sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Chico Rodrigues participa de posse da diretoria da Fampec

Por Francisco Espiridião/Secom

Edinaldo Moraes

Chico Rodrigues incentiva micro e pequenos empresários roraimenses

O vice-governador Chico Rodrigues participou, na noite dessa quarta-feira (7), da reunião de posse da nova diretoria da Federação das Associações das Micro e Pequenas Empresas de Roraima (Fampec). O encontro aconteceu no auditório do Sebrea/RR. A Federação foi reativada este ano, depois de algum tempo paralisada. Tem como presidente o vereador boa-vistense e microempresário Edilberto Veras.

O auditório do Sebrae/RR ficou pequeno para receber os micro e pequenos empresários convidados para o ato. O presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe), Ercílio Santinoni, exaltou a iniciativa de reativar a entidade em Roraima. Para ele, só a união dos pequenos e micro poderá fortalecer a classe.

Mais respeito – Para o vice-governador, os micro e pequenos empresários precisam ser vistos com mais respeito. A categoria, segundo ele, gera cerca de 90% dos empregos no País. “Em Roraima são quase 26 mil microempresas consolidadas, gerando o desenvolvimento. A cada dia, a cada mês, nascem novos estabelecimentos comerciais”, ressaltou Chico Rodrigues.

O vice-governador foi solidário com a classe empresarial, no que concerne aos gargalos que ela tem de enfrentar, entre eles, a alta carga tributária, principalmente da esfera federal. Mas ressaltou o desenvolvimento experimentado pelo estado ao longo dos anos.

Entre os pontos importantes, Chico Rodrigues destacou a energia perene, não só na capital, como também em milhares de propriedades rurais, a revitalização da malha viária, com asfaltamento de cerca de 200 quilômetros de vicinais, a melhoria da BR-174, que permite sair de Boa Vista e chegar a Manaus num período entre sete e oito horas de viagem, entre outros avanços.

A  Fampec – Edilberto Veras disse que a Federação das Associações das Micro e Pequenas Empresas de Roraima foi reativada com a missão de representar, promover e defender a causa das micro e pequenas empresas, bem como dos empreendedores individuais  do estado.

Tem como objetivo, segundo ele, estimular a cultura do associativismo, fortalecer e consolidar o sistema de representatividade das micro e pequenas empresas roraimenses e organizar e promover eventos voltados para a integração das microempresas, empresas de pequeno porte e empreendedores individuais.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A educação na contramão da história

Por Ricardo Guedes - O Globo

 

A introdução de cotas na USP e no sistema universitário brasileiro é um verdadeiro absurdo.

No Brasil, sabe-se pouca matemática. Com o 6º PIB do mundo, em dois rankings diferentes, o Brasil ocupa o 53º lugar dentre 65 países no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, e o 116º lugar dentre 144 países no ranking do Fórum Econômico Mundial.

É nítido o esforço do governo brasileiro no aumento do número de estudantes nos níveis fundamental, médio e universitário, o que resulta no aumento do IDH, mas aprende-se pouco no Brasil, com qualidade que deixa a desejar.

A nota média de matemática no ENEM fica bem abaixo dos 50%, ou seja, o aluno brasileiro aprende menos que 50% da grade formal do ensino no país.

A introdução de cotas vai no sentido contrário da excelência.

A USP ocupa hoje a 45ª posição nos rankings internacionais, a única universidade da América Latina a ocupar uma posição entre as 100 melhores do mundo.


Após a derrota na Revolução Constitucionalista de 1932, a USP foi criada em 1934 “para retomar a hegemonia política através das ideias, e não através da força”, segundo seus fundadores.

A criação da USP assemelha-se em muito à fundação da Universidade de Berlim, em 1808, quando a Alemanha estava enfraquecida pelas Guerras Napoleônicas.

Seu objetivo era a geração do conhecimento pelo conhecimento, com a qualidade e a excelência necessárias à apreensão e compreensão do conhecimento organizado.

