quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Brasil terá o 2º pior PIB da América Latina e Caribe

Segundo Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o Brasil só fica à frente do Paraguai, cuja economia vai recuar 2% em 2012

Presidente Dilma Rousseff recebe atletas em Brasília em 13 de agosto
Dilma Rousseff: governo luta para garantir taxa mais alta de crescimento econômico (Ueslei Marcelino/Reuters)
 
Brasil e Argentina lideram cortes nas estimativas de crescimento em relação aos números projetados em junho. Cepal ainda avalia se protecionismo prejudicou o crescimento brasileiro e o argentino.

O crescimento econômico do Brasil ficará em penúltimo lugar entre os países da América Latina e Caribe, com expansão de 1,6%, perdendo apenas para a contração do Paraguai, na casa dos 2%. A previsão foi divulgada nesta terça-feira (2) pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal).

Segundo a entidade, que divulgou nesta terça-feira seu Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2012, Brasil e Argentina tiveram os maiores cortes nas estimativas de crescimento em relação aos números projetados em junho pela Cepal.

No caso brasileiro, a previsão caiu de 2,7% para 1,6%, em linha com o esperado pelo Banco Central em seu Relatório Trimestral de Inflação publicado na semana passada. Já a Argentina teve uma redução de 3,5% para 2%.

Protecionismo – Não por acaso, a piora na percepção da Cepal atinge os dois países que tiveram maior atuação protecionista nos últimos dois anos. No entanto, ainda é cedo para fazer uma relação direta entre medidas protecionistas e menor crescimento econômico na região, segundo o diretor da comissão no Brasil, Carlos Mussi.

"Tem sido sempre um desafio histórico, como facilitar esse processo. Nossa integração é muito direcionada aos bens finais, diferentemente do modelo asiático e europeu, onde há integração das cadeias produtivas. O desafio é como avançar nestas políticas", afirmou.

O menor crescimento de Brasil e Argentina pesou nas estimativas para a expansão econômica da América Latina e o Caribe, dado o peso das duas economias na região. A Cepal revisou para 3,2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países latino-americanos e caribenhos em 2012. A previsão anterior era de 3,7%. A comissão atribuiu a desaceleração às dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos e pela Europa, além da freada na economia chinesa.

México – A previsão de crescimento para o México, por outro lado, foi mantida em 4,0%. Para o ano que vem, a Cepal projeta crescimento de 4,0% no Brasil, 3,5% na Argentina e 4,0% no México. Para toda a América Latina e Caribe, a previsão é de 4,0%. A Cepal é uma das cinco comissões econômicas regionais das Nações Unidas (ONU).

(com Agência Estado)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DA AUTORIA

O esclarecedor artigo postado aí, logo abaixo, é de autoria do jornalista, radialista, analista político e blogueiro Jorge Serrão. A César o que é de César. Ou não?

Super Barbosa será Presidente da República?


Trancrito do blog Alerta Total – www.alertatotal.net

 

Se a eleição presidencial fosse hoje, com os competidores previsíveis e tradicionais, Dilma Rousseff ganharia facilmente. Seria reeleita não pela competência ou sucesso estrondoso de seu governo. Venceria, simplesmente, por falta de um adversário político. A falta de oposição – e de um concorrente que reflita tal postura claramente ao cidadão-eleitor-contribuinte – deve conceder ao PT mais uns anos no trono imperial do Palácio do Planalto.

Quem poderia derrotar Dilma Rousseff? Resposta facinha: seu maior inimigo é interno. Chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Se a vaidade e a sede de poder permanente falarem mais alto, como de costume, o ex-Presidente vai atropelar a Presidenta e tirá-la do caminho reeleitoral. Nas condições atuais de tempo e temperatura política, com previsão válida até 2014, Dilma se reelege facilmente. Já o companheiro $talinácio, não, apesar de seu endeusado poder mítico. (Releia o artigo: A implosão do Mito Lula terá resultado imediato?)

