de material de defesa. Por outro lado, a atenção da população e dos meios de comunicação em todas as cidades do Brasil tem sido pautada pelo descontentamento em relação à situação da segurança pública. São momentos diários em que os gestores públicos são execrados, quer pela inércia ou pela inapetência de prevenirem ou reprimirem os atos contrários aos direitos constitucionais de propriedade, de liberdade e de ir e vir. A segurança pública deixou de ser uma questão secundária ou um problema individual. As constantes ameaças que grupos armados têm feito aos poderes constituídos, criando áreas onde a entrada do Estado não é bem vinda, ou até mesmo permitida, mostra a urgência da providência.
Sob a justificativa de proteção aos direitos, sob a justificativa de proteção aos direitos humanos, preservação das liberdades individuais e maior justiça social, houve uma profusão de tolerâncias e até mesmo leniéricias, ultrapassando todos os limites e gerando um descontrole em todos os Estados da federação, principalmente nas maiores cidades. Os dias passam e os fatos se repetem numa frequência de incidência dos mesmos erros de ontem, e nada da estrutura democrática consegue romper a situação nem estancar o sangramento da perda da moral e dos valores pela sociedade.
Temos constatações de falha da gestão, em função de indefinições políticas em todos os níveis de governos, e de posturas que não acompanharam a evolução dos direitos do homem, mantendo práticas do passado, totalmente inadequadas ao presente. São ações e inações policiais que, à luz do direito, ou até mesmo de uma simples avaliação de uma criança, estão literalmente na contramão do que se pretende ao ser humano. Quando das reuniões bilaterais de Segurança feitas entre os países vizinhos, mostra-se plenamente inadequada a organização existente no Brasil, por dividir competências de segurança pública e de defesa nacional em regiões de fronteira, entre instituições pertencentes a diferentes ministérios.
É plenamente inaceitável que a violência policial seja considerada como o procedimento padrão para o trato com o cidadão. Hoje, a tônica das ações tem que prever a segurança pública com cidadania, procurando oferecer um policiamento de proximidade ao cidadão, motivando a participação do mesmo nas ações destinadas a sua proteção. Exemplos positivos são pouco identificados, ou melhor, rendem menor atenção por parte da mídia ou da população. Logo, no dia a dia das redações, o percentual de matérias que mostram atitudes negativas ultrapassa em muito aquele de atitudes consideradas positivas. Mesmo assim, na tentativa de recuperar o tempo perdido, alguns gestores da segurança pública têm envidado esforços para reverter essa situação, com ações que priorizam prevenir e reprimir o crime.
Se considerarmos que há necessidades maiores de segurança em regiões de fronteira, quer seja de segurança pública ou de defesa nacional, seria obrigatório que os poderes assim agissem, priorizando reforço de doutrina e de recursos para os Estados localizados nessas áreas geográficas. Em Roraima, apesar dos esforços atuais, considerando-se a situação geográfica de estarmos numa tríplice fronteira e termos quase 2.000 quilômetros de perímetro de fronteira, temos observado que essas prioridades por parte do governo federal estão aquém da necessidade, considerando-se o que tem sido distribuído aos demais Estados da federação.
Os recursos oriundos da segurança pública, isto é, do Fundo Nacional de Segurança Pública, e do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, são os indutores da evolução tecnológica e das ações por parte das corporações policiais, principalmente nos Estados com menores possibilidades de receita, como Roraima. E, se não bastassem essas reclamações, relativas à segurança pública, podemos perguntar se o mesmo também acontece em relação à defesa nacional, pois as unidades militares das Forças Armadas sediadas em Roraima deveriam ter prioridade de meios e de pessoal, e sabemos que os orçamentos não têm sido generosos. Como novidade relacionada à defesa nacional, o governo federal, no contexto da Estratégia Nacional de Defesa, anunciou recentemente a criação de mais pelotões especiais de fronteira na Amazônia. Ora, essa estratégia da criação de pelotões na fronteira foi muito útil no século passado, mais precisamente em meados do século, quando se priorizou a vivificação da fronteira.
No presente momento, com as exclusões que têm sido criadas, principalmente pelo Poder Executivo Federal, na prática de demarcações de terras indígenas que teimam em chamar de política indigenista, ao retirarem de dentro de terras em área de fronteira populações que ali residiam há mais de 100 anos, com a justificativa de que são terras destinadas exclusivamente aos brasileiros de origens indígenas, esse tipo de estratégia é injustificável.
Precisam as Forças Armadas brasileiras reforçarem seus efetivos, atualizarem suas doutrinas e reforçarem a estratégia da dissuasão, com a aquisição de material bélico de primeira grandeza, mostrando aos demais países que uma aventura em relação aos direitos do Brasil poderá lhes ser muito cara.
Apresentemos ainda, tanto em relação à segurança pública, quanto á defesa nacional, algumas considerações da área fundiária adotadas pelo Ministério Público Federal, sob orientações difíceis de serem entendidas, quais sejam:
• Os povos indígenas tém o direito de constituir suas próprias estruturas de segurança das terras que lhe estão sendo destinadas. Reforçados que são pelos fatos de que somente pessoas autorizadas podem circular nessas regiões, gerando uma exclusão inaceitável de que os gestores da segurança pública estão ou estariam dentro desse universo de pessoas não autorizadas;
• Esses povos indígenas têm sido considerados como Nações Indígenas por grande parte da sociedade brasileira, até mesmo por instituições de ensino superior e grandes formadores de opinião. E, pior ainda, pela quase totalidade das demais nações, em função do que os representantes do Poder Executivo, membros do Ministério das Relações Exteriores, fizeram quando da assinatura da Declaração Internacional dos Direitos dos Povos Indígenas;
• E, finalmente, sob a bandeira dos programas sociais, meramente assistencialistas, indígenas de países vizinhos têm sido atraídos para virem se registrar no Brasil. Exemplos claros podem ser vistos no estudo da população da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os pouco mais de 150 moradores da maloca de Karamambatai, situada há menos de 10 quilômetros ao norte da Maloca da Serra do Sol, são indígenas da República Cooperativista da Guiana, que falam fluentemente o idioma inglês e desconhecem o que vem a ser o verde amarelo da bandeira brasileira.
Soluções para os problemas listados existem e provavelmente são do conhecimento das autoridades. Precisamos de uma decisão política para o combate eficaz, que esperamos não tardar, para que aqueles que atuam fora da lei não se sintam agradecidos e protegidos. Para combatermos a situação atual da segurança pública, precisamos reconhecer as falhas na doutrina vigente e corrigirmos as ações do Estado, principalmente aquelas voltadas para a raiz social dos problemas que levam o cidadão à prática do crime, e para o apoio à ressocialização dos recém saídos do sistema penal.
Precisamos, também, realizar uma efetiva integração dos dois sistemas de segurança, se possível adotando uma postura de unificação dos mesmos sob uma única subordinação. Essa integração na área das fronteiras terá que envolver os demais órgãos federais, estaduais e municipais, principais atores presentes na região de fronteiras, tais como: as Forças Armadas, as Policias Federai e Rodoviária Federal, a Secretaria da Receita Federal, os órgãos do Sistema de Segurança Pública dos Estados e Municípios localizados dentro da região da faixa de fronteira.
Dever sem considerados também outros atores que estejam envolvidos diretamente na atividade, como por exemplo, a Fundação Nacional do lndio e a Fundação Nacional de Saúde. Assim sendo, afirmamos que a realidade atual precisa ser revista, sob pena de num futuro breve virmos a admitir que uma perda territorial seja algo natural e aceitável.
E pior, que para algumas localidades do Pais, precisaremos pedir a autorização aos donos do crime para circularmos ou oferecermos à população os serviços do Estado. Se desejarmos mudanças, temos que alterar o comportamento atual, caso contrário tudo continuará como antes. A decisão pertence a cada um de nós, brasileiros e, a cada dois ou quatro anos, eleitores.
A sorte esta lançada!
(*) Eliéser Girão Monteiro Filho é general de brigada (R/1) do Exército Brasileiro, e atual secretário de Estado da Segurança Pública de Roraima.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Lançamento
Estamos em nogociação com a Assembléia Legislativa para fazermos o lançamento do novo livro no hall da instituição.
A Adriana Cruz e o "Senhor" Wilson Barbosa estão queimando fosfato para encontrar uma data apropriada.
É possível que seja já na sexta-feira (9), à noite. Conto com a presença dos amigos. (Foto da Capa: Eides Antonelli)
A Adriana Cruz e o "Senhor" Wilson Barbosa estão queimando fosfato para encontrar uma data apropriada.
É possível que seja já na sexta-feira (9), à noite. Conto com a presença dos amigos. (Foto da Capa: Eides Antonelli)
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Novo livro na praça
Por FRANCISCO ESPIRIDIÃO
O Senhor seja louvado! Finalmente, o tão esperado livro Histórias de Garimpo - Extração Mineral em Terras Roraimenses desencantou de vez. Foi entregue pela transportadora na manhã desta segunda-feira (29), vindo de Fortaleza (CE), onde foi editado e impresso.