Teodoro Ramos, matemático brasileiro, foi então designado para trazer para a USP os melhores talentos do exterior. Para a Física veio Gleb Wataghin, discípulo de Enrico Fermi, físico que pela primeira vez quebrou o átomo de forma controlada em 1942. Para as Ciências Sociais, Levi Strauss, que formou gerações de pensadores brasileiros. Dentre outros.

Do Departamento de Física resultou a indústria eletrônica no Brasil, o ITA, a Embraer, e nossa capacidade de utilizar a energia atômica. Do de Ciências Sociais, pesquisas socioeconômicas que tanto nos beneficiaram. E muito mais, em diversas áreas, como química, medicina, e inúmeras outras.

É através da ciência pela ciência que se chega ao conhecimento prático, de utilidade. As tentativas da implantação de uma “ciência natural dialética” na Rússia de Josef Stalin, ou na China, durante a Revolução Cultural Proletária de Mao Tse Tung, não deram certo, sendo substituídas por centros de excelência.

Enquanto o MIT e Harvard garantem recursos para os selecionados com alto nível de rendimento intelectual e científico, independentemente de classe, etnia, nacionalidade ou grupo social, aqui se estabelece previamente cotas para grupos sociais específicos, como se a ciência pudesse ser aprendida por decreto.

Há falta de qualidade no ensino básico, equívoco e retrocesso no ensino universitário.

Precisamos de excelência para o desenvolvimento e gestão do país.

Ricardo Guedes, Licenciado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, é Diretor-Presidente do Instituto de Pesquisa Sensus.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Veja quais são os 11 comportamentos mais insuportáveis do Facebook

Por Alessandra Oggioni/iG São Paulo
Publicada em 05/08/2013 07:22:56
Foto: iG
 
O jogador viciado não para de disparar solicitações para você jogar com ele
O jogador viciado não para de disparar solicitações para você jogar com ele
 
Você se loga no Facebook e pronto: lá está aquele amigo postando intermináveis mensagens de autoajuda ou outro que só sabe falar mal do time alheio. Mas... e se quem faz isso é você? Este tipo de comportamento pode incomodar muita gente. “Quem está nas redes tem que ser um ator social: trazer informação, mostrar dados bacanas e dar opinião sobre temas em alta”, diz Nino Carvalho, consultor em estratégias digitais e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Apesar de ser um espaço democrático, no qual cada um pode postar o que quiser e dar pitacos sobre os mais variados assuntos, o Facebook mantém tudo que for postado em seu perfil. Portanto, é preciso ter cuidado para não ofender ninguém, nem queimar o próprio filme no mercado de trabalho. “Muitas empresas definem o candidato para uma vaga a partir do que ele coloca nas redes sociais. Por isso, evite postar coisas que possam prejudicar você”, alerta Gil Giardelli, professor de Marketing Digital da FIA-USP e ESPM e autor do livro “Você é o que Você Compartilha” (Gente, 2012).

Respeitar a opinião de outro, posicionar-se com educação e gentileza sobre temas polêmicos, não lavar “roupa suja” em público e não ser repetitivo em um determinado assunto são dicas valiosas para passar longe dos comportamentos mais insuportáveis no Facebook. Veja quais são os 11 papéis mais irritantes da rede e não faça papelão.

1. O rei das correntes
Cuidado ao compartilhar correntes, mensagens de humor e autoajuda. A repetição excessiva pode fazer com que você seja tachado de chato e acabe até bloqueado. “O Facebook é um espaço público, mas não seja ‘samba de uma nota só’. É bacana variar os temas”, comenta a consultora de etiqueta Célia Leão. Atenção também ao postar denúncias contra maus tratos de animais e fotos de pessoas desaparecidas. Tente confirmar a informação antes de sair repassando tudo o que vê.

2. O jogador viciado
Disparar requisições de aplicativos para todo mundo indiscriminadamente também pode irritar os amigos – especialmente convites de jogos. Se convidou a pessoa uma vez e ela não se pronunciou, retire-a da sua lista de pedidos. Também fique atento aos convites automáticos. “Muitas vezes, o que acontece é que você concorda com uma configuração do jogo e o sistema começa a enviar convites a todos. Mas isso pode ser cancelado em personalizações. Não precisa bloquear o amigo por causa disso”, explica o professor Gil Giardelli.