Lula já deu o que tinha de dar. Quem passa pela Presidência da República, se tivesse um mínimo de bom senso e honradez política deveria se aposentar, mantendo uma postura de estadista. Lula não consegue – a exemplo de José Sarney e Fernando Collor. Itamar Franco, que já morreu, não conta. Fernando Henrique Cardoso só não tenta um retorno trinfal porque não tem a menor condição. Lula ainda se acha e continua sobrevivendo como um eterno sindicalista militante. Banca o cabo eleitoral para o poste Haddad ou para o Claudinho da Geladeira – que sonha ser o alcaide dos 41 mil habitantes da pequena Rio Grande da Serra, na Grande São Paulo.

O escândalo do Mensalão não afeta tanto a eleição municipal – como se chegou a pensar. Pesquisas de opinião feitas por partidos e institutos de pesquisa indicam isto. Mas o julgamento do mensalão prejudica muito a imagem de Lula. Pior ainda, a desconstrói. Com os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal até agora, fica claro que o esquema mensaleiro tinha um chefão bem acima do operador Marcos Valério e um pouco mais arriba do suposto-chefe José Dirceu.

Por fora do rolo do mensalão – mas correndo secretamente em parelelo, o STF terá de julgar, algum dia, o procedimento investigatório número 2.474. O caso, com 77 volumes, corre em segredo de Justiça. Como ainda se encontra na fase de investigação policial, não resultou em denúncia feita pelo Procurador-geral da República. O alvo secreto deste escândalo é Lula. O inquérito é um desdobramento da ação penal 470, e foi aberto para apurar novos sacadores de dinheiro das empresas de Marcos Valério – com grandes chances de puxar uma cadeia pela condenação, por goleada, no STF.

Sem direito à imunidade parlamentar, e sem o foro privilegiado que o mandato presidencial lhe assegurava, Lula agora pode se transformar em um réu como outro qualquer. Em outra ação movida contra ele, o Ministério Público Federal já até solicitou o bloqueio de seus bens. Lula foi acionado na Justiça Federal, por improbidade administrativa. O MPF denunciou, em 2011, que Lula buscou a “autopromoção” e favoreceu o banco BMG (envolvido no processo do Mensalão), quando enviou cartas (assinadinhas por ele) a aposentados e pensionistas oferecendo crédito consignado.

Os empréstimos com desconto na folha de pagamento do INSS, que hoje infernizam o bolso dos idosos, podem ser a maldição política para Lula. Tudo vai depender se a Justiça terá mesmo coragem de investigar o mítico personagem. O bloqueio dos bens dele foi pedido porque alguém no MPF soube que, segundo avaliação de uma empresa de inteligência franco-suíça, Lula e seus familiares teriam um impressionante patrimônio milionário em bens imóveis.

Lula é um personagem com imagem em desgaste, com risco de decadência política no curto prazo e com problemas nunca antes historiados na Justiça. Além disso, ainda tem de tomar cuidado com o imponderável envolvido no pós-tratamento de um câncer de laringe - que a marketagem médica afirma estar “curado”. Também precisa tratar com muito carinho a companheira Dilma Rousseff, porque se ela se sentir traída por ele, vai se esquecer de tudo que a fez se sentir atraída anteriormente e vai justiçar Lula nos moldes em que a turma dela fazia nos tempos da guerrilha armada contra o regime militar.

Por enquanto, Dilma está na dela. Lula é quem está com o dele na reta e já preocupado com a única “novidade política” que poderia impor uma surpreendente derrota ao PT na eleição presidencial de 2014. O nome do “concorrente” (ainda não tratado oficialmente como tal) é Joaquim Barbosa. O futuro presidente (pelo menos do STF) é uma estrela em alta. Tudo graças ao competente e corajoso trabalho como relator da Ação Penal 470 que já condena alguns mensaleiros. Para a opinião pública – e parte da publicada -, Barbosa se transforma em um símbolo de correção e Justiça – justamente no País em que vigoram as coisas erradas e as injustiças de toda espécie.