Trata-se do terceiro de minha lavra. O primeiro foi Até Quando? Estripulias de Um Governo Equivocado, coletânea de 42 artigos e crônicas escritos e publicados na imprensa local ao longo do primeiro ano do governo Lula. (editado e publicado em 2004).
O segundo, Histórias de Redação - Vinte Anos de Jornalismo na Terra de Makunaima (2009). Posso dizer que se trata de um relato quase-fiel dos primeiros vinte anos vividos por mim nas entranhas das redações de jornais impressos no Estado.
Este agora, busca retratar com relativa fidelidade os fatos vividos e sofridos, num período de muita agitação em Roraima, quando dinheiro circulava com a abundância de folhas caindo de árvores no verão. A minha incursão às grotas, nos idos de 1983, apesar de episódio atrapalhado e eivado de insucesso, promete ser boa leitura.
Histórias de Garimpo, que pretende ser o segundo da trilogia "Histórias...", a se completar futuramente com "Histórias do Futebol em Roraima", já tem data e local definidos para lançamento: será às 9h de sábado, 24 de setembro, na Livraria Saber, na Avenida Major Williams, entre a Panificadora Goiana e o antigo Cine SuperK.
O Senhor seja louvado! Finalmente, o tão esperado livro Histórias de Garimpo - Extração Mineral em Terras Roraimenses desencantou de vez. Foi entregue pela transportadora na manhã desta segunda-feira (29), vindo de Fortaleza (CE), onde foi editado e impresso.
Trata-se do terceiro de minha lavra. O primeiro foi Até Quando? Estripulias de Um Governo Equivocado, coletânea de 42 artigos e crônicas escritos e publicados na imprensa local ao longo do primeiro ano do governo Lula. (editado e publicado em 2004).
O segundo, Histórias de Redação - Vinte Anos de Jornalismo na Terra de Makunaima (2009). Posso dizer que se trata de um relato quase-fiel dos primeiros vinte anos vividos por mim nas entranhas das redações de jornais impressos no Estado.
Este agora, busca retratar com relativa fidelidade os fatos vividos e sofridos, num período de muita agitação em Roraima, quando dinheiro circulava com a abundância de folhas caindo de árvores no verão. A minha incursão às grotas, nos idos de 1983, apesar de episódio atrapalhado e eivado de insucesso, promete ser boa leitura.
Histórias de Garimpo, que pretende ser o segundo da trilogia "Histórias...", a se completar futuramente com "Histórias do Futebol em Roraima", já tem data e local definidos para lançamento: será às 9h de sábado, 24 de setembro, na Livraria Saber, na Avenida Major Williams, entre a Panificadora Goiana e o antigo Cine SuperK.
sábado, 27 de agosto de 2011
O Poderoso Chefão
Texto transcrito do blog do Noblat
O ex-ministro José Dirceu mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma
Há muitas histórias em torno das atividades do ex-ministro José Dirceu. Veja revela a verdade sobre uma delas: mesmo com os direitos políticos cassados, sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, o chefe da quadrilha do mensalão continua o todo-poderoso comandante do PT. Dirceu é um homem de negócios, mas continua a ser o homem do partido.
O “ministro”, como ainda é tratado em tom solene pelos correligionários, mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com senadores, deputados, o presidente da maior estatal do país e até ministro de estado — reuniões que acontecem em horário de expediente, como se ali fosse uma repartição pública.
E agora com um ingrediente ainda mais complicador: ele usa o poder e toda a influência que ainda detém no PT para conspirar contra o governo Dilma — e a presidente sabe disso.
O que leva personagens importantes e respeitáveis, como os que aparecem nas imagens que ilustram esta reportagem, a deixar seu local de trabalho para se reunir em um quarto de hotel com o homem acusado de chefiar uma quadrilha responsável pelo maior esquema de corrupção da história do Brasil? Alguns deles apresentam seus motivos: amizade, articulações políticas, análise econômica, às vezes até o simples acaso. Há quem nem sequer se lembre do encontro.
Outros preferem não explicar. Depois de viver na clandestinidade durante parte do regime militar, o ex-ministro José Dirceu se tornou habitué dos holofotes com a redemocratização do país. Foi fundador e presidente do PT, elegeu-se três vezes deputado federal e comandou a estratégia que resultou na eleição de Lula para a Presidência da República. Como recompensa, foi alçado ao posto de ministro-chefe da Casa Civil.
Foi um período de ouro para ele. Dirceu comandava as articulações no Congresso, negociava indicações de ministros para tribunais superiores, decidia o preenchimento de cargos e influenciava os mais apetitosos nacos da administração federal, como estatais, bancos públicos e fundos de pensão. Dirceu se jactava da condição de “primeiro-ministro” e alimentava o próprio mito de homem poderoso.
Sua glória durou até que ele fosse abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, quando se descobriu que chefiava também um bando de vigaristas que assaltava os cofres públicos.
Desde então, tudo em que Dirceu se envolve é sempre enevoado por suspeitas. Oficialmente, ele ganha a vida como um bem-sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Mas é em Brasília, na mais absoluta clandestinidade outra vez, que ele continua a exercer o seu principal talento.
A 3 quilômetros do Palácio do Planalto, Dirceu mostra que suas garras estão afiadas. Ainda é chamado de “ministro”, mantém um concorrido gabinete num quarto de hotel, tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, sua agenda está sempre recheada de audiências com próceres da República — ministros, senadores e deputados.
As autoridades é que vão a José Dirceu. Essa inversão de papéis poderia se explicar por uma natural demonstração de respeito pelos tempos em que ele era governo. Não é. É uma efetiva demonstração de que o chefão ainda é poderoso.
Dirceu tenta recuperar o prestígio político que tinha no governo Lula, usando como arma muitos aliados que ainda lhe beijam o rosto. Convoca-os como soldados, quando necessário, numa tentativa de pressionar a presidente Dilma a atender a suas demandas. Ou torná-la refém por meio da pressão dos partidos.
Esse trabalho de guerrilha — e, em alguns momentos, de evidente conspiração — chegou ao paroxismo durante a crise que resultou na queda de Antonio Palocci da Casa Civil.
Naquela ocasião, início de junho, Dirceu despachou diretamente de seu bunker instalado na área vip de um hotel cinco-estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas. Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Antonio Palocci e durante as quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão.
Articulação minuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e do seu grupo para influir nos acontecimentos que ocorriam naquela semana — acontecimentos que, descobre-se agora, contavam com a participação de figuras do próprio governo.
Em 8 de junho, numa quarta-feira, Dirceu recebeu no hotel a visita do ministro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel. Conversaram por 28 minutos. Sobre o quê? Pimentel diz não se lembrar da pauta nem de quem partiu a iniciativa do encontro. Admite, no entanto, falar com frequência com o ex-ministro sobre o contexto brasileiro.
É uma estranha aproximação, mas que encontra explicação na lógica que une e separa certos políticos de acordo com o interesse do momento. Próximo a Dilma desde quando era estudante, Pimentel defendeu, durante a campanha, a ideia de que a então candidata do PT se afastasse ao máximo de Dirceu.
Pimentel e Dirceu estavam em campos opostos. Naquela ocasião, o atual ministro do Desenvolvimento nutria o sonho de se tornar o futuro chefe da Casa Civil.
Perdeu a chance depois de Veja revelar que funcionários contratados por ele para trabalhar na campanha montaram um grupo de inteligência cujas tarefas envolviam, entre outras coisas, espionar e fabricar dossiês contra os adversários, principalmente o concorrente do PSDB à Presidência, José Serra.
No novo governo, Pimentel foi preterido na Casa Civil em favor de Palocci. O mesmo Palocci que, no primeiro mandato de Lula, disputava com Dirceu o status de homem forte do governo e de candidato natural à Presidência da República.
Um cacique petista tenta explicar a união recente de Pimentel com José Dirceu: “No PT, é comum adversários num determinado instante se aliarem mais à frente para atingir um objetivo comum. Isso ocorre quando há uma conjução de interesses.”
Será que Pimentel queria se vingar de Palocci, a quem considerava um rival dentro do governo?
Dois dias antes, na segunda-feira, Dirceu esteve com José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras. Gabrielli enfrenta um processo de fritura desde o fim do governo Lula. A presidente Dilma não cultiva nenhuma simpatia por ele. Palocci pretendia tirar Gabrielli do comando da estatal.
Gabrielli precisava — e precisa — do apoio, sobretudo do PT, para se manter no cargo. Dirceu é consultor de empresas do setor de petróleo e gás. Precisa manter-se bem informado no ramo para fazer dinheiro. É o famoso encontro da fome com a vontade de comer — ou conjunção de interesses.