3. O lavador de “roupa suja”
Todo mundo tem dias difíceis e problemas a serem resolvidos, mas usar a rede social para se lamentar sobre o trabalho, fazer desabafo a respeito do vizinho ou dar indiretas ao marido que anda pisando na bola não são atitudes legais. “Não pode lavar a ‘roupa suja’ com namorado, pais, amigos e chefe em público. Vale lembrar que lá tudo está sendo compartilhado e vigiado”, diz Gil Giardelli. As indiretas ainda podem ter um efeito pior. Você pode mandar um “recado” para o João e atingir o Pedro. Portanto, se quer dar bronca ou cobrar alguém, faça isso por mensagem privada.

4. O sem assunto
“Agora é tomar um banho e cama”. Dizer cada passo que se dá ao longo do dia pode cansar os amigos e demonstrar falta de “conteúdo”. Portanto, relate momentos realmente importantes e evite banalidades cotidianas. “Para quem não tem o que dizer, é melhor não dizer nada. Assim, corre-se menos riscos de falar bobagem ou parecer exibicionista”, alerta a consulta de etiqueta Célia Leão.

5. O queima filme (dos amigos)
Marcar os amigos em fotos impróprias – passando mal pós-balada ou mostrando a saia curtinha da colega de trabalho – pode causar estragos sérios. “É muito ruim sair marcando zillhares de pessoas em uma mensagem qualquer, só para ter visibilidade ou chamar a atenção de alguém com quem se quer relacionar”, diz o professor Nino Carvalho. Quando for citar alguém em uma foto, o ideal é pedir autorização antes de publicar. Muitas vezes, a pessoa não quer se expor.

6. O torcedor fanático
Postar mensagens ofensivas ou fotos provocativas para torcedores de outros times pode causar até a perda de amizades. O mesmo vale para posts de cunho político ou religioso. “Tem de se tomar cuidado com este tipo de mensagem porque você não vê o sentimento da pessoa do outro lado da rede social”, afirma Gil Giardelli. Quando for dar opiniões, defenda seu ponto de vista de maneira educada,sem agredir os que pensam diferente de você.

7. O dois em um
Ter perfil de casal pode parecer fofo e demonstrar todo o carinho que o par tem um com o outro, mas o problema é que a conta compartilhada pode confundir os amigos. Eles dificilmente saberão qual dos dois está postando ou quem está online para receber uma mensagem particular. “Perfil de casal também dá a impressão de que os indivíduos não têm vida própria”, comenta Célia Leão.

8. O gerador de curiosidade
Postar mensagens do tipo “Sonho realizado!” ou “Noite mais horrível da minha vida...” sem dizer o que é pode deixar todo mundo preocupado ou simplesmente curioso. “Se começou a contar, conte tudo. Se não quiser contar para todo mundo, é melhor não postar nada”, indica a consultora Célia Leão. Evite provocar os amigos com mensagens dúbias ou que não dizem nada.

9. O “viajado”
É natural querer dividir momentos bacanas de uma viagem com os amigos, mas postar fotos a cada cinco minutos pode se tornar cansativo para os seguidores ou, ainda, parecer que a pessoa está mais preocupada em registrar onde está do que curtindo o passeio. “É preciso saber dosar”, aconselha Nino Carvalho.

10. O glutão com filtro
Postar imagens de comida o tempo todo pode cansar os amigos – e ainda deixá-los com uma baita fome. O importante é saber controlar a frequência deste tipo de post para não se tornar monotemático. Sabendo variar, “não tem problema comentar o que comeu no café da manhã”, diz Nino.

11. O anti Facebook
Se você não suporta a repetição constante de um dos padrões acima, não fique reclamando: quem ama, bloqueia. Seu amigo não vai ficar sabendo que foi bloqueado e vocês podem continuar mantendo uma pacífica convivência real, desde que as fotos de cachorrinhos mortos que ele compartilha parem de aparecer na sua timeline. Para fazer isso, entre em Configurações e siga as instruções do próprio Facebook.