Barbosa pode virar um mito? Claro que pode. Basta que sua imagem seja trabalhada com pitadas de marketing político. O operário Lula, na verdade um sindicalista que trabalhou muito pouco e que agora tem um patrimônio superior ao de muito dono de fábrica, conseguiu ser transformado em mito. Barbosa, que tem um currículo consistente e uma carreira sólida no Judiciário, com a fama angariada no caso do Mensalão, tem tudo para se credenciar como um grande brasileiro da História.

O imaginário popular já o trata como herói. Para o carnaval de 2013, Barbosa já é tido como sucesso garantido. Uma fábrica lá da minha querida São Gonçalo, metrópole vizinha de Niterói, já programa produzir cerca de 10 máscaras de plástico do Barbosa. A justificativa comercial apresentada pela dona do negócio, a espanhola Olga Gilbert Valles, é bem interessante: “Joaquim Barbosa é como o Batman, um Justiceiro”. Pronto: o negão de capa preta (togada) já é um herói nacional. Daria até um filme épico de anti-gangsterismo: “O Super Barbosa contra o Chefão do Mensalão”. Sucesso de bilheteria... Os gaiatos da internet já fizeram até uma sugestão de cartaz e capa de DVD...

Para terminar, tentemos responder à desafiadora perguntinha da manchete deste post: Super Barbosa poderia se eleger Presidente da República? Depende dele, e de muita articulação política para tamanha surpresa se tornar realidade. Hoje, se perguntarem para ele, com absoluita certeza, dará, publicamente, um “Não Rotundo” (como diria o velho Brizola amado pela Dilma). Mas, o tempo passa, o tempo voa, e depois de dois anos na presidência do STF, será que a mosca do poder não pode convocar o Barbosa para a missão de derrotar Dilma (ou Lula?) em 2014? O “Super Barbosa” talvez seja o único (não-político) em condições de cumprir tal missão. Aécio Neves ou Eduardo Campos não são páreos para Dilma (Lula?).

Se for candidato, Barbosa tem chances de se eleger? Claro que tem! Muito mais que qualquer político profissional. O maior problema é: eleito, Barbosa consegue governar, no atual modelo político capimunista a que o Brasil é submetido? A resposta é o mesmo não rotundo do velho caudilho. Sem a sustentação da base (mensaleira) do Congresso, o super-heroi anti-mensalão duraria pouco tempo no poder. A ladroagem em vigor e no poder quebraria (de vez) a coluna vertebral do Barbosa.

Portanto, uma eventual Operação Super Barbosa só seria bem sucedida se fosse acompanhada de outra bases de sustentação muito mais fortes: além da popular, a militar. Eis o motivo pelo qual a petralhada ficou se borrando de medo com a informação exclusiva que o Alerta Total veiculou domingo passado, em primeira mão: Inteligência do Exército protege Barbosa.

A bandidagem fará o diabo para não largar o osso carnudo do poder... A petralhada morre de medo porque a história é simples. O Brasil elegeu sua primeira mulher "presidenta". Por que não pode eleger, também, seu primeiro negro presidente? Por isso, Super Barbosa que se proteja mesmo... Cuidado com o criptonita e com a mosca azul... Em 2014, a Copa do Mundo já é nossa... Se com o Barbosa, não há quem possa... Vai depender de muita coisa...




sábado, 29 de setembro de 2012

A Nina e a Carminha de Brasília

Por Nelson Motta

Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia.

Roberto Jefferson tem todos os motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heroico:
"Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu."

Em 2005,Dirceu dominava o governo e o PT,tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão.E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica.

Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser,no máximo,sua Chefe da Casa Civil,ou presidente da Petrobras.

Com uma campanha milionária comandada por João Santana,bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados pelo nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na Esplanada:

"Dirceu guerreiro/ do povo brasileiro."

Ufa! A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão". Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante.O importante era o dinheirão.

Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos.