O presidente da Petrobras, que trabalha no Rio de Janeiro, chegou à suíte ocupada pelo ex-ministro da Casa Civil, no 16º andar do hotel, ciceroneado por um ajudante de ordens. Permaneceu lá exatos trinta minutos. Ao sair, o presidente da Petrobras, que chegou ao quarto de mãos vazias, carregava alguns papeis consigo.
Perguntado sobre a visita, Gabrielli limitou-se a desconversar: “Sou amigo dele há muito tempo, e não tenho que comentar isso com ninguém”.
Naquela noite de segunda-feira, a demissão de Palocci já estava definida. O ministro não havia conseguido explicar a incrível fortuna que acumulou em alguns meses prestando serviços de consultoria — a mesma atividade de Dirceu.
Na terça-feira, horas antes da demissão de Palocci, Dirceu recebeu para uma conversa de 54 minutos três senadores do PT: Delcídio Amaral, Walter Pinheiro e Lindbergh Farias. Esse último conta que foi ele quem pediu a audiência.
Qual assunto? Falaram do furacão que assomava à porta da Casa Civil. “O ministro Dirceu nunca falou um ‘ai’ contra o Palocci. Pelo contrário, sempre tentou resolver a crise com a ajuda da nossa bancada”, garante Farias.
De fato, a bancada foi decisiva — mas para sepultar de vez a tentativa de Palocci de salvar a própria pele. Logo após o encontro com Dirceu, os três senadores foram a uma reunião da bancada do PT e recusaram-se a assinar uma nota em defesa do então ministro-chefe da Casa Civil. Alegaram que a proposta não havia sido combinada com o Planalto.
Existiam outros motivos para a falta de entusiasmo: o trio também estava insatisfeito com Palocci. Delcídio reclamava do fato de não conseguir emplacar aliados em representações de órgãos federais em Mato Grosso do
Sul, seu estado natal e berço político. “Num momento tenso como aquele, fui conversar com alguém que está sempre bem informado sobre os acontecimentos”, explicou Delcídio sobre o encontro com o poderoso chefão.
Pinheiro estava contrariado com a demissão de um petista do comando da Polícia Rodoviária Federal na Bahia. “O encontro foi para fornecer material para que ele publicasse um artigo sobre o projeto de lei que trata da produção audiovisual no país”, disse ele.
Lindbergh Farias, por seu turno, ainda digeria as tentativas fracassadas de ser recebido por Palocci. No fim da tarde de terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil entregou sua carta de demissão. E teve início a disputa pela sua sucessão.
Quando Gleisi Hoffmann já havia sido anunciada como substituta de Palocci, no mesmo dia 7 de junho, Dirceu recebeu o deputado petista Devanir Ribeiro. Foram 25 minutos de conversa. Já era sabido que, no rastro da saída de Palocci, Luiz Sérgio, um aliado de Dirceu, deixaria o ministério das Relações Institucionais.
Estava deflagrada a campanha para sucedê-lo — e Dirceu queria emplacar no cargo o deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara.
Procurado por Veja, Devanir, que é compadre do presidente Lula, negou que tivesse ido ao hotel conversar com Dirceu. Um lapso de memória, como deixa claro a imagem nesta reportagem. “Faz muito tempo que eu não o vejo.”
Na quarta-feira, 8 de junho, pela manhã, as articulações de Dirceu continuaram a pleno vapor. Ele recebeu o próprio Vacarezza. Durante 25 minutos, trataram, segundo o líder, do congresso do PT que será realizado em setembro.
“Converso com o Dirceu com regularidade. Como o caso do Palocci era palpitante, é possível que tenha sido abordado, mas não foi o tema central”, afirma o deputado — que, no início do governo Dilma, chegou a dar entrevistas como o futuro presidente da Câmara, mas acabou convencido a desistir de disputar o cargo por ter perdido apoio dentro do PT.
A agenda do chefão não se limita aos companheiros de partido. Duas horas depois do encontro com Vacarezza, foi a vez de o senador peemedebista Eduardo Braga adentrar o hotel.
Segundo o parlamentar, ele e Dirceu se encontraram por obra do acaso, no lobby, uma coincidência. O senador conta que aproveitou a coincidência para auscultar os ânimos do PT sobre o projeto do novo Código Florestal: “Queria saber como o PT se posicionaria. Ninguém pode negar que a máquina partidária petista foi arquitetada e construída pelo Dirceu. Ele respira o partido”.
O PMDB também respira poder. Com o apoio de Dirceu, peemedebistas e petistas fecharam um acordo para pressionar o Planalto a indicar Vacarezza ao cargo de ministro de Relações Institucionais no lugar de Luiz Sérgio. A substituição nessa pasta foi realizada três dias depois da queda de Palocci.
Informada do plano de Dirceu, a presidente Dilma desmontou-o ao nomear para o cargo a ex-senadora Ideli Salvatti. A presidente já havia sido advertida por assessores do perigo de delegar poderes a companheiros que orbitam em torno de Dirceu.
Mas Dilma também conhece bem os caminhos da guerrilha política. Chamada de “minha camarada de armas” por ele quando lhe foi passado o comando da Casa Civil, em 2005, a presidente não perde de vista os passos do chefão. Como? Pedindo a algumas autoridades que visitam Dirceu em Brasília informações sobre suas ambições.
“A Dilma e o PT, principalmente o PT afinado com o Dirceu, vivem uma relação de amor e ódio. Mas hoje você não pode imaginar um rompimento entre eles”, diz um interlocutor de confiança da presidente e do ex-ministro.
E amanhã? Se Dilma se consolidar como uma presidente popular e, mais perigoso, um entrave a um novo mandato de Lula, o tal rompimento entra no campo das possibilidades. “Nunca a turma do PT foi tão lulista como hoje. Imagine em 2014”, afirma um cardeal do partido. Ele é mais um, como Dirceu, insatisfeito com o fato de a legenda não ter conseguido, como previra o ex-ministro, impor-se à presidente da República.
Dilma está resistindo bem. Uma faxina menos visível é a que ela está fazendo nos bancos públicos. Aos poucos, vem substituindo camaradas ligados a Dirceu por gente de sua confiança. E o chefão não está nada contente com isso. Tanto que tem alimentado o noticiário com denúncias contra pessoas muito próximas à presidente, naquele tipo de patriotismo interessado que lhe é peculiar.
Procurado por Veja, Dirceu não respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A suíte reservada permanentemente ao “ministro” custa 500 reais a diária. Para chegar de elevador, é preciso um cartão de acesso especial. Cada quarto do andar recebe uma única cópia.
Qualquer visita ao “ministro”, portanto, tem de ser conduzida ao andar. Esse trabalho de cicerone é feito por Alexandre Simas de Oliveira, um cabo da Aeronáutica, que foi assessor de Dirceu na Câmara dos Deputados até ele ter o mandato cassado.
Hoje, o cicerone é empregado do escritório de advocacia Tessele & Madalena, que tem como um dos donos outro ex-assessor de Dirceu, o advogado Hélio Madalena. O advogado já foi flagrado uma vez de caso com a máfia — a russa. Escutas feitas pela Polícia Federal mostraram que, na condição de assessor da Casa Civil, ele fazia lobby para conceder asilo político no Brasil ao magnata russo Boris Berezovski (mafioso acusado de corrupção e assassinato).
E Madalena foi flagrado outra vez na semana passada. É o seu escritório que paga a fatura do “gabinete” de José Dirceu. Na última quinta-feira, depois de ser indagado sobre o caso, Madalena instou a segurança do hotel Naoum a procurar uma delegacia de polícia para acusar o repórter de Veja de ter tentado invadir o apartamento que seu escritório aluga e, gentilmente, cede como “ocupação residencial” a José Dirceu.
O jornalista esteve mesmo no hotel, investigando, tentando descobrir que atração é essa que um homem acusado de chefiar uma quadrilha de vigaristas ainda exerce sobre tantas autoridades. Tentando descobrir por que o nome dele não consta da relação de hóspedes. Tentando descobrir por que uma empresa de advocacia paga a fatura de sua misteriosa “residência” em Brasília.
Enfim, tentando mostrar a verdade sobre as atividades de um personagem que age sempre na sombra. E conseguiu. Mas a máfia não perdoa.
O ex-ministro José Dirceu mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma
Há muitas histórias em torno das atividades do ex-ministro José Dirceu. Veja revela a verdade sobre uma delas: mesmo com os direitos políticos cassados, sob ameaça de ir para a cadeia por corrupção, o chefe da quadrilha do mensalão continua o todo-poderoso comandante do PT. Dirceu é um homem de negócios, mas continua a ser o homem do partido.
O “ministro”, como ainda é tratado em tom solene pelos correligionários, mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com senadores, deputados, o presidente da maior estatal do país e até ministro de estado — reuniões que acontecem em horário de expediente, como se ali fosse uma repartição pública.
E agora com um ingrediente ainda mais complicador: ele usa o poder e toda a influência que ainda detém no PT para conspirar contra o governo Dilma — e a presidente sabe disso.