DEPUTADO QUER MANTER IGREJAS SEM PAGAR IMPOSTOS


 
Deputado destaca que cobrar tributo de religiões é “inconstitucionalidade total”

Autor de um projeto de lei que, se aprovado, faria as igrejas passarem a pagar impostos, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) recuou. Ele encomendou um estudo para saber como deve agir para manter esse benefício dado aos templos religiosos pela Constituição. 

“Estou aguardando a consultoria. Não sei se será por emenda ou por um novo projeto de lei. Mas devo apresentar a proposta já nesta semana”, adiantou o parlamentar , membro da Frente Parlamentar Evangélica.

Para ele, o Projeto de Lei Complementar 239/13 apresenta “inconstitucionalidade total” quando propõe suspender a imunidade às igrejas porque elas têm “proteção absoluta”. “Na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], ia cair o texto”, ponderou Rogério, em entrevista ao Congresso em Foco. Ele admite não ter prestado atenção para esse detalhe. Atualmente, a proposta tramita na Comissão de Finanças e Tributação. O autor original é o atual prefeito de Curitiba e ex-deputado tucano, Gustavo Fruet (hoje no PDT).

Com a mudança a ser feita no projeto, apenas perderiam o benefício de não pagarem impostos os partidos políticos, sindicatos e instituições educacionais e de assistência social sem fins lucrativos que descumprissem os pré-requisitos estabelecidos em lei.

Tais exigências são: não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas; aplicarem integralmente os seus recursos no país, voltando-se para a manutenção dos seus objetivos institucionais; manterem escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (Congresso em Foco)

domingo, 4 de agosto de 2013

Adolescentes transexuais no SUS

Por Rodrigo Constantino 

Deu no GLOBO: Brasil faz duas cirurgias de mudança de sexo a cada dia

Em meio à polêmica sobre a redução da idade mínima para a cirurgia de troca de sexo, um levantamento obtido pelo GLOBO mostra que transexuais brasileiros recorrem cada vez mais a esse tipo de procedimento na rede pública de saúde. Nos últimos cinco anos, o número de operações de mudança de gênero cresceu de forma constante e, atualmente, são realizadas duas cirurgias por dia no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, desde agosto de 2008, quando a cirurgia começou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foram realizados 2.714 atendimentos hospitalares e ambulatoriais para o processo de mudança do sexo masculino para o feminino. No período, o governo gastou R$ 314 mil.

Em 2009, foram realizados 501 procedimentos de mudança de sexo, número que cresceu para 510, em 2010, e para 706, em 2011. No ano passado foram realizados 896. Até o momento, o país não realiza cirurgias de mudança do sexo feminino para o masculino. Na quarta-feira, o Ministério da Saúde havia publicado uma portaria que autorizava a operação e alterava a idade mínima do procedimento de 21 para 18 anos. Por ordem do Palácio do Planalto, contudo, a portaria foi suspensa no mesmo dia.

Não quero, aqui, entrar na questão da cirurgia em si, do sofrimento de quem não se identifica com o próprio corpo e com o gênero que nasceu. Mas gostaria de dar meus dois cents sobre a questão da idade. A revolução cultural em curso, liderada pelos “progressistas”, pretende transformar a sexualidade em algo cada vez mais precoce na vida das pessoas. Ao mesmo tempo, verdadeiros marmanjos são tratados como crianças indefesas quando praticam crimes e atos terríveis.


É uma visão bizarra das coisas. Um adolescente, segundo esses “progressistas”, deve gozar de ampla “liberdade” no quesito sexo, até mesmo para mutilar seu órgão sexual, mas se ele colocar uma bala na cabeça de uma vítima inocente, passa a ser visto como a vítima em si, e o crime é culpa da “sociedade”. Que mundo um pensamento desses pode criar?

Alguns podem pensar que pessoas como o deputado Jean Wyllys lutam apenas pelos direitos dos gays e transexuais. Falso. Sugiro que passem o olho em alguns projetos de lei de sua autoria. Esse, por exemplo. O resumo: qualquer um que simplesmente “sente” que está no corpo errado, ou seja, que gostaria de ter outro gênero, pode mudar todos os registros, inclusive apagando qualquer histórico, e se desejar pode fazer cirurgia de mudança de sexo pelo SUS, paga com nossos impostos.