O que poderia expressar melhor a ideia de uma conspiração para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada com  dinheiro público e sujo?

Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto juntos criariam uma marca mais forte e eficiente.

Mas antes de qualquer motivação política,aexplosão do maior escândalo do Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu.

Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania. Feitos um para o outro.

O "chefe" sempre foi José Dirceu. Combativo, inteligente, universitário - não sei se completou o curso-fala vários idiomas, treinado em Cuba e na Antiga União Soviética, entre outras coisas.

E com uma fé cega em implantar a Ditadura do Proletariado a " La Cuba ". Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante-pelos resultados alcançados-era Lula.

Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu.

Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão "roubava" mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era frágil .
E ele, o Dirceu,fizera tudo direitinho,estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país.

Aí surgiu Roberto Jefferson... e deu no que deu.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu vi nascer o Mensalão

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
 
Por Sebastião Nery

Tarde de sábado do começo de 2003 no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganho as eleições presidenciais de 2002 contra José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo.

Como fazíamos quase todas as tardes de sextas e sábados, um grupo de jornalistas almoçávamos a um canto, conversando sobre política e o pais. De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, e começam a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido.

Nada falaram. Acontecera alguma coisa grave. Deviam voltar logo.

Só um voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para Chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca dos ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.

Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondonia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.


O primeiro a ser chamado foi o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB. Combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência. Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.

Dirceu perguntou como iriam conseguir maioria no Congresso.

- Compra os pequenos partidos, disse Lula a Dirceu. – Fica mais barato.

Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro da Justiça e Olivio Dutra das Cidades. E assim nasceu o Mensalão.


O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, o brilhante Luiz Francisco Correa Barboza, disse ao Globo:

-“Não só Lula sabia do Mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora”.

No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.

Lula é um “cappo”. Os companheiros do partido e governo no banco dos réus e ele, só ele, de fora. Logo ele que é o grande réu, “o réu”.

Dirceu, Roberto Jeferson, Genoino, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Gushiken, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Professor Luizinho, a malta toda, como disse o Procurador Geral da República, era uma “organização criminosa”, uma “quadrilha” chefiada pelo Dirceu. Mas sob o comando do chefão, Lula.

Quem tinha de estar no banco da frente era ele, “o réu”.

Desde 2003, todo ano relembro essa historia. Lula começou dizendo que “não sabia de nada”. Depois, passou para : “Fui traído pelas costas”. E, finalmente, a tese oficial dele e do PT : – “O Mensalão foi uma farsa”.

E Lula arranja ajudantes na desfaçatez para agredir o Supremo. Um gaúcho baixotinho, que ninguém sabe quem era e de onde veio e virou presidente da Câmara dos Deputados, esta semana cuspiu no Supremo:

- “O Mensalão é uma falácia”.

Ele não sabe o que é falácia. Mas cadeia ele sabe. Quando for visitar Dirceu, Genoino, Valério, seus companheiros, na cadeia, vai aprender.

Sebastião Nery é Jornalista - sebastiaonery@ig.com.br. Originalmente publicado no site da Tribuna da Imprensa em 25 de setembro de 2012.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O FLAGRA

“Ele tava sentadinho do meu lado com seus brinquedinhos. Levantei para pegar o celular que tava tocando, atendi, quando olhei ele já tava assim… Fui pegar o computador e ele tinha fechado tudo, aberto coisas… eu hein, o piá tem 5 meses. Pode?” – Palavras da mamãe do Ernesto, a fotógrafa Anaterra Viana (Blog do Zé Beto)

Espoliação desmedida


Por Francisco Espiridião

Leio hoje na Folha de Boa Vista que a Prefeitura suspendeu o trabalho de coleta de galhadas e entulhos produzidos pela população em todos os bairros da Capital.

A notícia me causou muita estranheza, em razão de este ser um dos serviços pagos a preço de ouro pelos contribuintes boa-vistenses, e que já se tornou rotina.