O que leva personagens importantes e respeitáveis, como os que aparecem nas imagens que ilustram esta reportagem, a deixar seu local de trabalho para se reunir em um quarto de hotel com o homem acusado de chefiar uma quadrilha responsável pelo maior esquema de corrupção da história do Brasil? Alguns deles apresentam seus motivos: amizade, articulações políticas, análise econômica, às vezes até o simples acaso. Há quem nem sequer se lembre do encontro.
Outros preferem não explicar. Depois de viver na clandestinidade durante parte do regime militar, o ex-ministro José Dirceu se tornou habitué dos holofotes com a redemocratização do país. Foi fundador e presidente do PT, elegeu-se três vezes deputado federal e comandou a estratégia que resultou na eleição de Lula para a Presidência da República. Como recompensa, foi alçado ao posto de ministro-chefe da Casa Civil.
Foi um período de ouro para ele. Dirceu comandava as articulações no Congresso, negociava indicações de ministros para tribunais superiores, decidia o preenchimento de cargos e influenciava os mais apetitosos nacos da administração federal, como estatais, bancos públicos e fundos de pensão. Dirceu se jactava da condição de “primeiro-ministro” e alimentava o próprio mito de homem poderoso.
Sua glória durou até que ele fosse abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, quando se descobriu que chefiava também um bando de vigaristas que assaltava os cofres públicos.
Desde então, tudo em que Dirceu se envolve é sempre enevoado por suspeitas. Oficialmente, ele ganha a vida como um bem-sucedido consultor de empresas instalado em São Paulo. Mas é em Brasília, na mais absoluta clandestinidade outra vez, que ele continua a exercer o seu principal talento.
A 3 quilômetros do Palácio do Planalto, Dirceu mostra que suas garras estão afiadas. Ainda é chamado de “ministro”, mantém um concorrido gabinete num quarto de hotel, tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, sua agenda está sempre recheada de audiências com próceres da República — ministros, senadores e deputados.
As autoridades é que vão a José Dirceu. Essa inversão de papéis poderia se explicar por uma natural demonstração de respeito pelos tempos em que ele era governo. Não é. É uma efetiva demonstração de que o chefão ainda é poderoso.
Dirceu tenta recuperar o prestígio político que tinha no governo Lula, usando como arma muitos aliados que ainda lhe beijam o rosto. Convoca-os como soldados, quando necessário, numa tentativa de pressionar a presidente Dilma a atender a suas demandas. Ou torná-la refém por meio da pressão dos partidos.
Esse trabalho de guerrilha — e, em alguns momentos, de evidente conspiração — chegou ao paroxismo durante a crise que resultou na queda de Antonio Palocci da Casa Civil.
Naquela ocasião, início de junho, Dirceu despachou diretamente de seu bunker instalado na área vip de um hotel cinco-estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas. Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Antonio Palocci e durante as quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão.
Articulação minuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e do seu grupo para influir nos acontecimentos que ocorriam naquela semana — acontecimentos que, descobre-se agora, contavam com a participação de figuras do próprio governo.
Em 8 de junho, numa quarta-feira, Dirceu recebeu no hotel a visita do ministro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel. Conversaram por 28 minutos. Sobre o quê? Pimentel diz não se lembrar da pauta nem de quem partiu a iniciativa do encontro. Admite, no entanto, falar com frequência com o ex-ministro sobre o contexto brasileiro.
É uma estranha aproximação, mas que encontra explicação na lógica que une e separa certos políticos de acordo com o interesse do momento. Próximo a Dilma desde quando era estudante, Pimentel defendeu, durante a campanha, a ideia de que a então candidata do PT se afastasse ao máximo de Dirceu.
Pimentel e Dirceu estavam em campos opostos. Naquela ocasião, o atual ministro do Desenvolvimento nutria o sonho de se tornar o futuro chefe da Casa Civil.
Perdeu a chance depois de Veja revelar que funcionários contratados por ele para trabalhar na campanha montaram um grupo de inteligência cujas tarefas envolviam, entre outras coisas, espionar e fabricar dossiês contra os adversários, principalmente o concorrente do PSDB à Presidência, José Serra.
No novo governo, Pimentel foi preterido na Casa Civil em favor de Palocci. O mesmo Palocci que, no primeiro mandato de Lula, disputava com Dirceu o status de homem forte do governo e de candidato natural à Presidência da República.
Um cacique petista tenta explicar a união recente de Pimentel com José Dirceu: “No PT, é comum adversários num determinado instante se aliarem mais à frente para atingir um objetivo comum. Isso ocorre quando há uma conjução de interesses.”
Será que Pimentel queria se vingar de Palocci, a quem considerava um rival dentro do governo?
Dois dias antes, na segunda-feira, Dirceu esteve com José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras. Gabrielli enfrenta um processo de fritura desde o fim do governo Lula. A presidente Dilma não cultiva nenhuma simpatia por ele. Palocci pretendia tirar Gabrielli do comando da estatal.
Gabrielli precisava — e precisa — do apoio, sobretudo do PT, para se manter no cargo. Dirceu é consultor de empresas do setor de petróleo e gás. Precisa manter-se bem informado no ramo para fazer dinheiro. É o famoso encontro da fome com a vontade de comer — ou conjunção de interesses.
O presidente da Petrobras, que trabalha no Rio de Janeiro, chegou à suíte ocupada pelo ex-ministro da Casa Civil, no 16º andar do hotel, ciceroneado por um ajudante de ordens. Permaneceu lá exatos trinta minutos. Ao sair, o presidente da Petrobras, que chegou ao quarto de mãos vazias, carregava alguns papeis consigo.
Perguntado sobre a visita, Gabrielli limitou-se a desconversar: “Sou amigo dele há muito tempo, e não tenho que comentar isso com ninguém”.
Naquela noite de segunda-feira, a demissão de Palocci já estava definida. O ministro não havia conseguido explicar a incrível fortuna que acumulou em alguns meses prestando serviços de consultoria — a mesma atividade de Dirceu.
Na terça-feira, horas antes da demissão de Palocci, Dirceu recebeu para uma conversa de 54 minutos três senadores do PT: Delcídio Amaral, Walter Pinheiro e Lindbergh Farias. Esse último conta que foi ele quem pediu a audiência.
Qual assunto? Falaram do furacão que assomava à porta da Casa Civil. “O ministro Dirceu nunca falou um ‘ai’ contra o Palocci. Pelo contrário, sempre tentou resolver a crise com a ajuda da nossa bancada”, garante Farias.
De fato, a bancada foi decisiva — mas para sepultar de vez a tentativa de Palocci de salvar a própria pele. Logo após o encontro com Dirceu, os três senadores foram a uma reunião da bancada do PT e recusaram-se a assinar uma nota em defesa do então ministro-chefe da Casa Civil. Alegaram que a proposta não havia sido combinada com o Planalto.
Existiam outros motivos para a falta de entusiasmo: o trio também estava insatisfeito com Palocci. Delcídio reclamava do fato de não conseguir emplacar aliados em representações de órgãos federais em Mato Grosso do
Sul, seu estado natal e berço político. “Num momento tenso como aquele, fui conversar com alguém que está sempre bem informado sobre os acontecimentos”, explicou Delcídio sobre o encontro com o poderoso chefão.
Pinheiro estava contrariado com a demissão de um petista do comando da Polícia Rodoviária Federal na Bahia. “O encontro foi para fornecer material para que ele publicasse um artigo sobre o projeto de lei que trata da produção audiovisual no país”, disse ele.
Lindbergh Farias, por seu turno, ainda digeria as tentativas fracassadas de ser recebido por Palocci. No fim da tarde de terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil entregou sua carta de demissão. E teve início a disputa pela sua sucessão.
Quando Gleisi Hoffmann já havia sido anunciada como substituta de Palocci, no mesmo dia 7 de junho, Dirceu recebeu o deputado petista Devanir Ribeiro. Foram 25 minutos de conversa. Já era sabido que, no rastro da saída de Palocci, Luiz Sérgio, um aliado de Dirceu, deixaria o ministério das Relações Institucionais.
Estava deflagrada a campanha para sucedê-lo — e Dirceu queria emplacar no cargo o deputado Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara.
Procurado por Veja, Devanir, que é compadre do presidente Lula, negou que tivesse ido ao hotel conversar com Dirceu. Um lapso de memória, como deixa claro a imagem nesta reportagem. “Faz muito tempo que eu não o vejo.”
Na quarta-feira, 8 de junho, pela manhã, as articulações de Dirceu continuaram a pleno vapor. Ele recebeu o próprio Vacarezza. Durante 25 minutos, trataram, segundo o líder, do congresso do PT que será realizado em setembro.
“Converso com o Dirceu com regularidade. Como o caso do Palocci era palpitante, é possível que tenha sido abordado, mas não foi o tema central”, afirma o deputado — que, no início do governo Dilma, chegou a dar entrevistas como o futuro presidente da Câmara, mas acabou convencido a desistir de disputar o cargo por ter perdido apoio dentro do PT.