Se for menor de idade, precisa pedir autorização aos pais. Mas atentai: se ainda assim o adolescente quiser e os pais não deixarem, ele pode recorrer à assistência da Defensoria Pública, onde burocratas ungidos do estado usurparão o direito dos pais de não deixarem seu filho de 13 anos cortar o pênis fora porque “sente” que talvez devesse ser menina. Aqui está:

§1° Quando, por qualquer razão, seja negado ou não seja possível obter o consentimento de
algum/a dos/as representante/s do Adolescente, ele poderá recorrer ele poderá recorrer (sic) a
assistência da Defensoria Pública para autorização judicial, mediante procedimento
sumaríssimo que deve levar em consideração os princípios de capacidade progressiva e 
interesse superior da criança.

Busquem conhecer melhor a agenda desse movimento. Isso é fundamental para que não sejam vítimas dos oportunistas, para que não sejam inocentes úteis de gente com interesses bem estranhos. Liberdade não é libertinagem, e uma sociedade não se sustenta sem certos valores morais. Não nego, enquanto liberal, o direito de um adulto pagar de seu próprio bolso por uma cirurgia que altere seu sexo. Mas fazer isso com adolescentes, usando recursos públicos, e até mesmo à revelia dos pais? Isso é assustador!

O que essa turma deseja, aparentemente, é destruir valores importantes da civilização ocidental, calcada no núcleo familiar, o maior obstáculo ao autoritarismo estatal. Não está convencido ainda? Então explica: por que um “homoafetivo” como Jean Wyllys abraça simultaneamente à causa “gayzista” as bandeiras do socialismo (que sempre perseguiu os gays) e até mesmo, pasmem!, do islamismo, que costuma enforcar os mais afeminados?

Eu arrisco uma resposta: todos eles têm, como denominador comum, o ódio ao capitalismo ocidental, calcado em certos valores morais, na tradição e na família. Eles querem subverter tais valores para, com isso, abrir o caminho para o avanço totalitário do estado.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O JOGO DE CENA DA VISITA DO PAPA

Por Isaltino Gomes Coelho Filho

Segundo Morris West, ao se iniciar o processo de canonização de um santo, há um personagem chamado O advogado do diabo (título de um de seus livros) incumbido de levantar todos os defeitos e aspectos negativos do candidato à santidade, para evitar que se santifique alguém indevidamente. Numa cultura de “babação de ovo”, em que todo mundo quer ser simpático e ninguém quer ser politicamente incorreto, eu assumo esse papel, no tocante à vinda do Papa Francisco. Sem receio: jogo de cena e que não terá desdobramentos práticos. A Igreja Católica não se reerguerá no Brasil pelo fato de ele ter vindo. Não se reerguerá em lugar algum do mundo por causa dele.

Quererão comer meu fígado. Até os evangélicos mais preocupados com “o olhar do outro” (seja lá o que isso seja) que com o olhar das Escrituras. Faz-nos falta um Reis Pereira, que com olhar seguro, visão bíblica, discernia esses eventos e os expunha em editoriais brilhantes de O jornal batista! Ele tinha sólida bagagem histórica, visão teológica e base bíblica. Interpretava os fatos e evitava o “oba oba” tão comum entre nós. Não tenho um décimo de sua capacidade cultural, de seu brilho literário e de sua sobriedade, mas, como ele, não tenho medo. Foi jogo de cena. Que não soerguerá a Igreja. Como não a soergueu o Papa João Paulo I (“O papa que ri” e que morreu pouco mais de um mês após sua eleição). Nem o Papa que foi alvo de tiros, perdoou o agressor e beijava o solo aonde chegava. Um poço de simpatia, sucedido depois por um Papa teólogo, pensador sisudo, que em novo lance, mudou o viés, da simpatia para a lógica teológica. Renunciou porque a Igreja não mudou, nem com riso, nem com simpatia nem com teologia. Messias humanos não salvam. Plus ça change, plus c’est la même chose…