Antigamente, a taxa de recolhimento de lixo era cobrada na própria conta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e seu valor era algo bem mais acessível a todos.

Atualmente, quando ela ganhou vida própria, e concorre cabeça a cabeça com o valor do IPTU, parece-me ideia totalmente descabida restringi-la à coleta do lixo domiciliar.

Desmembrar a taxa de coleta de lixo do IPTU foi uma jogada com o fim único de onerar ainda mais o contribuinte. Suspender o trabalho, igualmente, será, sem dúvida, abuso desmedido.

Onde estão as instituições de defesa do consumidor que não veem isso? Será que tudo vai passar em brancas nuvens? Está na hora de toda a população se levantar contra essa espoliação.

Tiririca reclama de 'interesses' no Congresso e admite abandonar a política


VALTER LIMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM ARACAJU

O deputado federal Tiririca (PR-SP) afirmou que existem "outros interesses" no Congresso e que, por conta disso, admite que talvez não tente a reeleição nas eleições de 2014. Ele se disse "desacreditado da política"
.
"Eu não sei se pretendo continuar, por ser muito difícil lá dentro [da Câmara dos Deputados]", disse Tiririca, nesta quarta-feira (26), em entrevista à Rádio Liberdade FM, de Aracaju (SE)
.
Beto Oliveira/Divulgação/Câmara dos Deputados
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara

Palhaço eleito com 1,3 milhão de votos, ele demonstra decepção com a burocracia do Congresso. "Eu pensei que chegando à condição que eu cheguei, ia lá e ia aprovar projetos que iam beneficiar a população e essas coisas todas, mas não é assim. Há outros interesses", afirmou.

Na entrevista à rádio, Tiririca também disse que, "para boa parte da população, o político é visto como ladrão", mas ressaltou que se sente "muito feliz" quando as pessoas o elogiam por seu trabalho na Câmara.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A FORÇA DOS FRACOS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral da Igreja Batista Central de Macapá, 30.9.12

No livro Das profundezas – preces, de Kierkegaard, há uma oração intitulada “A fraqueza verdadeira”. Assim se expressa o filósofo dinamarquês: “Pai celeste! No mundo cá de fora, um é forte, outro é fraco. O forte – quem sabe – envaidece-se com a sua força; o débil suspira e, ai de mim, torna-se invejoso. Mas aqui, bem no interior da tua Igreja, todos somos fracos: aqui, perante tua presença – tu és o poderoso, só tu és o forte”.

Gosto de Kierkegaard. Crítico severo da cultura européia, ele via a Europa indo à bancarrota. Foi duro com o cristianismo de sua época, principalmente sua Igreja, a Luterana. Ele a chamava de “igreja de domingo”. Muita forma e pouca vida. Para ele, a questão fundamental não era se o cristianismo era verdadeiro, mas se era verdadeiro para a pessoa. Se a pessoa o vivia. Hoje se procura uma igreja pelo que ela oferece, pelo entretenimento, e status que dá. Não se ela chama à vida santa. Um cristianismo social, de compromissos mundanos e conveniências: “O que é bom para mim?”.

No mundo, as pessoas são avaliadas pela força social, econômica ou cultural. A roupa e o carro dizem quem somos e quanto temos. Lutamos por status. Queremos ser grandes aos olhos alheios. Quem não pode ser apraz-se em fofocar sobre os “famosos”, na Internet. Mas dentro da igreja, diz Kierkegaard, todos são pequenos. Há só um Grande, o Senhor. Nós não fazemos a grandeza da igreja. Deus faz.

Alguém me falou que admirava os pastores por que têm uma vida espiritualmente superior. Eu não. Passo por vales e por vezes me desanimo. Não sou um super-homem espiritual. Alguns são. Eu não. Nunca fui.
No princípio, isto me arrasava. Via-me indigno do ministério. Se eu fosse Deus (a frase é retórica), não me chamaria para o ministério pastoral. Mas aprendi que não preciso ser um super-homem. Preciso apenas ser dependente da graça de Deus. Esperar e viver da sua misericórdia. Deus não espera que sejamos infalíveis e invencíveis, mas que sejamos suscetíveis à sua graça. Ele disse a Paulo: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco” (2Co 12.9).