A agenda do chefão não se limita aos companheiros de partido. Duas horas depois do encontro com Vacarezza, foi a vez de o senador peemedebista Eduardo Braga adentrar o hotel.
Segundo o parlamentar, ele e Dirceu se encontraram por obra do acaso, no lobby, uma coincidência. O senador conta que aproveitou a coincidência para auscultar os ânimos do PT sobre o projeto do novo Código Florestal: “Queria saber como o PT se posicionaria. Ninguém pode negar que a máquina partidária petista foi arquitetada e construída pelo Dirceu. Ele respira o partido”.
O PMDB também respira poder. Com o apoio de Dirceu, peemedebistas e petistas fecharam um acordo para pressionar o Planalto a indicar Vacarezza ao cargo de ministro de Relações Institucionais no lugar de Luiz Sérgio. A substituição nessa pasta foi realizada três dias depois da queda de Palocci.
Informada do plano de Dirceu, a presidente Dilma desmontou-o ao nomear para o cargo a ex-senadora Ideli Salvatti. A presidente já havia sido advertida por assessores do perigo de delegar poderes a companheiros que orbitam em torno de Dirceu.
Mas Dilma também conhece bem os caminhos da guerrilha política. Chamada de “minha camarada de armas” por ele quando lhe foi passado o comando da Casa Civil, em 2005, a presidente não perde de vista os passos do chefão. Como? Pedindo a algumas autoridades que visitam Dirceu em Brasília informações sobre suas ambições.
“A Dilma e o PT, principalmente o PT afinado com o Dirceu, vivem uma relação de amor e ódio. Mas hoje você não pode imaginar um rompimento entre eles”, diz um interlocutor de confiança da presidente e do ex-ministro.
E amanhã? Se Dilma se consolidar como uma presidente popular e, mais perigoso, um entrave a um novo mandato de Lula, o tal rompimento entra no campo das possibilidades. “Nunca a turma do PT foi tão lulista como hoje. Imagine em 2014”, afirma um cardeal do partido. Ele é mais um, como Dirceu, insatisfeito com o fato de a legenda não ter conseguido, como previra o ex-ministro, impor-se à presidente da República.
Dilma está resistindo bem. Uma faxina menos visível é a que ela está fazendo nos bancos públicos. Aos poucos, vem substituindo camaradas ligados a Dirceu por gente de sua confiança. E o chefão não está nada contente com isso. Tanto que tem alimentado o noticiário com denúncias contra pessoas muito próximas à presidente, naquele tipo de patriotismo interessado que lhe é peculiar.
Procurado por Veja, Dirceu não respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A suíte reservada permanentemente ao “ministro” custa 500 reais a diária. Para chegar de elevador, é preciso um cartão de acesso especial. Cada quarto do andar recebe uma única cópia.
Qualquer visita ao “ministro”, portanto, tem de ser conduzida ao andar. Esse trabalho de cicerone é feito por Alexandre Simas de Oliveira, um cabo da Aeronáutica, que foi assessor de Dirceu na Câmara dos Deputados até ele ter o mandato cassado.
Hoje, o cicerone é empregado do escritório de advocacia Tessele & Madalena, que tem como um dos donos outro ex-assessor de Dirceu, o advogado Hélio Madalena. O advogado já foi flagrado uma vez de caso com a máfia — a russa. Escutas feitas pela Polícia Federal mostraram que, na condição de assessor da Casa Civil, ele fazia lobby para conceder asilo político no Brasil ao magnata russo Boris Berezovski (mafioso acusado de corrupção e assassinato).
E Madalena foi flagrado outra vez na semana passada. É o seu escritório que paga a fatura do “gabinete” de José Dirceu. Na última quinta-feira, depois de ser indagado sobre o caso, Madalena instou a segurança do hotel Naoum a procurar uma delegacia de polícia para acusar o repórter de Veja de ter tentado invadir o apartamento que seu escritório aluga e, gentilmente, cede como “ocupação residencial” a José Dirceu.
O jornalista esteve mesmo no hotel, investigando, tentando descobrir que atração é essa que um homem acusado de chefiar uma quadrilha de vigaristas ainda exerce sobre tantas autoridades. Tentando descobrir por que o nome dele não consta da relação de hóspedes. Tentando descobrir por que uma empresa de advocacia paga a fatura de sua misteriosa “residência” em Brasília.
Enfim, tentando mostrar a verdade sobre as atividades de um personagem que age sempre na sombra. E conseguiu. Mas a máfia não perdoa.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Sarney e os argumentos do poder
Por FERNANDO GABEIRA
Em Brasília, rumo a São Paulo. Participei de um seminário sobre liberdade de expressão na Câmara. Em São Paulo, o tema será pegadas de carbono
Estou impressionado com a maneira como se manipula a lógica em Brasília. A sentença do TSJ que liberou os 300 salários, no funcionalismo, acima do piso constitucional é sintomática. O argumento é esse: a Constituição manda, mas os poderes são autônomos, logo o Senado tem o direito de contratar gente acima do teto constitucional.
Como se não bastasse isso, Sarney argumentou, depois, o uso de helicóptero, que é um chefe e tem direito a transporte gratuito por todo o país. O helicóptero era da Secretaria de Segurança do Maranhão.
Para retirar as malas de Sarney, um homem com traumatismo craniano teve de esperar algum tempo, antes de embarcar.
As malas do chefe são mais importantes que o traumatismo craniano de um maranhense. A decisão do Senado é mais importante que a Constituição pois o Senado é um poder autônomo.
Compreendo que tudo deva ser contestado dentro dos limites da democracia. Mas algum calor da sociedade deveria chegar a Sarney e ao desembargador que garantiu os salários acima da Constituição.
Já não se preocupam mais nem em argumentar seriamente.
domingo, 21 de agosto de 2011
O mito Lula precisa morrer se o Brasil contemporâneo quiser nascer. Ou: #DesencarnaLula!
Por Reinaldo Azevedo
As palavras fazem sentido. Essa é uma das mais antigas batalhas deste escriba. Têm aquele sentido estanque, do dicionário, elucidado por sinônimos ou perífrases. E têm o sentido que lhes conferem as circunstâncias, o contexto. Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a face mais visível da doença que toma conta da política brasileira, esteve ontem em Minas. E, mais uma vez, nos deu a oportunidade de ler as palavras pelo sentido que elas têm e interpretá-las pelos silêncios que enunciam. Voltou a negar que possa ser o candidato em 2014. E se pergunta então: “Por que um ex-presidente da República, que já havia anunciado que não seria candidato, nega que pretenda se candidatar se não for com o objetivo de que sua candidatura seja debatida como realidade plausível?” Vale dizer: as palavras de Lula devem ser lidas pelo avesso. Ele afirma o que nega; nega o que afirma.
Foi adiante: “Dilma só não será candidata se não quiser”. A oração subordinada adverbial condicional — “se não quiser” — traz uma hipótese com a qual ninguém contava até outro dia, muito menos os petistas, especialmente quando a mandatária não concluiu ainda o seu oitavo mês de governo. Então está dado que existe a possibilidade de Dilma não querer. É Lula quem sustenta isso. Em política, “querer” ou “não querer” depende mais da vontade de terceiros do que da própria. O Babalorixá, ele próprio, faz de tudo, já está claro a esta altura, para que ela não queira. Ou não se moveria no tabuleiro da política com tanta saliência.
Não estamos diante daquela situação em que a criatura se volta contra o criador, como o monstrengo criado por Doutor Victor Frankenstein. De certo modo, é o contrário: Lula padece de uma inveja patológica da sua criatura. Considera-se o dono de Dilma de Rousseff. E está profundamente insatisfeito com os rumos que as coisas estão tomando. A imagem da faxina, ainda que uma expressão usada pela imprensa, colou. Só se limpa o que está sujo. E a sujeira foi, sim, a herança maldita que caiu no colo da sucessora. É evidente que ela era da turma. E figura de proa. Tanto é que foi escolhida para conduzir o navio — ou, ao menos, para representar esse papel. Mas a dinâmica da política não depende, reitero, só de vontades. A sujeira começou a aparecer. E os “descontentes” só não estão na rua porque os nossos esquerdopatas transformaram sindicatos, ONGs, movimentos sociais e entidades de classe em sucursais do partido. O PT está hoje mais presente na sociedade do que o Baath no auge do poder de Saddam Hussein. Os tolos dirão: “Mas foi pela via democrática”. O aparelhamento é sempre uma afronta à democracia, jamais a sua expressão.
É inaceitável que um ex-presidente da República se coloque, de peito aberto, como uma espécie de articulador informal do governo, seu intérprete mais avalizado, seu condestável. E é o que Lula está fazendo, tentando empurrar Dilma para fora do tabuleiro, embora reafirme, claro, seu apoio à sucessora.
Ele é popular? E daí?