“O papa que veio do fim do mundo”, “o papa simples”, o “papa sul americano” (esse culto ao sul americanismo ou latino americanismo não me ilude), “o papa de olhar magnético”, e mais uma série de adjetivos. Slogans publicitários. O homem está no posto há menos de um ano. Não realizou nada, não marcou época, não efetuou mudança alguma (a não ser cosmética) e é dado como o homem da grande virada da Igreja. Uma multidão foi vê-lo, o aclamou, e a mídia loou seu charme. Multidão é inconstante. Entre “Hosana ao Filho de Davi” e Crucifica-o!”, não se passou uma semana! Mídia? Leiam (leiam mesmo!) os editoriais do Correio da manhã, O diário de notícias, O jornal do Brasil, O Globo, a revista O Cruzeiro da época. Quantos elogios à revolução de 64! Leiam os exemplares de dois anos depois e verão as críticas à ditadura de 64.

Fui católico. Minha mãe, Nelya Werdan, cedo enfermou gravemente. Dos meus 7 aos meus 14 anos, ia dormir esperando que ela morresse à noite. Lembro-me de um momento em que ela parecia ter morrido. Eu tinha 7 anos e enquanto todos gritavam pela casa, eu chorava nos fundos sozinho. Um garoto magrelo, chorando nos fundos da casa, na Rua Barata de Almeida, 81, Engenho da Rainha. Ela voltou a si. Sua morte sucedeu aos meus 14 anos. Em sua busca de cura, foi levada para o espiritismo por D. Irene, que tinha um Centro, na Estrada Velha da Pavuna. Mais tarde foi para um Centro em Padre Miguel, na rua Cerejeira, 24. Neste Centro, dia 23.02.1963 fez-se uma reunião por um ano de sua morte. Eu fora batizado treze dias antes. Era menino. Entrei no Centro, levado por meu pai e minha avó, Maria Werdan. A “entidade” não incorporava no “aparelho”. Um incrédulo quebrava a corrente: o menino batizado. Pediram-me que saísse. A “entidade” incorporou. Voltei. A “entidade” foi embora. Expulsaram-me. Fui jogar bola na frente do Centro, e até rasguei a calça. Mas D. Nelya, mesmo iludida pelo espiritismo, me ensinou as orações católicas. Eu era o único dos Gomes Coelho-Werdan, da família, que ia à missa. Ainda sei de cor o Pai nosso, a Ave Maria, a Confissão de pecados, a Oração ao anjo da guarda, Oração pela manhã e a Oração da noite. Após sua morte, ia semanalmente à sua sepultura, no Cemitério de Irajá, sepultura 8968, e rezava por sua alma. Rezava por sua alma todas as manhãs e todas as noites. Eu pensei em ser padre. Guardo livros católicos desde os 10 anos! Eu era o único católico praticante da família! Deixei de sê-lo ao conhecer o evangelho na Igreja Batista de Acari, com 14 anos. Conheci Jesus Cristo. Minha angústia espiritual foi saciada. Sou batista há 50 anos. Minha mãe adubou-me o interesse por Deus. Eu quis Deus, desde criança, e ela entendeu isso. Mas me mostrou o caminho equivocado. A graça de Deus me trouxe ao caminho certo.

Mostrado meu débito com o catolicismo, na infância, vamos aos fatos. A questão não é algo que o Papa disse. Foi o que não disse. Ele ter dito que quer que a Igreja vá para a rua, que diferença faz! Os militares foram para as ruas em 1964. Os caras pintadas foram para a rua e Collor está aí. A UNE ia para as ruas e hoje é chapa branca! Que diferença faz ir para as ruas? Dizer o quê? Fazer o quê? Ele disse que não é ninguém para julgar os gays. Semanas antes disse haver um lobby gay muito forte no seio da Igreja. A Gaystapo e simpatizantes se abespinharão. Não estou emitindo juízo de valor! Conseguem ser objetivos?