Não somos pote de ouro, mas de barro. São estes que Deus usa: “Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós” (2Co 4.7). Somos fracos e carentes da graça de Deus. Nosso Salvador nos anima, perdoa, capacita e nos ajuda a viver.

A igreja de Jesus é a confraria de fracos e pecadores que ele, gracioso, salvou e capacita para a vida. Fracos e pecadores com um Deus de poder e graça. Isto basta. Assim o fraco se torna forte.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SHOPPING DE IGREJAS

Por Isaltino Gomes Coelho Filho

No início de meu ministério na Cambuí, em Campinas, uma pessoa me disse ter mudado há pouco para a cidade e estava frequentando as igrejas, analisando-as e vendo o que cada uma tinha para lhe oferecer. Como pastor rodado, conhecedor dos vários tipos de membros de igreja, desejei que Cambuí não fosse a “agraciada”. Felizmente não foi. As pessoas que se supervalorizam e desejam que o mundo se encaixe em sua visão não são boas companhias. Geralmente azedam o ambiente por onde passam, e logo precisam mudar de ambiente. Não se pode contar com elas para projetos sérios que não tenham sua grife pessoal. Estão sempre indo ao shopping de igrejas escolher uma que lhe seja mais agradável.

Nesta mentalidade, “igreja” deixou de ser a comunhão dos salvos, onde os remidos se reúnem para adorar a Deus e testemunhar de Jesus, e passou a ser uma prestadora de serviços. A ideia de muitos cristãos é esta: sua fé em Cristo lhes deu um cartão de crédito sem limites e elas cultivam a cultura do consumismo espiritual. Não foram salvas para servir a Deus e à igreja de Cristo, mas para serem agraciadas e servidas. Impressiona-me como as pessoas se queixam de igrejas! Na realidade, é o culto à vontade própria e a incapacidade de se relacionar com os outros que gera a maior parte dos queixumes. Sou reticente quando alguém briga em sua comunidade e quer vir para a comunidade a que sirvo. Em vindo, será que não haverá o transplante de um problema? Porque pé de espinho é pé de espinho em qualquer canteiro… Não é a terra que produz espinho, mas a natureza da planta.

O número de servos nas igrejas diminuiu e surgiram coisas como “adoradores extravagantes” (!). Aliás, muitos querem ser adoradores. Poucos querem ser servos. Por que, em vez de “adorador extravagante” a pessoa não almeja ser “servo incondicional”? Poucos querem servir, mas muitos querem ser servidos. Muitos têm expectativas sobre como a igreja deve servi-los. Deveriam pensar: “Qual é a expectativa de Deus para minha vida?”. Ou: “O que Deus quer de mim?”. Mas sempre dizem o querem de Deus. Com isto há um número elevado de evangélicos no Brasil, mas poucos estão servindo mesmo a Deus. Muitos servem aos seus interesses. Há massa, mas sem qualidade espiritual.

Para muitos membros, freqüência é opcional e a igreja não tem autoridade sobre eles. A igreja presta serviços, e elas, possuidoras de um cartão de crédito espiritual, escolhem qual lhes é mais adequada. Assim temos poucos engajados e muitos clientes. Gente assim se frustra, porque vida cristã não é isto. Gente assim não descobre a beleza de uma vida comprometida com Jesus. Prejudica a igreja local porque deixa de ser militante e passa a ser consumidor desengajado. E prejudica a obra de Deus porque é inútil. Não ajuda o reino.

A obra de Deus necessita de servos, não de clientes. De gente engajada e não de freqüentadores episódicos e sem vínculos. A igreja precisa de quem a ame e não de quem a use. Ela é o corpo de Cristo na terra, e já foi bastante maltratada pelo mundo. Não deve ser pelos que dizem ser de Cristo.