Eu estou pouco me lixando se o Apedeuta é ou não popular. Aliás, falar mal de impopulares é coisa que qualquer covarde pode fazer. Lula é, sim, o nome da “doença” da política brasileira — e vamos, então, ampliar a briga, porque aí o barulho fica bom —, assim como Getúlio Vargas já foi um dia e, em muitos aspectos, ainda é. As pessoas têm os seus valores, e eu também. Não nutro a menor simpatia por um líder fascistóide, que prendeu, torturou e matou nas masmorras. “Ah, mas ele fundou o Brasil moderno!” Que Brasil moderno? O Getúlio do Estado Novo compôs com todas as forças reacionárias com a qual a dita Revolução de 30 prometia acabar — de fato, em certo sentido, Lula mimetiza Getúlio… Não leio a sua carta de suicídio sem atentar para o seu lado patético, sua literatice chula, seus contrastes vigaristas entre os “bons” e os “maus”, sua irresponsabilidade fundamental. Não se deve especular, por pudor, sobre a razão dos suicidas — desde que o sujeito não decida “sair da vida para entrar na história”. Arghhh… Politicamente, e é de política que falo, teria sido bem mais corajoso enfrentar seus acusadores. Era grande a chance de que terminasse deposto e na cadeia.
Essas almas “intensas”, “amorosas”, ” passionais”, “carismáticas” deseducam o povo e conduzem os países, com freqüência, ao desastre. Muito bem: Getúlio era fruto de um tempo que produziu varias formas do fascismo mundo afora — e aqui também, portanto. Mas os outros países exorcizaram seus fascistas. Nós amamos os nossos. Ou melhor: “eles” (porque não sou da turma) amam os deles. É claro que a “moral revolucionária” das esquerdas, muito especialmente dos comunistas, colaborou para isso. Luiz Carlos Prestes saiu da cadeia, onde tinha sido barbaramente torturado pela polícia de Getúlio — sua mulher, Olga, tinha sido deportada grávida para a Alemanha, onde foi morta — para subir no palanque do ditador contra “as forças do imperialismo”. Olga estava longe de ser a heroína pintada pelo chavista (e agora biógrafo de Lula) Fernando Morais. Mas isso não livra a cara de Getúlio.
Eu não opero com uma balança em que a canalhice é posta num prato, e as conquistas, noutro, em busca de um equilíbrio. Findo o estado novo, o lugar de Getúlio era a cadeia, não tentando voltar ao poder, aí pela via democrática, com o apoio dos comunas, que odiavam a democracia… Que circo nojento! Por que falo de Getúlio? Porque estepaiz ainda vive à mercê desses redentores — e Lula ocupou esse papel, à custa de uma máquina de mentiras e de manipulação da informação de fazer inveja ao DIP getulista. Não! Não tenho absolutamente nada de pessoal contra o Babalorixá. Até me policio um pouquinho para não me deixar tocar minimamente por sua inegável simpatia pessoal — quando não está sobre um palanque, possuído pelo ogro eleitoral. É a sua figura política que é nefasta, que deseduca, que desinforma, que dá sobrevida ao que há de mais atrasado na política .
O mito Lula precisa morrer — não o Lula! Que tenha tataranetos, mas sem passaporte diplomático! — se um Brasil minimamente afinado com a contemporaneidade quer nascer. O homem está mobilizando o seu partido e outros da base aliada contra um movimento — ainda incipiente, que é mais da sociedade do que de Dilma, é óbvio — contra a corrupção! Esse Shrek do Mal está tentando nos convencer de que a sem-vergonhice é um preço que o Brasil precisa pagar para avançar. E não é! Uma coisa é admitir que o malfeito existe, é parte da política e precisa ser extirpado. Outra, distinta, é encará-lo como virtude.
No momento em que ministros atolados em lambanças perdem seus cargos, o que faz o “pai do povo”? Sai por aí estimulando, na prática, o debate sobre a sucessão de Dilma, que está no poder há menos de oito meses. Em defesa do que mesmo? De quais princípios? Se isso não é uma forma de chantagem política, é o quê?
O Brasil avança, sim! Avança apesar da corrupção e do permanente assalto ao dinheiro público. Avança pela força dos brasileiros que trabalham, apesar dos vagabundos que vivem do esforço alheio; avança pela capacidade empreendedora dos seus empresários, apesar daqueles que vivem do compadrio e dos favores do estado; avança pela força — e eles existem — dos políticos honestos, apesar da escória que entra na vida pública para se arrumar.
E é isto que precisamos ter muito claro: OS DEFEITOS DA VIDA PÚBLICA BRASILEIRA DEFEITOS SÃO, E NÃO VIRTUDES! Por mais que pareça absurdo a muitos, O BRASIL AVANÇA APESAR DE LULA, NÃO POR CAUSA DELE.
Ele havia prometido “desencarnar”, vocês se lembram. Mais uma vez, não cumpriu uma promessa. É chegada a hora de fazer uma campanha pública: #DesencarnaLula!
As palavras fazem sentido. Essa é uma das mais antigas batalhas deste escriba. Têm aquele sentido estanque, do dicionário, elucidado por sinônimos ou perífrases. E têm o sentido que lhes conferem as circunstâncias, o contexto. Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a face mais visível da doença que toma conta da política brasileira, esteve ontem em Minas. E, mais uma vez, nos deu a oportunidade de ler as palavras pelo sentido que elas têm e interpretá-las pelos silêncios que enunciam. Voltou a negar que possa ser o candidato em 2014. E se pergunta então: “Por que um ex-presidente da República, que já havia anunciado que não seria candidato, nega que pretenda se candidatar se não for com o objetivo de que sua candidatura seja debatida como realidade plausível?” Vale dizer: as palavras de Lula devem ser lidas pelo avesso. Ele afirma o que nega; nega o que afirma.
Foi adiante: “Dilma só não será candidata se não quiser”. A oração subordinada adverbial condicional — “se não quiser” — traz uma hipótese com a qual ninguém contava até outro dia, muito menos os petistas, especialmente quando a mandatária não concluiu ainda o seu oitavo mês de governo. Então está dado que existe a possibilidade de Dilma não querer. É Lula quem sustenta isso. Em política, “querer” ou “não querer” depende mais da vontade de terceiros do que da própria. O Babalorixá, ele próprio, faz de tudo, já está claro a esta altura, para que ela não queira. Ou não se moveria no tabuleiro da política com tanta saliência.
Não estamos diante daquela situação em que a criatura se volta contra o criador, como o monstrengo criado por Doutor Victor Frankenstein. De certo modo, é o contrário: Lula padece de uma inveja patológica da sua criatura. Considera-se o dono de Dilma de Rousseff. E está profundamente insatisfeito com os rumos que as coisas estão tomando. A imagem da faxina, ainda que uma expressão usada pela imprensa, colou. Só se limpa o que está sujo. E a sujeira foi, sim, a herança maldita que caiu no colo da sucessora. É evidente que ela era da turma. E figura de proa. Tanto é que foi escolhida para conduzir o navio — ou, ao menos, para representar esse papel. Mas a dinâmica da política não depende, reitero, só de vontades. A sujeira começou a aparecer. E os “descontentes” só não estão na rua porque os nossos esquerdopatas transformaram sindicatos, ONGs, movimentos sociais e entidades de classe em sucursais do partido. O PT está hoje mais presente na sociedade do que o Baath no auge do poder de Saddam Hussein. Os tolos dirão: “Mas foi pela via democrática”. O aparelhamento é sempre uma afronta à democracia, jamais a sua expressão.
É inaceitável que um ex-presidente da República se coloque, de peito aberto, como uma espécie de articulador informal do governo, seu intérprete mais avalizado, seu condestável. E é o que Lula está fazendo, tentando empurrar Dilma para fora do tabuleiro, embora reafirme, claro, seu apoio à sucessora.
Ele é popular? E daí?
Eu estou pouco me lixando se o Apedeuta é ou não popular. Aliás, falar mal de impopulares é coisa que qualquer covarde pode fazer. Lula é, sim, o nome da “doença” da política brasileira — e vamos, então, ampliar a briga, porque aí o barulho fica bom —, assim como Getúlio Vargas já foi um dia e, em muitos aspectos, ainda é. As pessoas têm os seus valores, e eu também. Não nutro a menor simpatia por um líder fascistóide, que prendeu, torturou e matou nas masmorras. “Ah, mas ele fundou o Brasil moderno!” Que Brasil moderno? O Getúlio do Estado Novo compôs com todas as forças reacionárias com a qual a dita Revolução de 30 prometia acabar — de fato, em certo sentido, Lula mimetiza Getúlio… Não leio a sua carta de suicídio sem atentar para o seu lado patético, sua literatice chula, seus contrastes vigaristas entre os “bons” e os “maus”, sua irresponsabilidade fundamental. Não se deve especular, por pudor, sobre a razão dos suicidas — desde que o sujeito não decida “sair da vida para entrar na história”. Arghhh… Politicamente, e é de política que falo, teria sido bem mais corajoso enfrentar seus acusadores. Era grande a chance de que terminasse deposto e na cadeia.