O Papa não falou o que o líder da maior denominação crista do mundo deveria ter dito. Que só Jesus Cristo salva. Que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Na revista “Veja” ele aparece beijando uma estatueta de Aparecida. Chocante! Um artefato menor que seus braços! Não o vi segurando um Novo Testamento! Lembrei-me da queixa de Deus, por Oséias, de homens beijando ídolos, ao invés de reverenciarem a Palavra de Deus (Os 13.2). O Papa falou de Maria, mas não falou de Jesus. Citou-o, mas não falou dele. Não falou do único “mandamento” de Maria: “Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2.5).

O Papa é simpático. E dispõe de um grande aparato midiático. É matéria que vende jornais e revistas. Mas não falou o que devia: que só Jesus Cristo salva.

Os evangélicos me chocam pelo seu acriticismo. Raia à alienação. Encantam-se com movimentos neopentecostais. Que passarão porque cometem o mesmo erro da Igreja Católica: não falam de Jesus. A Igreja, com Maria. Os neopentecostais, com o Espírito Santo. Confundem o Ruah com sua psychê, o Espírito com seus insights. Com seu poder midiático e seus recursos financeiros encantam evangélicos incautos, mas não falam do poder da mensagem da cruz. Não pregam o Crucificado. Todo movimento que não esteja alicerçado sobre Jesus ruirá (Mt 7.24-26).

Falei num retiro de pastores certa vez. Antecedeu-me um preletor que mostrou como o mundo será muçulmano. Eles têm mais filhos que os cristãos e assim geram mais adeptos que nós (como se o leito conjugal, e não o mundo, fosse o maior campo missionário da igreja!), eles aplicam mais dinheiro na obra, eles fazem mais adeptos que nós, compram jornais, levantam mesquitas, etc. Com um monte de gráficos, deprimiu todo mundo. Sucedi-o e comecei com estas palavras: “O reino deste mundo passou a ser de nosso Senhor e de seu Cristo!” (Ap 11.15). O futuro é do evangelho, é de Jesus. A história seguirá. O que for de Jesus permanecerá de pé. O que não for ruirá. O nome não é Maomé. Não é Maria. Não é Francisco. Não é Isaltino. O NOME é Jesus.

Podem desancar-me. Mas pensem (não é pecado): o Papa voltará dentro de 4 anos. Meçam, então, o quanto a Igreja Católica terá crescido. Meçam quanto as igrejas evangélicas terão crescido. Naquela multidão na Praia, foto que encantou a tantos, havia milhares de pessoas, como o menino Isaltino, de dez, doze anos, que queria algo para seu coração, e descobriu, mercê do Espírito de Deus, que suas necessidades espirituais e emocionais se encontravam no evangelho de Jesus. Abracei-o há 50 anos. Sou pastor há 42 anos. Agora, no poente, me aflijo, me frustro, até choro, por que não tenho mais 42 anos para servi-lo. Vita brevis.

No tempo de Jeremias havia profetas que diziam o que o povo queria ouvir. Eram o eco dos corações humanos. Os pecadores continuam tentando ditar a agenda para Deus: “A Igreja tem que ser mais humana, tem que se aproximar mais do povo!”. Querem que ela abençoe o povo em seus pecados. A ótica certa é outra: “A igreja não pode perder seu caráter de origem divina. Ela é a única instituição em toda a terra que pode reivindicar isto. E o povo tem que se aproximar de Deus!”. O referencial não é o povo. É a igreja ou ela não tem valor. A igreja não é uma ONG religiosa para prestar os serviços que o povo deseja. Ela é o Corpo de Cristo, incumbida de chamar os homens a acertarem suas vidas com Deus! Ela não deve almejar vencer um concurso de popularidade, mas pregar o que o Batista pregou, o que Jesus pregou, o que a Igreja de Jerusalém pregou: reconciliem-se com Deus! Mudem de vida!

Todos gostaram quando o Papa disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho isto te dou”. Ouro e prata a Igreja tem. E muito. Mas ele não completou a frase: “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno!”. Jesus foi o grande ausente, e o seu evangelho foi o grande ignorado.

Sem Jesus não há fé real. Sem Jesus não há futuro. Uma volta à cruz, Papa Francisco.

(Recebido por e-mail)