Não vá ao shopping de igrejas. Vá à arena, lutar pelo evangelho e pelo nome de Jesus. Seja servo e não dono da igreja. Seja mais um e não “O Cara”. Sua vida será grandemente beneficiada. Quem encontra seu lugar e serve a Deus ali é uma pessoa realizada. Não tem tempo nem vontade de se queixar. O reino de Deus também será beneficiado.

PROCURANDO OU EVITANDO SARNA PARA SE COÇAR?

Por Isaltino Gomes Coelho Filho 

Preparado originalmente para a revista “Você”, e publicado com autorização da revista.
 
“Procurando sarna pra se coçar”. Este é um ditado que se aplica a pessoas que procuram problemas. Por algum motivo, elas têm necessidade de se envolverem em encrencas. A Bíblia nos fala de duas pessoas que passaram pelo mesmo problema, a tentação sexual. Uma a abraçou e se deu mal. A outra fugiu do problema e se deu bem. Uma procurou sarna para se coçar, e a outra evitou coceira.

Uma das histórias está em Gênesis 39.7-9 (“E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo. Porém ele recusou, e disse à mulher do seu SENHOR: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem; Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?”). A outra, em 2Samuel 11.2-4 (“E aconteceu que numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista. E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa.”). O ideal seria você ler as duas histórias por completo, na sua Bíblia, para entender bem o assunto, porque elas continuam. Mas vamos examinar como estas duas pessoas agiram e observar que quem procura sarna para se coçar acaba encontrando e depois se coça muito. José evitou a sarna, Davi procurou. Quem evita se dá bem. Quem procura, acha.

José entendeu bem a questão: “Há coisas que não posso”. Davi raciocinou assim: “Posso tudo”. José entendeu que como administrador dos bens do patrão tudo estava em suas mãos. Menos a mulher dele. Davi seguiu o caminho errado. Cobiçou a mulher de outro homem. Mais tarde José foi recompensado por Deus, por sua atitude. Davi precisou tramar a morte de um homem, uma criança morreu e ele foi exposto à vergonha.

Os bens eram de José; mas a dona da casa, do patrão. Ele a recusou. Davi fez o oposto: cobiçou a mulher de um subordinado. Ele era o rei, e as pessoas que exercem autoridade e têm poder algumas vezes se acham acima da lei. Perdem o bom senso. Acham que podem tudo, que não há limites para elas. José se impôs limites. Muita gente hoje age como Davi. Acha que pode tudo e não aceita limites. Está procurando sarna para se coçar. Vai encontrar. Nós precisamos de limites. Não se pode fazer o que se quer. 

Necessitamos de autocontrole, que é fruto do Espírito Santo (Gl 5.23). José foi humilde e Davi foi soberbo. Sobre soberba, a Bíblia diz: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”. “Concupiscência” significa “desejo muito forte” (1Jo 2.16). Davi mostrou um desejo carnal muito forte e foi soberbo, ou seja, arrogante.
É bom lembrarmos que não podemos fazer todas as coisas. Há limites. Quem acha que pode tudo está procurando sarna para se coçar.

Os dois correram. José, literalmente, correu do pecado: “E ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora” (Gn 39.12). Davi correu para o pecado, foi atrás: “E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu? Então enviou Davi mensageiros, e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela (pois já estava purificada da sua imundícia); então voltou ela para sua casa” (2Sm 11.3). O erro começou quando viu a mulher se banhando. Um homem com um mínimo de educação desviaria o olhar. Ele fixou o olhar. Procurou sarna para se coçar. A Bíblia faz uma advertência bem séria: “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? Assim ficará o que entrar à mulher do seu próximo; não será inocente todo aquele que a tocar” (Pv 6.27-29). Não brinque com o pecado. Não procure sarna para se coçar. Corra do erro!