Essas almas “intensas”, “amorosas”, ” passionais”, “carismáticas” deseducam o povo e conduzem os países, com freqüência, ao desastre. Muito bem: Getúlio era fruto de um tempo que produziu varias formas do fascismo mundo afora — e aqui também, portanto. Mas os outros países exorcizaram seus fascistas. Nós amamos os nossos. Ou melhor: “eles” (porque não sou da turma) amam os deles. É claro que a “moral revolucionária” das esquerdas, muito especialmente dos comunistas, colaborou para isso. Luiz Carlos Prestes saiu da cadeia, onde tinha sido barbaramente torturado pela polícia de Getúlio — sua mulher, Olga, tinha sido deportada grávida para a Alemanha, onde foi morta — para subir no palanque do ditador contra “as forças do imperialismo”. Olga estava longe de ser a heroína pintada pelo chavista (e agora biógrafo de Lula) Fernando Morais. Mas isso não livra a cara de Getúlio.
Eu não opero com uma balança em que a canalhice é posta num prato, e as conquistas, noutro, em busca de um equilíbrio. Findo o estado novo, o lugar de Getúlio era a cadeia, não tentando voltar ao poder, aí pela via democrática, com o apoio dos comunas, que odiavam a democracia… Que circo nojento! Por que falo de Getúlio? Porque estepaiz ainda vive à mercê desses redentores — e Lula ocupou esse papel, à custa de uma máquina de mentiras e de manipulação da informação de fazer inveja ao DIP getulista. Não! Não tenho absolutamente nada de pessoal contra o Babalorixá. Até me policio um pouquinho para não me deixar tocar minimamente por sua inegável simpatia pessoal — quando não está sobre um palanque, possuído pelo ogro eleitoral. É a sua figura política que é nefasta, que deseduca, que desinforma, que dá sobrevida ao que há de mais atrasado na política .
O mito Lula precisa morrer — não o Lula! Que tenha tataranetos, mas sem passaporte diplomático! — se um Brasil minimamente afinado com a contemporaneidade quer nascer. O homem está mobilizando o seu partido e outros da base aliada contra um movimento — ainda incipiente, que é mais da sociedade do que de Dilma, é óbvio — contra a corrupção! Esse Shrek do Mal está tentando nos convencer de que a sem-vergonhice é um preço que o Brasil precisa pagar para avançar. E não é! Uma coisa é admitir que o malfeito existe, é parte da política e precisa ser extirpado. Outra, distinta, é encará-lo como virtude.
No momento em que ministros atolados em lambanças perdem seus cargos, o que faz o “pai do povo”? Sai por aí estimulando, na prática, o debate sobre a sucessão de Dilma, que está no poder há menos de oito meses. Em defesa do que mesmo? De quais princípios? Se isso não é uma forma de chantagem política, é o quê?
O Brasil avança, sim! Avança apesar da corrupção e do permanente assalto ao dinheiro público. Avança pela força dos brasileiros que trabalham, apesar dos vagabundos que vivem do esforço alheio; avança pela capacidade empreendedora dos seus empresários, apesar daqueles que vivem do compadrio e dos favores do estado; avança pela força — e eles existem — dos políticos honestos, apesar da escória que entra na vida pública para se arrumar.
E é isto que precisamos ter muito claro: OS DEFEITOS DA VIDA PÚBLICA BRASILEIRA DEFEITOS SÃO, E NÃO VIRTUDES! Por mais que pareça absurdo a muitos, O BRASIL AVANÇA APESAR DE LULA, NÃO POR CAUSA DELE.
Ele havia prometido “desencarnar”, vocês se lembram. Mais uma vez, não cumpriu uma promessa. É chegada a hora de fazer uma campanha pública: #DesencarnaLula!
Galinha em Palácio
Uma solitária e inocente galinha preta rondava, por volta das 16h da última quinta-feira (18), o Palácio Senador Hélio Campos. Não se sabe quem esqueceu a bichinha ali.
Antes que algum engraçadinho comece a tecer ilações desairosas, acredito que a representante do reino galináceo haja caído de alguma carroceria. O dono não percebeu a perda.
Antes que algum engraçadinho comece a tecer ilações desairosas, acredito que a representante do reino galináceo haja caído de alguma carroceria. O dono não percebeu a perda.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Frase do dia
"Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão".
Eça de Queiróz
Eça de Queiróz
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
O Passarinho e a Oração
Mateus: 06;26-34
João...: 15:01-08
Você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio sem cair?
Como é que ele consegue isso?
Se nós tentássemos dormir assim, iríamos cair e quebrar o pescoço.
O segredo está nos tendões das pernas do passarinho. Eles são constituídos de forma que, quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho pra voar. O joelho dobrado é o que dá ao passarinho a força para segurar qualquer coisa. É uma maravilha não é? Que desenho incrível que o Criador fez para segurar o passarinho! Mas não é tão diferente em nós.
Quando nosso “GALHO” na vida fica precário, quando tudo está ameaçado de cair, a maior segurança, a maior estabilidade, nos vem de um joelho dobrado, dobrado em oração. Se você algumas vezes, se vê em um emaranhado de problemas que o fazem perder a fé, desanimar de caminhar, não caminhe mais sozinho. Jesus quer fortalecê-lo, e caminhar consigo por toda a sua vida. É Ele quem renova a suas forças e a sua fé, e se Ele cuida de um passarinho, imagine o que não fará por você, Seu Filho Amado, Basta você crer!
João 15.7 – “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiseres e vos será feito.”
1ª Pedro 5.7 – “Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade porque Ele tem cuidado de vós.”
(Ilustração recebida do Pr. José Teixeira Rocha, por e-mail )
João...: 15:01-08
Você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio sem cair?
Como é que ele consegue isso?
Se nós tentássemos dormir assim, iríamos cair e quebrar o pescoço.
O segredo está nos tendões das pernas do passarinho. Eles são constituídos de forma que, quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho pra voar. O joelho dobrado é o que dá ao passarinho a força para segurar qualquer coisa. É uma maravilha não é? Que desenho incrível que o Criador fez para segurar o passarinho! Mas não é tão diferente em nós.
Quando nosso “GALHO” na vida fica precário, quando tudo está ameaçado de cair, a maior segurança, a maior estabilidade, nos vem de um joelho dobrado, dobrado em oração. Se você algumas vezes, se vê em um emaranhado de problemas que o fazem perder a fé, desanimar de caminhar, não caminhe mais sozinho. Jesus quer fortalecê-lo, e caminhar consigo por toda a sua vida. É Ele quem renova a suas forças e a sua fé, e se Ele cuida de um passarinho, imagine o que não fará por você, Seu Filho Amado, Basta você crer!
João 15.7 – “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiseres e vos será feito.”
1ª Pedro 5.7 – “Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade porque Ele tem cuidado de vós.”
(Ilustração recebida do Pr. José Teixeira Rocha, por e-mail )
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Haja honestidade!
Por Francisco Espiridião
Num horário próximo ao meio dia desta segunda-feira (8), enquanto esperava a marmita numa determinada cozinha, em Boa Vista, tive o desprazer de ver, ainda que involuntariamente, cenas brutais exibidas no programa televisivo do Mário César. Não me perguntem o canal.
Foram menos de 10 minutos, tempo, porém, suficiente para perceber imagens de três jovens destroçados. Sangue vertendo na ilharga do asfalto, misturando-se a restos de areia e água da chuva. Rostos desfigurados por pauladas desfechadas não se sabe por quem.
É a força das galeras. Elas voltaram com gosto de gás. E pior: esse bando de crianças e adolescentes travestidos de rambos de terceira categoria só tende a crescer. Durante o dia, parecem viver em buracos, feito ratos. No meio da noite, mostram os dentes afiados. E quem for fraco que não se meta a besta de ficar na frente.
Tudo, resultado da Constituição Cidadã, que instituiu direitos sem a contrapartida dos deveres. Sem medo de errar, pode-se pôr tudo na conta do tal “politicamente correto”, que sacramenta um ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que tira da criança toda e qualquer responsabilidade por seus atos, deixando-a à mercê da irresponsabilidade.
Irresponsabilidade da autoridade, que não se sente à vontade para recolher o menor que perambula pelas ruas após determinado horário da noite, até porque não tem para onde levá-lo (para a delegacia?). Irresponsabilidade do Estado, que desautoriza os pais a mantê-los ocupados com um trabalho, ínfimo que seja.
Irresponsabilidade da família que, muitas vezes, já perdeu o pátrio poder em função da soberba legislação que demoniza o modelo de criação autorizado pela soberana Palavra de Deus (a Bíblia – Provérbios 13.24; 23:13), criminalizando até mesmo a simples palmada disciplinadora. Enfim...
Há no Brasil 8 milhões de crianças abandonadas, segundo o IBGE. Quase uma para cada quilômetro quadrado. Dois milhões delas vivem nas ruas, vendendo proteção de carros em logradouros públicos, como praças e áreas externas de supermercados, quando não cheirando cola e inalando – ou ingerindo – drogas pesadas.
Nos Estados Unidos, que tem mais de uma vez e meia a população brasileira, são 500 mil crianças abandonadas. Com um diferencial importante: todas contam com abrigos mantidos pelo governo norte-americano, onde recebem educação e alimento.
A pergunta que fica é: por que tantas mazelas com nossas crianças? O que o governo faz com tantos impostos recolhidos? Segundo o Impostômetro, até a última sexta-feira (5) já haviam migrado dos bolsos dos brasileiros para os cofres do governo federal nada menos que 800 bilhões de reais em impostos.
Enquanto isso, nossas crianças e adolescentes ficam jogados ao léu, matando e sendo mortos precocemente. Os recursos do erário? Boa parte é criminosa e vergonhosamente canalizada para o bolso de autoridades outras que, inescrupulosamente, posam de homens honestos.
E haja honestidade!
NA.: Esta crônica foi publicada com incorreções no site Fontebrasil, pelo que pedimos desculpas aos leitores.
Num horário próximo ao meio dia desta segunda-feira (8), enquanto esperava a marmita numa determinada cozinha, em Boa Vista, tive o desprazer de ver, ainda que involuntariamente, cenas brutais exibidas no programa televisivo do Mário César. Não me perguntem o canal.
Foram menos de 10 minutos, tempo, porém, suficiente para perceber imagens de três jovens destroçados. Sangue vertendo na ilharga do asfalto, misturando-se a restos de areia e água da chuva. Rostos desfigurados por pauladas desfechadas não se sabe por quem.
É a força das galeras. Elas voltaram com gosto de gás. E pior: esse bando de crianças e adolescentes travestidos de rambos de terceira categoria só tende a crescer. Durante o dia, parecem viver em buracos, feito ratos. No meio da noite, mostram os dentes afiados. E quem for fraco que não se meta a besta de ficar na frente.
Tudo, resultado da Constituição Cidadã, que instituiu direitos sem a contrapartida dos deveres. Sem medo de errar, pode-se pôr tudo na conta do tal “politicamente correto”, que sacramenta um ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que tira da criança toda e qualquer responsabilidade por seus atos, deixando-a à mercê da irresponsabilidade.
Irresponsabilidade da autoridade, que não se sente à vontade para recolher o menor que perambula pelas ruas após determinado horário da noite, até porque não tem para onde levá-lo (para a delegacia?). Irresponsabilidade do Estado, que desautoriza os pais a mantê-los ocupados com um trabalho, ínfimo que seja.
Irresponsabilidade da família que, muitas vezes, já perdeu o pátrio poder em função da soberba legislação que demoniza o modelo de criação autorizado pela soberana Palavra de Deus (a Bíblia – Provérbios 13.24; 23:13), criminalizando até mesmo a simples palmada disciplinadora. Enfim...
Há no Brasil 8 milhões de crianças abandonadas, segundo o IBGE. Quase uma para cada quilômetro quadrado. Dois milhões delas vivem nas ruas, vendendo proteção de carros em logradouros públicos, como praças e áreas externas de supermercados, quando não cheirando cola e inalando – ou ingerindo – drogas pesadas.
Nos Estados Unidos, que tem mais de uma vez e meia a população brasileira, são 500 mil crianças abandonadas. Com um diferencial importante: todas contam com abrigos mantidos pelo governo norte-americano, onde recebem educação e alimento.
A pergunta que fica é: por que tantas mazelas com nossas crianças? O que o governo faz com tantos impostos recolhidos? Segundo o Impostômetro, até a última sexta-feira (5) já haviam migrado dos bolsos dos brasileiros para os cofres do governo federal nada menos que 800 bilhões de reais em impostos.
Enquanto isso, nossas crianças e adolescentes ficam jogados ao léu, matando e sendo mortos precocemente. Os recursos do erário? Boa parte é criminosa e vergonhosamente canalizada para o bolso de autoridades outras que, inescrupulosamente, posam de homens honestos.
E haja honestidade!
NA.: Esta crônica foi publicada com incorreções no site Fontebrasil, pelo que pedimos desculpas aos leitores.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Política
Quem morre pela boca é peixe, não pavão
Blog da Lúcia
Alguém realmente acredita que o ministro Jobim disse o que disse sem pensar, inadvertidamente?
Só quem não o conhece.
Jobim e Dilma Rousseff nunca se bicaram. Nunca se entenderam. Não se suportam.
Mas Lula, sempre ele, pediu a Dilma que mantivesse Jobim no Ministério da Defesa, alegando que ele se dá bem com os militares, que o plano nacional de defesa estava bem encaminhado, que isso, que aquilo. Resultado: Jobim ficou no ministério.
Mas o ministro não queria ficar.
Comprou apartamento em São Paulo, queria sair do governo para, quem sabe, candidatar-se a um cargo no ano que vem, ou mesmo trabalhar com o amigo José Serra numa eventual prefeitura do amigo e padrinho — isso se Serra decidir ser candidato a prefeito em 2012.
Talvez candidato a vice de Serra em 2014.
O fato é que Jobim decidiu sair do governo. Mas não queria pedir demissão.
Se pedisse, Dilma se sentiria livre para nomear quem quisesse. E Aldo Rebelo (PCdoB) já se assanhava para assumir a pasta.
Mas o PMDB considera que a pasta da Defesa é do partido. Para isso, Jobim precisava ser demitido por Dilma.
Daí a sequência infindável de grosserias, manifestações de falta de educação, descortesia, arrogância, pavonice.
Tudo de caso pensado. Tudo de língua trançada com a cúpula do PMDB.
Por trás das cortinas, movimentava-se Wellington Moreira Franco, atual secretário de Assuntos Estratégicos, cargo decorativo, que significa praticamente coisa nenhuma.
Moreira está há semanas articulando para credenciar-se junto às Forças Armadas como sucessor de Jobim.
Moreira é ligadíssimo ao vice-presidente Michel Temer. Bingo!
Ali não tem nenhum bobo.
Jobim é um pavão, não é um parvo. Jamais faria um papelão desses se não houvesse um projeto que o justificasse.
Peixes morrem pela boca. Pavões abrem o leque e cumprem missões.
Mas… Como ensinava o dr. Tancredo Neves, esperteza quando é muita, cresce e come o dono.
De nada adiantou a armação de Jobim, Moreira e Temer.
O escolhido de Dilma foi o ex-chanceler Celso Amorim
Que Deus se apiede das Forças Armadas!
(Transcrito do Blog do Ricardo Noblat)
Blog da Lúcia
Alguém realmente acredita que o ministro Jobim disse o que disse sem pensar, inadvertidamente?
Só quem não o conhece.
Jobim e Dilma Rousseff nunca se bicaram. Nunca se entenderam. Não se suportam.
Mas Lula, sempre ele, pediu a Dilma que mantivesse Jobim no Ministério da Defesa, alegando que ele se dá bem com os militares, que o plano nacional de defesa estava bem encaminhado, que isso, que aquilo. Resultado: Jobim ficou no ministério.
Mas o ministro não queria ficar.
Comprou apartamento em São Paulo, queria sair do governo para, quem sabe, candidatar-se a um cargo no ano que vem, ou mesmo trabalhar com o amigo José Serra numa eventual prefeitura do amigo e padrinho — isso se Serra decidir ser candidato a prefeito em 2012.
Talvez candidato a vice de Serra em 2014.
O fato é que Jobim decidiu sair do governo. Mas não queria pedir demissão.
Se pedisse, Dilma se sentiria livre para nomear quem quisesse. E Aldo Rebelo (PCdoB) já se assanhava para assumir a pasta.
Mas o PMDB considera que a pasta da Defesa é do partido. Para isso, Jobim precisava ser demitido por Dilma.
Daí a sequência infindável de grosserias, manifestações de falta de educação, descortesia, arrogância, pavonice.
Tudo de caso pensado. Tudo de língua trançada com a cúpula do PMDB.
Por trás das cortinas, movimentava-se Wellington Moreira Franco, atual secretário de Assuntos Estratégicos, cargo decorativo, que significa praticamente coisa nenhuma.
Moreira está há semanas articulando para credenciar-se junto às Forças Armadas como sucessor de Jobim.
Moreira é ligadíssimo ao vice-presidente Michel Temer. Bingo!
Ali não tem nenhum bobo.
Jobim é um pavão, não é um parvo. Jamais faria um papelão desses se não houvesse um projeto que o justificasse.
Peixes morrem pela boca. Pavões abrem o leque e cumprem missões.
Mas… Como ensinava o dr. Tancredo Neves, esperteza quando é muita, cresce e come o dono.
De nada adiantou a armação de Jobim, Moreira e Temer.
O escolhido de Dilma foi o ex-chanceler Celso Amorim
Que Deus se apiede das Forças Armadas!
(Transcrito do Blog do Ricardo Noblat)
Assinar:
Postagens (Atom)