Os resultados foram óbvios: José padeceu pela sua fidelidade e foi exaltado. Davi desfrutou do pecado e foi humilhado. José sentiu a ira de uma mulher rejeitada (Gn 39.13-20). Penou um bocado, mas Deus lhe fez justiça. Deus sempre faz justiça a quem obedece a seus ensinos. Davi abusou da lealdade de um servo e quis se livrar dele (2Rs 11.6-15). Com esta atitude, ele desceu ao fundo do poço moral. Que tristeza! A mesma mão de Deus que socorreu José puniu Davi. José foi honrado perante os homens. Davi foi humilhado. Por isso, não procure sarna para se coçar. Nunca perca sua honra!

Dizia uma música antiga: “Não existe pecado do lado de baixo do equador”. Existe pecado, sim, nos dois hemisférios. E tem consequências drásticas. Ele atrai, mas cobra um preço alto. Tome bastante cuidado com o perigo. Fuja dele. Seja íntegro. Seja fiel a Deus. Seja fiel aos seus valores espirituais. Não procure sarna para se coçar. Porque quem procura acha. Imite a conduta de José e nunca aja como Davi.

Outubro amargo?

Por Percival Puggina

Lula tinha três projetos importantes para 2012. O primeiro era alcançar um crescimento robusto da Economia. Quando o ano começou, no melhor estilo lulista Dilma desfilava arrogância dando conselhos a chefes de Estado sobre como superar a crise. Mas eis que quando se aproxima o outubro amargo, depois de uma dúzia de pacotes para soprar as brasas da economia através do endividamento do povo, o PIB dá sinais de esgotamento e impotência. Parece não haver pílula azul que faça a economia adotar uma postura ascendente.



O segundo projeto lulista era eleger Haddad. Entendamos nosso ex-presidente. Ele estava nem aí para uma vitória do PT em São Paulo. Ele queria eleger o Haddad. Aliás, não era bem isso. Corrijo-me. Lula estava nem aí para o Haddad. Ele queria ser o cara que conseguiu fazer prefeito de São Paulo um desconhecido incompetente como o Haddad. Acontece que Marta Suplicy não apenas era candidata. Ela ponteava as primeiras pesquisas de opinião!

Em setembro de 2011, Marta tinha 29% das intenções de voto contra 18% de José Serra. Num segundo cenário, trocando Marta por Haddad, este aparecia com 2% das intenções de voto. Voilá! Lula tinha em Haddad uma versão masculina para reproduzir o prodígio que fizera com Dilma. Certo de sua onipotência, exercendo aquela autoridade absoluta, mista de cacique e pajé (que só não funcionou na época do Mensalão), exigiu que a senadora renunciasse à candidatura em favor do seu pupilo.

À medida que se aproximava o amargo outubro, Lula entrou em desespero: foi beijar a mão de Maluf nos jardins da casa dele e mandou a doublé de presidente desbancar do ministério a irmã do Chico Buarque. Ato contínuo, ofereceu a poltrona da Cultura para Marta que aceitou, subiu no palanque e tirou retrato com Haddad. No momento em que escrevo este artigo parece não haver mais tempo para que o quadro político proporcione alguma alegria a Lula.

O terceiro projeto lulista para 2012 era acabar com o processo do Mensalão. Tal missão foi enfaticamente assumida ao deixar a presidência. “Xacomigo!”, terá dito Lula. Com efeito, mesmo no mais diluído senso moral, os fatos do Mensalão enodoavam sua biografia. Ora, Lula se vê como Deon, o semideus da mitologia grega que tinha o poder de submeter os demais aos seus comandos de voz.

Portanto, era só falar com um, falar com outro, dar algumas entrevistas e a maior parte dos ministros do STF, obedientes aos desígnios de quem os indicou, não se recusariam a lhe entregar a própria honra. Mas eis que quando o outubro amargo se aproxima, se evanesce a ilusão. Não há compadres em número suficiente no plenário do Supremo. Lula cruza as mãos sobre as próprias vergonhas e pede que o ano termine logo.